{"id":1193,"date":"2020-11-22T10:16:26","date_gmt":"2020-11-22T13:16:26","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1193"},"modified":"2020-11-22T10:16:26","modified_gmt":"2020-11-22T13:16:26","slug":"quando-a-terra-quase-virou-uma-bola-de-neve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1193","title":{"rendered":"Quando a Terra quase virou uma \u201cbola de neve\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos hoje, que algumas dificuldades assolaram nossos ancestrais humanos: h\u00e1 mais ou menos 20 mil anos atr\u00e1s (o que, no tempo geol\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 muito) os humanos conviviam cotidianamente com muitas amea\u00e7as. Podemos citar os tigres-dente-de-sabre, mamutes e outros grandes animais da megafauna do Pleistoceno. Uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es era, sem d\u00favidas, o clima severo daquele per\u00edodo, tamb\u00e9m conhecido como a Era do Gelo. Esse clima sem d\u00favidas foi uma grande barreira para a vida da \u00e9poca, ali\u00e1s, nos \u00faltimos milh\u00f5es de anos, houve uma era do gelo ap\u00f3s a outra, algumas destas atingiram todo o hemisf\u00e9rio norte (Am\u00e9rica do Norte e Europa).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais dr\u00e1stico que este clima pare\u00e7a, alguns microorganismos passaram por climas ainda piores, como um congelamento total do planeta. Temos registros de dois congelamentos totais da Terra, sendo um deles h\u00e1 cerca de 2,4 bilh\u00f5es de anos e o outro h\u00e1 cerca de 600 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, que de fato refletiu sobre a biodiversidade no planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes do surgimento da vida animal e dos organismos maiores que j\u00e1 ouvimos falar, houve um per\u00edodo conhecido como Neoproteroz\u00f3ico em que o clima frio foi t\u00e3o intenso que mesmo os tr\u00f3picos congelaram. Imagine: toda a Terra congelada (lembre-se que nas eras do gelo mais recentes, apenas o hemisf\u00e9rio norte congelou), pairando pelo espa\u00e7o por um per\u00edodo de, no m\u00ednimo, 10 milh\u00f5es de anos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar desse frio intenso e duradouro, \u00e9 importante ressaltar que o calor do magma proveniente do n\u00facleo da Terra impediu o congelamento da terra at\u00e9 o fundo dos oceanos, ou seja, apenas a superf\u00edcie congelou. A espessura estimada do gelo era de 1Km e uma temperatura de cerca de -50\u00baC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio \u00e0 esse pesadelo congelante, ainda haviam vulc\u00f5es liberando magma do centro da Terra, aos poucos isso aumentaria o calor do planeta por causa da libera\u00e7\u00e3o de uma mol\u00e9cula: o di\u00f3xido de carbono. Como sabemos, o CO2 emitido atualmente por n\u00f3s atrav\u00e9s da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, \u00e9 o maior respons\u00e1vel pelo efeito estufa atual, que agrava o aquecimento global, e naquele tempo, n\u00e3o foi diferente. O CO2 dos vulc\u00f5es foi ent\u00e3o respons\u00e1vel por reaquecer o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que o derretimento do gelo tenha sido \u201cr\u00e1pido\u201d, levando apenas algumas centenas de anos, o grande ac\u00famulo de CO2 na atmosfera levou \u00e0 um efeito estufa brutal que assolou o planeta. Todos esses aqueles organismos microsc\u00f3picos que foram capazes de suportar o frio intenso, agora tamb\u00e9m precisariam suportar um enorme efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo v\u00e1rios estudos cient\u00edficos, essas mudan\u00e7as muito dr\u00e1sticas na temperatura da Terra, ocorreram quatro vezes entre 750 milh\u00f5es e 580 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. \u00c9 fato que o clima na Terra nunca foi t\u00e3o severo quanto nesses eventos de \u201cTerra bola de neve\u201d. Mudan\u00e7as severas deste tipo j\u00e1 s\u00e3o conhecidas em outros planetas, como V\u00eanus, n\u00e3o sendo uma exclusividade nossa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda existem muitas quest\u00f5es a serem respondidas pela ci\u00eancia e o processo de aceite de todos esses estudos \u00e9 lento mesmo dentro da comunidade cient\u00edfica. Ge\u00f3logos, bi\u00f3logos, paleont\u00f3logos e climat\u00f3logos continuam \u00e0 realizar diversos estudos para dar mais embasamento \u00e0s teorias da \u201cTerra Bola-de-neve\u201d e entender sua influ\u00eancia para a diversifica\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o da vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gabriella Katlheen Leles<\/strong> \u00e9 aluna de Biologia na Universidade Federal de Vi\u00e7osa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fonte:<\/strong> Hoff man PF &amp; Schrag DP (2000) Snowball Earth. Scientifi c American, 282(1), 68\u201375. doi:10.1038\/ scientifi camerican0100-68.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabemos hoje, que algumas dificuldades assolaram nossos ancestrais humanos: h\u00e1 mais ou menos 20 mil anos atr\u00e1s (o que, no tempo geol\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 muito) os humanos conviviam cotidianamente com muitas amea\u00e7as. 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