{"id":1448,"date":"2022-07-19T19:39:07","date_gmt":"2022-07-19T22:39:07","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1448"},"modified":"2022-07-23T10:53:05","modified_gmt":"2022-07-23T13:53:05","slug":"cromossomo-y-como-ele-surgiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1448","title":{"rendered":"Cromossomo Y, como ele surgiu?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">Provavelmente voc\u00ea j\u00e1 estudou ou ouviu falar sobre cromossomos\u00b9 sexuais e sabe que eles s\u00e3o os respons\u00e1veis por determinar o sexo de um indiv\u00edduo. Os seres humanos e mam\u00edferos em geral apresentam o que chamamos de sistema sexual XX\/XY, onde a f\u00eamea possui as duas c\u00f3pias do cromossomo X, sendo classificada como homogam\u00e9tica (em grego, homo=igual) e o macho possui uma c\u00f3pia do X e outra do Y, sendo assim heterogam\u00e9tico (em grego, hetero=diferente).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que diferencia o Y do X? Como o Y \u00e9 respons\u00e1vel por determinar o sexo masculino?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o as suas diferen\u00e7as \u00e9 poss\u00edvel identificar que o cromossomo Y possui um gene\u00b2 exclusivo chamado SRY, situado em uma regi\u00e3o respons\u00e1vel pelas caracter\u00edsticas masculinas e diferencia\u00e7\u00e3o do sexo. Por\u00e9m, o Y tamb\u00e9m possui uma regi\u00e3o chamada Regi\u00e3o Pseudoautossomal, e esta se encontra em homologia\u00b3 com o X, o que nos indica que o Y provavelmente surgiu do cromossomo X.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o como surgiu o Y? E por que o X n\u00e3o possui o gene SRY?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que h\u00e1 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s n\u00e3o existiam cromossomos sexuais em mam\u00edferos e esse grupo apresentava somente cromossomos autossomos\u2074. Um desses pares hom\u00f3logos de cromossomos autossomos apresentava um gene chamado S0X3 e em determinado momento na hist\u00f3ria evolutiva houve um evento de quebra sobre esse par. Em fun\u00e7\u00e3o disso o gene S0X3 se fusionou com outro gene que era respons\u00e1vel pela express\u00e3o bipotencial das g\u00f4nadas\u2075, surgindo assim o gene SRY com sua nova fun\u00e7\u00e3o de determina\u00e7\u00e3o dos test\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anos mais tarde, o cromossomo Y acabou sofrendo invers\u00f5es, processo em que parte do cromossomo se separa e se reorganiza de forma invertida, o que fez com que ele parasse<br>de se recombinar com o X e, assim, evolu\u00edsse de forma independente. Por\u00e9m uma pequena parcela desse cromossomo Y ainda se recombinava com o X, surgindo ent\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o pseudoautossomal. Devido a essa evolu\u00e7\u00e3o independente, o cromossomo Y acabou sofrendo outros eventos, como a perda de seu material gen\u00e9tico, ficando assim menor que o X, caracter\u00edstica pela qual o reconhecemos hoje. Essa perda do seu material gen\u00e9tico fez com que ele se especializasse somente na determina\u00e7\u00e3o do sexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente uma primeira teoria fez-se acreditar que esse evento do surgimento do Y aconteceu somente uma vez na hist\u00f3ria evolutiva dos mam\u00edferos. Mas, estudos recentes mostram que o cromossomo sexual Y surgiu de forma independente na subclasse Theria (mam\u00edferos placent\u00e1rios e marsupiais) e em Prototheria (mam\u00edferos que colocam ovos, como os ornitorrincos, por exemplo). Ou seja, o Y apareceu duas vezes de forma independente na hist\u00f3ria evolutiva dos mam\u00edferos. Isso foi descoberto gra\u00e7as \u00e0s pesquisas que perceberam que os Prototheria possuem um gene AMH para a determina\u00e7\u00e3o sexual ao inv\u00e9s do gene SRY presentes no grupo dos marsupiais e placent\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo, acredita-se que o cromossomo Y tenha surgido h\u00e1 180 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s em Theria com seu gene SRY e h\u00e1 170 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s em Prototheria, com seu gene AMH, e desde ent\u00e3o prevaleceu no reino animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gloss\u00e1rio:<\/strong><br><strong>Cromossomo\u00b9<\/strong>: Estrutura altamente organizada de uma c\u00e9lula, que cont\u00e9m o material gen\u00e9tico de um organismo;<br><strong>Gene\u00b2<\/strong>: uma sequ\u00eancia espec\u00edfica do DNA que cont\u00e9m as instru\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a s\u00edntese de uma prote\u00edna ou mol\u00e9cula de RNA.<br><strong>Homologia\u00b3<\/strong>: estruturas biol\u00f3gicas que podem apresentam diferentes fun\u00e7\u00f5es, por\u00e9m possuem origem embrion\u00e1ria semelhantes. ex: Nadadeiras anteriores de baleias e bra\u00e7os de seres humanos s\u00e3o estruturas hom\u00f3logas;<br><strong>Cromossomos autossomos\u2074<\/strong>: Cromossomo que n\u00e3o est\u00e3o ligados ao sexo e fazem parte do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico da esp\u00e9cie, junto com os cromossomas sexuais. ex: O ser humano possui 44 autossomos que formam 22 pares de cromossomas e mais um par de cromossomos sexuais.<br><strong>G\u00f4nodas\u2075<\/strong>: designa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica das gl\u00e2ndulas sexuais (ov\u00e1rio e test\u00edculo) que produzem os gametas (\u00f3vulos e espermatozoides).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">   <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"623\" height=\"508\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1451\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image.png 623w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image-300x245.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image-368x300.png 368w\" sizes=\"auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Graves, Jennifer AM. &#8220;Did sex chromosome turnover promote divergence of the major mammal groups? De novo sex chromosomes and drastic rearrangements may have posed reproductive barriers between monotremes, marsupials and placental mammals.&#8221; <em>Bioessays<\/em> 38.8 (2016): 734-743.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Priscila Martins de Assis<\/strong> \u00e9 graduanda em Ci\u00eancias biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; Campus Rio Parana\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Provavelmente voc\u00ea j\u00e1 estudou ou ouviu falar sobre cromossomos\u00b9 sexuais e sabe que eles s\u00e3o os respons\u00e1veis por determinar o sexo de um indiv\u00edduo. 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