{"id":1045,"date":"2020-04-21T11:19:24","date_gmt":"2020-04-21T14:19:24","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1045"},"modified":"2020-04-21T11:19:24","modified_gmt":"2020-04-21T14:19:24","slug":"coevolucao-nas-interacoes-parasita-hospedeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1045","title":{"rendered":"Coevolu\u00e7\u00e3o nas intera\u00e7\u00f5es parasita-hospedeiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sele\u00e7\u00e3o natural faz com que as esp\u00e9cies sejam selecionadas devido a diversas press\u00f5es diferentes; certas esp\u00e9cies s\u00e3o selecionadas aos pares, sendo que mudan\u00e7as em um indiv\u00edduo de uma esp\u00e9cie pode ter respostas na outra. Esse processo \u00e9 conhecido como coevolu\u00e7\u00e3o. Mas nem todas as rela\u00e7\u00f5es entre pares de esp\u00e9cies s\u00e3o necessariamente produtos da coevolu\u00e7\u00e3o. Por exemplo, nem sempre polinizadores coevoluem com as plantas que polinizam. O que pode acontecer \u00e9 que alguns polinizadores podem passar a polinizar plantas sem que necessariamente ambas as esp\u00e9cies tenham evolu\u00eddo juntamente. A coevolu\u00e7\u00e3o envolve uma exclusividade na rela\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, uma depend\u00eancia entre os indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns autores defendem que ocorre uma \u201ccorrida armamentista\u201d, em que uma esp\u00e9cie dribla as defesas da outra, como o que acontece entre as larvas da borboleta <em>Mechanitis isthmia<\/em> e de um parente do tomate, a planta <em>Solanum hirtum<\/em>. Esses insetos parasitam folhas com espinhos e grandes tricomas (pelos vegetais), que s\u00e3o defesas da planta contra a herb\u00edvora. Essas larvas se tornaram aptas para predar folhas com tricomas, o que mostra que o mecanismo de defesa da planta gerou uma resposta no herb\u00edvoro, que passou a conseguir usar o recurso, ou seja, com\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"361\" height=\"361\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1046\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/2.png 361w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/2-300x300.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/2-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><figcaption>Borboleta Mechanitis isthmia &#8211; Fonte: http:\/\/goo.gl\/w8qiqx<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o surge uma caracter\u00edstica em resposta a outra, em cada uma das esp\u00e9cies do \u201cpar coevolutivo\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As larvas da <em>M. isthmia<\/em> criam uma rede de seda que anula o efeito defensivo, possibilitando a preda\u00e7\u00e3o das folhas. Devido \u00e0 resposta de defesa da planta, as larvas sofrem forte press\u00e3o seletiva, assim apenas os indiv\u00edduos que possu\u00edam os genes ativos da produ\u00e7\u00e3o de seda continuaram a predar essas folhas, sobrevivendo. Deve-se ter cuidado ao se inferir que h\u00e1 uma coevolu\u00e7\u00e3o, pois \u00e0s vezes os parasitas s\u00e3o adaptados \u00e0 defesa da planta, caracterizando-se assim uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 defesa, mas n\u00e3o necessariamente uma coevolu\u00e7\u00e3o com a planta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro processo de defesa vegetal, que tamb\u00e9m \u00e9 exemplo de coevolu\u00e7\u00e3o parasita-hospedeiro, \u00e9 a defesa qu\u00edmica por meio de subst\u00e2ncias que inibem a a\u00e7\u00e3o de parasitas. Casos de coevolu\u00e7\u00e3o assim n\u00e3o s\u00e3o comuns, e isso \u00e9 explicado pelo fato da coevolu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica envolver processos espec\u00ed\ufb01cos entre as esp\u00e9cies, e insetos exclusivos com esp\u00e9cies de plantas n\u00e3o tendem a ser t\u00e3o comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso os parasitas fossem apenas coadaptados, seriam resistentes a certos tipos de defesas que possibilitariam explorar certas esp\u00e9cies e n\u00e3o outras, assim n\u00e3o se con\ufb01guraria um processo de cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o entre as defesas de uma esp\u00e9cie e a capacidade de contorn\u00e1-las por parte do parasita. Quando se trata de uma coevolu\u00e7\u00e3o, o parasita \u00e9 exclusivo da esp\u00e9cie. Para saber se houve coevolu\u00e7\u00e3o, deve-se investigar se h\u00e1 escolha do parasita \u00e0 planta hospedeira, e se a esp\u00e9cie \u00e9 beneficiada por essa escolha, apresentando maior taxa de sobreviv\u00eancia e maior quantidade de descendentes gerados que sobrevivam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Coevolu\u00e7\u00e3o x agricultura<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alto consumo de alimentos faz com que seja imprescind\u00edvel cultivos em monoculturas. Essas grandes lavouras apresentam diferentes inimipragas espec\u00ed\ufb01cas para cada cultura. A coevolu\u00e7\u00e3o explica como as pragas e os cultivares se relacionam. Geralmente, na primeira fase dessas rela\u00e7\u00f5es h\u00e1 o surgimento a defesa da planta. A segunda fase \u00e9 a contra-resposta dos parasitas, quando enganam a resist\u00eancia. No caso da esp\u00e9cie de mosca Mayetiola destructor e de cultivares de trigo e arroz nos Estados Unidos, a variedade resistente foi introduzida e em menos de dez anos os parasitas driblaram a sua resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coevolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo c\u00edclico que di\ufb01cilmente ser\u00e1 quebrado com a completa resist\u00eancia das plantas, pois os parasitas podem demorar, mas tendem a gerar uma resposta adaptativa que possibilite o parasitismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esse ciclismo na coevolu\u00e7\u00e3o, especialistas est\u00e3o desenvolvendo t\u00e9cnicas que fazem com que cultivares tenham maior resist\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pragas. Uma dessas t\u00e9cnicas \u00e9 o HDR (do ingl\u00eas, high-dose\/ refuge): produ\u00e7\u00e3o de fortes toxinas em plantios mistos, com plantas modi\ufb01cadas e suscet\u00edveis. Essa t\u00e9cnica alia a biologia molecular e gen\u00e9tica no combate de pragas, pois o sucesso est\u00e1 diretamente envolvido com a frequ\u00eancia e a domin\u00e2ncia de certas caracter\u00edsticas que geram a resist\u00eancia. Esses experimentos mostram que a coevolu\u00e7\u00e3o gera aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas muito \u00fateis para a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \ufb01m, essas descobertas indicam que popula\u00e7\u00f5es naturais de plantas e animais desenvolvem toler\u00e2ncia como uma resposta ao parasitismo, e essa \u00e9 menos custosa para a planta do que a defesa qu\u00edmica ou mec\u00e2nica. Sendo assim, a toler\u00e2ncia possibilita a conviv\u00eancia entre as esp\u00e9cies sem que haja maior est\u00edmulo para respostas de ambas \u00e0s partes. A toler\u00e2ncia, ent\u00e3o, freia o processo de coevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O entendimento da coevolu\u00e7\u00e3o pode ser uma ferramenta \u00fatil no controle de pragas, e por esses e outros fatores, apresenta grande import\u00e2ncia e aplicabilidade no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vin\u00ed<strong>cius R. Bueno<\/strong> e <strong>Caio Motta Campos<\/strong> Alunos de Gradu\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Campus Rio Parana\u00edba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sele\u00e7\u00e3o natural faz com que as esp\u00e9cies sejam selecionadas devido a diversas press\u00f5es diferentes; certas esp\u00e9cies s\u00e3o selecionadas aos pares, sendo que mudan\u00e7as em um indiv\u00edduo de uma esp\u00e9cie pode ter respostas na outra. Esse processo \u00e9 conhecido como coevolu\u00e7\u00e3o. Mas nem todas as rela\u00e7\u00f5es entre pares de esp\u00e9cies s\u00e3o necessariamente produtos da coevolu\u00e7\u00e3o. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":945,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[381],"tags":[582,585,91,519,158],"class_list":["post-1045","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume-5","tag-coevolucao","tag-controle-biologico","tag-evolucao","tag-polinizacao","tag-selecao-natural"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/945"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1045"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1045\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1056,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1045\/revisions\/1056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}