{"id":1182,"date":"2020-10-28T14:58:08","date_gmt":"2020-10-28T17:58:08","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1182"},"modified":"2020-10-28T14:58:08","modified_gmt":"2020-10-28T17:58:08","slug":"nem-tudo-e-o-que-parece-ser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1182","title":{"rendered":"Nem tudo \u00e9 o que parece ser!"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No s\u00e9culo passado, Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica travaram uma disputa pol\u00edtica e econ\u00f4mica pela conquista do poder, o que levou essas pot\u00eancias a usarem diversas t\u00e1ticas de guerra. Uma delas foi o uso de espi\u00f5es que tinham a capacidade de se infiltrar e ganhar a confian\u00e7a dos inimigos em territ\u00f3rio advers\u00e1rio para obter informa\u00e7\u00f5es confidenciais que poderiam trazer alguma vantagem para seu pa\u00eds de origem. Diversos filmes retratam esse per\u00edodo, mas n\u00e3o precisamos ficar apenas na TV! No mundo animal h\u00e1 diversos exemplos como esse, basta apenas olharmos para a natureza!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"199\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-28-145703.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1183\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-28-145703.png 350w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Captura-de-tela-2020-10-28-145703-300x171.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir disso, podemos citar o caso de algumas borboletas, sapos, cobras e diversos outros animais que, por meio do processo de sele\u00e7\u00e3o natural ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, acabaram por adquirir caracter\u00edsticas similares \u00e0s de outras esp\u00e9cies, o que conferiu algumas vantagens para viver nos habitats em que est\u00e3o inseridos. Essa t\u00e1tica pode conferir uma maior chance de sobreviv\u00eancia no mundo animal e recebe o nome de mimetismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem alguns tipos distintos de mimetismo, mas abordaremos aqui apenas o conceito introduzido pelo naturalista ingl\u00eas Henry Walter Bates e que foi batizado em sua homenagem de mimetismo Bartesiano. Ele ocorre quando uma esp\u00e9cie exibe as caracter\u00edsticas f\u00edsicas de outras esp\u00e9cies, como o padr\u00e3o de cor, mas n\u00e3o necessariamente possui sua verdadeira nocividade. Ou seja, o organismo modelo (aquele que \u00e9 copiado) \u00e9 o que apresenta perigo, enquanto o m\u00edmico (aquele que copia) apenas utiliza dessas caracter\u00edsticas como forma de defesa contra potenciais predadores. Para fixar melhor esse conceito, utilizaremos as cobras corais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo muito interessante de mimetismo \u00e9 o das cobras-coral, da ordem Squamata. Quando falamos em cobras-coral estamos abordando tanto as falsas-corais quanto as corais verdadeiras. O que chamamos de falsas-corais s\u00e3o diversas esp\u00e9cies pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Colubridae e que \u201cimitam\u201d as corais verdadeiras, pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Elapidae.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As corais verdadeiras s\u00e3o pe\u00e7onhentas, donas de um dos venenos mais potentes entre as cobras da Am\u00e9rica. S\u00e3o bastante conhecidas pelas cores fortes, geralmente preto, amarelo e vermelho, que s\u00e3o percebidas por poss\u00edveis predadores (especialmente as aves) como indica\u00e7\u00e3o de perigo. J\u00e1 as falsas-corais n\u00e3o apresentam pe\u00e7onha mas possuem um padr\u00e3o de colora\u00e7\u00e3o muito similar \u00e0quele observado nas corais verdadeiras, ao ponto de ser dif\u00edcil de seu predador distinguir bem entre as duas esp\u00e9cies e preferir n\u00e3o tentar a sorte. Assim, as falsas-corais se \u201cdisfar\u00e7am\u201d de corais verdadeiras e conseguem evitar que sejam comidas, mesmo n\u00e3o apresentando real perigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O medo de ser picado ou atacado por animais pe\u00e7onhentos justifica a a\u00e7\u00e3o, muitas vezes involunt\u00e1ria, do humano de matar uma cobra no momento que a v\u00ea. Baseando nessa premissa, a Funed e a Universidade Federal de Minas Gerais lan\u00e7aram um aplicativo chamado \u201cO mundo dos venenos\u201d e \u201cCobra Coral\u201d que de forma l\u00fadica e em duas hist\u00f3rias diretas, desmistifica mitos sobre esses animais e conscientiza o que deve ser feito em diferentes situa\u00e7\u00f5es. Ademais, esse \u00faltimo aplicativo ensina como n\u00e3o especialistas podem diferenciar uma cobra coral verdadeira da falsa, evitando assim fadigas para a pessoa e o animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aline de Sousa Goes<\/strong> cursa Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c1lvaro Drumond Ara\u00fajo<\/strong> cursa Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Larissa Pinheiro Marques<\/strong> cursa Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marcos Vin\u00edcius B. Santos<\/strong> cursa Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nicolas Arthur A. Lea<\/strong>l cursa Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Samuel Alexandre P. Carvalho<\/strong> cursa Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UFMG<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No s\u00e9culo passado, Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica travaram uma disputa pol\u00edtica e econ\u00f4mica pela conquista do poder, o que levou essas pot\u00eancias a usarem diversas t\u00e1ticas de guerra. 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