{"id":1195,"date":"2020-11-22T10:25:58","date_gmt":"2020-11-22T13:25:58","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1195"},"modified":"2020-11-22T10:27:58","modified_gmt":"2020-11-22T13:27:58","slug":"a-biota-de-ediacara-organismos-diferentes-de-tudo-que-conhecemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1195","title":{"rendered":"A biota de Ediacara: organismos diferentes de tudo que conhecemos"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"430\" height=\"292\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Captura-de-tela-2020-11-22-102231.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1196\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Captura-de-tela-2020-11-22-102231.png 430w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Captura-de-tela-2020-11-22-102231-300x204.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O planeta terra \u00e9 cheio de formas de vida adaptadas a quase todos os ambientes e modos de sobreviv\u00eancia. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de agora, afinal, a vida apareceu pela primeira vez na Terra h\u00e1 pelo menos 3,5 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, onde era predominantemente microsc\u00f3pica durante os primeiros 3 bilh\u00f5es de anos mas segue sobrevivendo desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 cerca de 575 Milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, no final do Proteroz\u00f3ico, surgiram no planeta grandes organismos com formatos complexos totalmente diferentes dos que existem hoje, com formato de discos, tubos e at\u00e9 folhas. Esse grande grupo de organismos chamados de biota ediacariana, j\u00e1 foi considerado como sendo de \u00e1guas-vivas, vermes marinhos, artr\u00f3podes, fungos e at\u00e9 plantas. Alguns paleontologistas sugerem que estes organismos representam linhagens completamente extintas que n\u00e3o se assemelham a nenhum ser vivo atual, onde poderia at\u00e9 ser pertencer a reinos extintos diferentes dos atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os f\u00f3sseis ediacarianos, assim chamados, pois foram encontrados pela primeira vez numa regi\u00e3o da Ediacara na Austr\u00e1lia, eram mais semelhantes entre si do que com qualquer outro animal vivo da hist\u00f3ria. Suas caracter\u00edsticas indicam que a maioria desses organismos estava fixa no fundo do mar, com alguns m\u00f3veis pelo oceano onde se alimentavam de material em suspens\u00e3o na \u00e1gua. Mais ou menos como as esponjas e outros filtradores marinhos fazem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os f\u00f3sseis de Ediacara apresentavam quase que exclusivamente organismos de corpo mole, sendo criaturas delicadas que foram preservadas sob (ou raramente dentro de) leitos de areia ou cinzas vulc\u00e2nicas. Geralmente esses f\u00f3sseis exibem alto relevo e carece de carboniza\u00e7\u00e3o ou mineraliza\u00e7\u00e3o, o que indica que eram organismos de corpo mole, por\u00e9m, extremamente r\u00edgidos. Suas impress\u00f5es f\u00f3sseis eram deixadas quando as cinzas vulc\u00e2nicas ou sedimentos depositados por tempestades cobriam instantaneamente os organismos e col\u00f4nias, onde ficavam aprisionados contra a lama ou tapetes microbianos, deixando assim camadas de marcas conservadas entre as eras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Ediacarianos eram muito diversos e foram agrupados em tr\u00eas tipos principais de acordo com o nome de onde eram encontrados. Algumas superf\u00edcies f\u00f3sseis ediacaranas possu\u00edam densidades de 3.000 a 4.000 indiv\u00edduos por metro quadrado, compar\u00e1veis aos ecossistemas marinhos modernos mais produtivos atualmente. Esses grupos eram: Avalon, o mais antigo, encontrado apenas em ambientes vulc\u00e2nicos e de \u00e1guas muito profundas; Mar Branco, que viviam em ambientes de \u00e1guas pouco profundas; e Nama que viviam em ambos ambientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A biota Ediacara desapareceu de repente h\u00e1 542 milh\u00f5es de anos, provavelmente como consequ\u00eancia de uma extin\u00e7\u00e3o em massa. Essa extin\u00e7\u00e3o pode ter ocorrido devido ao surgimento de predadores, j\u00e1 que a maioria dos organismos era im\u00f3vel e sem esqueleto onde eram facilmente predados, ou pela mudan\u00e7a de condi\u00e7\u00f5es do planeta, onde suas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiram se adaptar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que pode ter acontecido com esse grupo t\u00e3o diverso de organismos, envolto em mist\u00e9rios, desde sua ascens\u00e3o at\u00e9 sua queda na hist\u00f3ria da vida? Esse \u00e9 um grande mist\u00e9rio para os paleont\u00f3logos, j\u00e1 que as comunidades f\u00f3sseis primitivas desapareceram do registro no final do Proteroz\u00f3ico, onde a biota Cambriana, totalmente nova, substituiu completamente os organismos de Ediacara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nikolas Daves dos Santos <\/strong>cursa Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na Universidade Federal de Vi\u00e7osa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong>: NARBONNE, Guy M. The Ediacara biota: Neoproterozoic origin of animals and their ecosystems. Annu. Rev. Earth Planet. Sci., v. 33, p. 421-442, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O planeta terra \u00e9 cheio de formas de vida adaptadas a quase todos os ambientes e modos de sobreviv\u00eancia. 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