{"id":1160,"date":"2020-10-27T15:19:27","date_gmt":"2020-10-27T18:19:27","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1160"},"modified":"2020-10-27T15:21:49","modified_gmt":"2020-10-27T18:21:49","slug":"pontos-quentes-para-conservacao-o-que-sao-os-hotspots","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1160","title":{"rendered":"Pontos quentes para conserva\u00e7\u00e3o? O que s\u00e3o os hotspots?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entende-se por hotspots (pontos quentes) \u00e1reas naturais com prioridade em se conservar a n\u00edveis globais em virtude de elevada diversidade biol\u00f3gica, mas que grande parte de sua extens\u00e3o (mais de 70%) tenha desaparecido ou passa por degrada\u00e7\u00e3o intensiva. O conceito surgiu diante de um questionamento recorrente entre ec\u00f3logos: dentre todas as \u00e1reas nativas do mundo, quais possuem proeminente diversidade em risco de desaparecimento e que necessitam de urgente prote\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"201\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-27-151739.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1161\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-27-151739.png 350w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-27-151739-300x172.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption>Mata Atl\u00e2ntica, Hotspots que ocupa o primeiro lugar em urg\u00eancia para se conservar no planeta.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A express\u00e3o hotspots foi empregada no ramo da biodiversidade em 1988 pelo ec\u00f3logo ingl\u00eas Norman Myers, no entanto, n\u00e3o existiam indicadores quantitativos para tal defini\u00e7\u00e3o. Contudo, a partir de 1996, uma regi\u00e3o deveria abrigar pelo menos 1.500 esp\u00e9cies vasculares end\u00eamicas, ou seja, exclusivas do local, al\u00e9m de ter 75% de sua vegeta\u00e7\u00e3o inicial derrubada para ser considerada hotspot.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na atualidade existem 35 hotspots, os quais denotam uma riqueza de 77% de todos os animais terrestres, sendo que mais de 40% s\u00e3o end\u00eamicos e abrigam quase 50% de toda a diversidade da flora existente num espa\u00e7o que corresponde a 2,3% do territ\u00f3rio mundial. Logo, se todos estes locais fossem destru\u00eddos, a humanidade perderia mais de 75% das esp\u00e9cies de r\u00e9pteis, aves, mam\u00edferos e anf\u00edbios e praticamente 25% da riqueza vegetal global. N\u00e3o obstante, o exterm\u00ednio de somente uma dessas \u00e1reas seria uma perda inestim\u00e1vel, dado que todos os hotspots possuem biodiversidade \u00fanica. Isso causaria uma cat\u00e1strofe em todos os seguimentos da vida, j\u00e1 que se perderia o avan\u00e7o em todas as ci\u00eancias, como por exemplo, potencialidades para a cura de doen\u00e7as como AIDS e c\u00e2ncer, alimentos ainda n\u00e3o descobertos e a liga\u00e7\u00e3o com a cultura e hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es. No Brasil existem dois hotspots, a Mata Atl\u00e2ntica e o Cerrado. A Mata Atl\u00e2ntica foi o primeiro a sofrer modifica\u00e7\u00f5es humanas, j\u00e1 que se concentra no litoral, local de chegada e coloniza\u00e7\u00e3o inicial dos Portugueses. A sua urbaniza\u00e7\u00e3o foi intensa ao ponto de se desenvolver os centros mais populosos da Am\u00e9rica do Sul (Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo), ocupando boa parte de sua por\u00e7\u00e3o. Este processo fez com que uma extens\u00e3o natural de 1.200.000 km\u00b2 fosse reduzida para menos de 60.000 km\u00b2 (5%). Ressalta- -se que a maior parte deste total remanescente (4,1%) se encontra protegido por lei em unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Este hotspot guarda 20.000 esp\u00e9cies vegetais vasculares catalogadas, sendo 8.000 de ocorr\u00eancia exclusiva. A fauna tamb\u00e9m \u00e9 valiosa, 1.020 esp\u00e9cies de aves, 340 anf\u00edbios, 261 mam\u00edferos e 197 esp\u00e9cies de r\u00e9pteis. Por essa raz\u00e3o, dentre todos os hotspots, este \u00e9 o mais criticamente amea\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocupando um territ\u00f3rio original de 2.000.000 km\u00b2, detendo 5% das esp\u00e9cies mundiais e 30% da biodiversidade brasileira, o Cerrado \u00e9 outro importante hotspot nacional. Diferente da Mata Atl\u00e2ntica, est\u00e1 situado em meio ao continente, predominantemente no Brasil Central. No s\u00e9culo XVIII se iniciavam os primeiros esfor\u00e7os de melhoria de infraestrutura, industrializa\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o na pesquisa agropecu\u00e1ria e de solos nesta localidade, culminando num importante polo do agroneg\u00f3cio do pa\u00eds. Contudo, este crescimento gerou a derrubada de mais de 55% de sua cobertura prim\u00e1ria. O dom\u00ednio ret\u00e9m aproximadamente 12.000 esp\u00e9cies de plantas sendo 4.000 end\u00eamicas. Al\u00e9m disso, abriga 837 esp\u00e9cies de aves, 199 mam\u00edferos, 150 anf\u00edbios e 120 esp\u00e9cies de r\u00e9pteis. Estes n\u00fameros fizeram com que o Cerrado brasileiro fosse eleito a savana neotropical mais rica de todas as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"344\" height=\"183\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-27-152123.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1164\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-27-152123.png 344w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-27-152123-300x160.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 344px) 100vw, 344px\" \/><figcaption>Cerrado, Hotspots eleito a savana mais rica do planeta.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de tamanha import\u00e2ncia, menos de 3% da \u00e1rea remanescente se encontra protegido na forma de unidades de conserva\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral. A press\u00e3o exercida pelo crescimento populacional descontrolado sem se preocupar com o meio ambiente trouxe enormes preju\u00edzos para biodiversidade do planeta. Atrav\u00e9s da consci\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o destas \u00e1reas foram propostos os hotspots ecol\u00f3gicos e alguns poucos instrumentos protetores de \u00e1reas estrat\u00e9gicas para conserva\u00e7\u00e3o. No entanto, muito ainda deve ser feito, bem como cria\u00e7\u00e3o de leis, parques e principalmente a conscientiza\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o dos recursos naturais serem finitos. O Brasil possui a flora mais rica do planeta. Sua conserva\u00e7\u00e3o, permitir\u00e1 mais pesquisas cient\u00edficas e o uso racional da biodiversidade, trazendo novas perspectivas e levar\u00e1 o pa\u00eds ao avan\u00e7o rumo \u00e0 Bioeconomia. Vamos conservar esses bens naturais da biodiversidade!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M\u00e1rcio Ven\u00edcius Barbosa Xavier<\/strong> Graduando em Engenharia Florestal Universidade Federal de Minas Gerais \u2013 UFMG Instituto de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias Montes Claros, MG, Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entende-se por hotspots (pontos quentes) \u00e1reas naturais com prioridade em se conservar a n\u00edveis globais em virtude de elevada diversidade biol\u00f3gica, mas que grande parte de sua extens\u00e3o (mais de 70%) tenha desaparecido ou passa por degrada\u00e7\u00e3o intensiva. O conceito surgiu diante de um questionamento recorrente entre ec\u00f3logos: dentre todas as \u00e1reas nativas do mundo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":945,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[502],"tags":[15,24,86,41,283],"class_list":["post-1160","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume-9","tag-bioma","tag-conservacao","tag-desmatamento","tag-hotspots","tag-mata-atlantica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/945"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1160"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1160\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1165,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1160\/revisions\/1165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}