{"id":1220,"date":"2020-11-23T09:42:12","date_gmt":"2020-11-23T12:42:12","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1220"},"modified":"2020-11-23T09:42:12","modified_gmt":"2020-11-23T12:42:12","slug":"monotrematas-animais-chocantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1220","title":{"rendered":"Monotrematas: animais chocantes"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"345\" height=\"216\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Captura-de-tela-2020-11-23-093909.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1221\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Captura-de-tela-2020-11-23-093909.png 345w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Captura-de-tela-2020-11-23-093909-300x188.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o naturalista de ornitorrincos, representantes dos monotrematas. Duck Billed Platypus Schnabeltier (Heinrich Harder, 1916).<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os animais conhecidos como monotremados, fazem parte da subclasse Prototheria, que possui apenas tr\u00eas esp\u00e9cies viventes: duas representadas pelos ornitorrincos e uma esp\u00e9cie de \u00e9quidna, com ocorr\u00eancia na Oceania. S\u00e3o animais com caracter\u00edsticas consideradas ancestrais, compartilhadas com r\u00e9pteis e mam\u00edferos da subclasse Theria. Os monotremados p\u00f5em ovos e possuem um tipo de cloaca, ou seja, uma abertura na qual desembocam os sistemas digest\u00f3rio, excretor e reprodutor, assim como os r\u00e9pteis. Em comum aos mam\u00edferos, possuem pelos, gl\u00e2ndulas mam\u00e1rias e s\u00e3o endot\u00e9rmicos (produzem seu pr\u00f3prio calor para se aquecerem atrav\u00e9s do seu metabolismo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os ornitorrincos chamam muita aten\u00e7\u00e3o pela sua apar\u00eancia peculiar, pois possuem pelos e um bico cori\u00e1ceo que lembra o dos patos. Suas patas e rabo s\u00e3o achatados e auxiliam na nata\u00e7\u00e3o. J\u00e1 as \u00e9quidnas possuem espinhos nas costas para defesa, patas com garras para cavar e um bico comprido para obten\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os monotrematas, animais t\u00e3o particulares, eram os \u00fanicos mam\u00edferos conhecidos com a capacidade de perceber impulsos el\u00e9tricos no ambiente, ou seja, possuem capacidade eletrorreceptora. Atualmente, por\u00e9m, foi descoberto que um golfinho da Guiana tamb\u00e9m possui essa capacidade. As estruturas respons\u00e1veis pela eletrorrecep\u00e7\u00e3o nesses animais s\u00e3o gl\u00e2ndulas mucosas especializadas, com grande inerva\u00e7\u00e3o e uma por\u00e7\u00e3o que se expande acima da pele. Para percep\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, os ornitorrincos possuem cerca de 40.000 gl\u00e2ndulas mucosas altamente inervadas na por\u00e7\u00e3o superior e inferior do seu bico. Nas equidnas h\u00e1 apenas cerca de 100 dessas gl\u00e2ndulas na ponta de seu bico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses sensores foram primeiramente descobertos nos ornitorrincos, pois se procurava entender como esses animais capturam as presas. Ornitorrincos possuem um h\u00e1bito aqu\u00e1tico e quando entram na \u00e1gua para forrageio, seus olhos, ouvidos e narinas ficam protegidos por uma estrutura membranosa que os deixam cegos e surdos bem debaixo d\u2019\u00e1gua. \u00c9 a percep\u00e7\u00e3o el\u00e9trica que permite que eles detectem suas presas, com bastante precis\u00e3o, atrav\u00e9s do campo el\u00e9trico que elas produzem com suas contra\u00e7\u00f5es musculares enquanto se deslocam pela \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a descoberta do eletrorreceptor dos ornitorrincos, os cientistas se perguntaram se todos os representantes dos monotremados possu\u00edam essa capacidade ou se era exclusivo dos ornitorrincos, j\u00e1 que era mais f\u00e1cil imaginar o sentido de um eletrorreceptor em um animal aqu\u00e1tico do que em um animal terrestre como as \u00e9quidnas. Depois disso, foi descoberto que cerca de \u00bc das gl\u00e2ndulas mucosas do bico das equidnas possuem inerva\u00e7\u00f5es sensoriais, mas ainda n\u00e3o se sabe o papel deste sensor em suas atividades de forrageio. \u00c9 interessante destacar que as \u00e9quidnas t\u00eam uma habilidade incomum para detectar presas, quando o solo est\u00e1 \u00famido e logo ap\u00f3s uma chuva, elas se tornam mais ativas que o comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, percebe-se a import\u00e2ncia de mais estudos sobre esses animais t\u00e3o diferentes, principalmente das \u00e9quidnas, pois ainda n\u00e3o se sabe ao certo se \u00e9 uma estrutura vestigial ou se possui, de fato, alguma fun\u00e7\u00e3o e vantagem em seu comportamento de captura de presas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gabriella Katlheen Leles<\/strong> \u00e9 Bi\u00f3loga formada pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fonte:<\/strong> Electroreception in the Guiana dolphin (Sotalia guianensis). Proc. R. Soc. B (2012) 279,<br>663\u2013668. (doi:10.1098\/ rspb.2011.1127)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Sensory receptors in monotremes. Phil. Trans. R. Soc. Lond. B (1998) 353, 1187\u20131198.(doi:10.1098\/ rstb.1998.0275)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os animais conhecidos como monotremados, fazem parte da subclasse Prototheria, que possui apenas tr\u00eas esp\u00e9cies viventes: duas representadas pelos ornitorrincos e uma esp\u00e9cie de \u00e9quidna, com ocorr\u00eancia na Oceania. S\u00e3o animais com caracter\u00edsticas consideradas ancestrais, compartilhadas com r\u00e9pteis e mam\u00edferos da subclasse Theria. 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