{"id":1137,"date":"2020-10-27T09:35:58","date_gmt":"2020-10-27T12:35:58","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1137"},"modified":"2020-10-27T15:02:36","modified_gmt":"2020-10-27T18:02:36","slug":"especies-alienigenas-uma-grande-ameaca-em-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1137","title":{"rendered":"Esp\u00e9cies alien\u00edgenas: uma grande amea\u00e7a em a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A invas\u00e3o, antes vista somente em filmes antigos com grandes na\u00e7\u00f5es que guerreavam por um trono ou em tramas que envolviam super-espi\u00f5es ou her\u00f3is, recebe uma nova categoria, a biol\u00f3gica. Isso ocorre quando uma esp\u00e9cie \u00e9 inserida em outro ambiente que n\u00e3o seja o de sua origem ou ocorr\u00eancia natural (esp\u00e9cie ex\u00f3tica), nele se adapta e prolifera gerando desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico e se tornando uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica-invasora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">A invas\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 uma das grandes vil\u00e3s na perda da biodiversidade mundial, pois altera toda din\u00e2mica do ecossistema e coloca em risco a vida das esp\u00e9cies nativas. A quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o preocupante que o assunto foi o tema central na confer\u00eancia da ONU sobre biodiversidade em Montreal, no Canad\u00e1, e desde 2001 o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente adota medidas de combate a esse tipo de problema. O mosquito-da-dengue (Aedes aegypti), o gato-dom\u00e9stico (Felis catus), o bambu (Bambusa sp.), a abelha europeia\/africana (Apis mellifera) e a Minhoca- gigante-africana (Eudrilus eugeniae) s\u00e3o algumas das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas que se estabeleceram no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"296\" height=\"152\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-27-093329.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1138\"\/><figcaption>Achatina fulica, esp\u00e9cie de caramujo introduzida no Brasil desde a d\u00e9cada de 1980.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grande parte das plantas ex\u00f3ticas e invasoras possui h\u00e1bito herb\u00e1ceo-arbustivo, isto \u00e9, plantas de pequeno a m\u00e9dio porte e ciclo de vida curto. Poucos vegetais invasores s\u00e3o \u00e1rvores, como por exemplo, Ac\u00e1cia (Acacia mangium) e o Nim indiano (Azadirachta indica). Contudo, a exist\u00eancia de diversos atributos torna algumas esp\u00e9cies invasoras autossuficientes, como a independ\u00eancia de polinizadores e dispersores para a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o das suas sementes. A dispers\u00e3o comumente ocorre por anemocoria ou autocoria, respectivamente pelo vento e a\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria planta, o que promove uma r\u00e1pida e eficaz dispers\u00e3o em ambientes degradados. As \u00e1reas degradadas s\u00e3o preferidas pelas plantas invasoras, pois seu desequilibro facilita a entrada e o dom\u00ednio dessas esp\u00e9cies. Em \u00e1reas conservadas, a grande competi\u00e7\u00e3o existente entre as muitas esp\u00e9cies nativas que coexistem dificulta ou impede a entrada dessas invasoras, pois os recursos do ambiente j\u00e1 est\u00e3o sendo usados por esp\u00e9cies altamente especializadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 bastante tempo atr\u00e1s o naturalista ingl\u00eas Charles Darwin (1809-1882) j\u00e1 percebia em seus trabalhos a presen\u00e7a de esp\u00e9cies comuns em v\u00e1rios lugares que n\u00e3o eram o de origem, o que evidenciava invas\u00e3o biol\u00f3gica. Naquele tempo, n\u00e3o foi dada a merecida aten\u00e7\u00e3o a esse fen\u00f4meno, pois jamais se imaginaria os seus efeitos. O caso mais curioso \u00e9 o do Caracol-gigante-africano (Achatina fulica), uma esp\u00e9cie de molusco introduzida no pa\u00eds na d\u00e9cada de 1980 como uma forma alternativa ao escargot (Helix aspersa), um prato caro servido nos mais finos restaurantes. Pelo fato de possuir de r\u00e1pida reprodu\u00e7\u00e3o e poucos predadores naturais, tornou-se uma praga agr\u00edcola que se alastrou rapidamente pelo territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, pesquisas realizadas na \u00c1frica do Sul, Austr\u00e1lia, Brasil, Estados Unidos da Am\u00e9rica, \u00cdndia e Reino Unido, revelaram introdu\u00e7\u00e3o de mais120 mil esp\u00e9cies ex\u00f3ticas de vegetais, microorganismos, animais. Est\u00e3o nesta lista algumas que invadiram o Brasil, os pardais (Passerdomesticus), braqui\u00e1ria (Brachiaria decumbens) e o pombo (Columba livia). A invas\u00e3o biol\u00f3gica tem degradado ambientes, promovido a dispers\u00e3o de doen\u00e7as, como o mosquito-da-dengue, e gerado muitos milh\u00f5es em preju\u00edzo para a sociedade. A complexidade do tema refor\u00e7a a necessidade de estudos e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis para tra\u00e7arem estrat\u00e9gias de combate ao avan\u00e7o invas\u00e3o alien\u00edgena, que amea\u00e7a a maior  biodiversidade do planeta, a brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M\u00e1rcio Ven\u00edcius Barbosa Xavier<\/strong> \u00e9 estudante de Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Florestal<br>pela UFMG. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>R\u00fabia Santos Fonseca<\/strong> \u00e9 Bi\u00f3loga, mestre e doutorada em Bot\u00e2nica pela UFV e professora de Dendrologia e Sistem\u00e1tica Vegetal da UFMG.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A invas\u00e3o, antes vista somente em filmes antigos com grandes na\u00e7\u00f5es que guerreavam por um trono ou em tramas que envolviam super-espi\u00f5es ou her\u00f3is, recebe uma nova categoria, a biol\u00f3gica. 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