{"id":1537,"date":"2022-09-28T20:23:51","date_gmt":"2022-09-28T23:23:51","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1537"},"modified":"2022-12-15T10:07:46","modified_gmt":"2022-12-15T13:07:46","slug":"o-surgimento-dos-plastideos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=1537","title":{"rendered":"O surgimento dos plast\u00eddeos"},"content":{"rendered":"\n<p>Plast\u00eddeos s\u00e3o organelas fotossint\u00e9ticas encontradas em diversos organismos, o tipo que voc\u00ea deve conhecer melhor \u00e9 o cloroplasto. Mas j\u00e1 que essas organelas s\u00e3o t\u00e3o distribu\u00eddas entre diferentes formas de vida, ser\u00e1 que elas s\u00e3o um sinal de ancestralidade comum entre esses seres ou foram compartilhadas de outro modo? Acontece que os plast\u00eddeos se originaram de um processo de endossimbiose, um tipo de rela\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica em que um organismo vive dentro de outro, sendo que ambos colaboram para que essa rela\u00e7\u00e3o d\u00ea certo. Isso quer dizer que, em algum momento, uma c\u00e9lula fotossint\u00e9tica estranha foi englobada por um protista unicelular que a reteve em seu interior sem digeri-la, sendo que, com o tempo, essa c\u00e9lula estranha foi reduzida a uma organela e passou a ser transmitidas para as gera\u00e7\u00f5es seguintes. Essa teoria da endossimbiose \u00e9 a mesma considerada para a origem das mitoc\u00f4ndrias, com a exce\u00e7\u00e3o de que as mitoc\u00f4ndrias eram procariontes aer\u00f3bios e n\u00e3o fotossintetizantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem diferentes tipos de plast\u00eddeos, podendo eles terem de 2 a 4 membranas. Mas o que explicaria essa varia\u00e7\u00e3o? A resposta para isso \u00e9 que houve mais do que um evento de endossimbiose. Ao longo da evolu\u00e7\u00e3o houveram tr\u00eas tipos principais, sendo eles endossimbiose prim\u00e1ria, secund\u00e1ria e terci\u00e1ria. A partir da endossimbiose prim\u00e1ria, foi originado um organismo &#8211; vamos cham\u00e1-lo de protoalga &#8211; , com um plast\u00eddeo contendo 2 membranas, sendo que elas j\u00e1 pertenciam ao microrganismo englobado (provavelmente uma cianobact\u00e9ria). A terceira membrana, que seria a membrana fagoss\u00f4mica da c\u00e9lula \u201chospedeira\u201d prim\u00e1ria, foi perdida.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na endossimbiose secund\u00e1ria, um protista teria englobado uma alga existente que possu\u00eda esse plast\u00eddeo com 2 membranas, originando plast\u00eddeos secund\u00e1rios com 3 e 4 membranas, onde a terceira \u00e9 considerada a membrana celular da alga que foi envolvida e a quarta a membrana fagoss\u00f4mica dessa nova c\u00e9lula hospedeira, sendo que esta \u00faltima foi perdida em alguns grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na endossimbiose terci\u00e1ria, houve o englobamento de uma alga com plast\u00eddeo secund\u00e1rio com 3 membranas, sendo que as 2 novas que seriam acrescentadas seguindo o mesmo esquema da endossimbiose anterior foram perdidas e o plast\u00eddeo continuou com 3 membranas, mas agora chamado de plast\u00eddio terci\u00e1rio de substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender melhor como aconteceram esses eventos, basta pensar nas bonecas russas como modelo, onde uma boneca \u00e9 colocada dentro da outra, e a cada nova boneca adicionada por fora significaria um evento de simbiose. O interessante \u00e9 que nesses eventos foram transferidas muito mais coisas do que apenas a capacidade de fazer fotoss\u00edntese, uma vez que foi poss\u00edvel a transfer\u00eancia de genes dos organismos englobados para o genoma dos hospedeiros. No artigo \u201cPhotosynthetic eukaryotes unite: endosymbiosis connects the dots\u201d, publicado em <\/p>\n\n\n\n<p>2003 na BioEssays, os autores destacam uma importante marca deixada no reino Plantae pela endossimbiose, dado que uma an\u00e1lise do genoma nuclear completo de Arabidopsis sugeriu que at\u00e9 18% de seus genes, muitos sem fun\u00e7\u00e3o fotossint\u00e9tica e inclusive genes de resist\u00eancia a doen\u00e7as, se originaram de cianobact\u00e9ria e foram adquiridos por meio da transfer\u00eancia de genes endossimbi\u00f3ticos. Sendo assim, esses eventos de endossimbiose foram de extrema import\u00e2ncia tanto para a evolu\u00e7\u00e3o inicial das algas, transferindo novos genes que trouxeram adapta\u00e7\u00f5es e vantagens para sua sobreviv\u00eancia, como tamb\u00e9m para a evolu\u00e7\u00e3o das plantas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image-6.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image-6-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1538\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image-6-1024x576.png 1024w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image-6-300x169.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image-6-768x432.png 768w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image-6-500x281.png 500w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image-6.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Samyra St\u00e9phane Neves Pereira<\/strong> \u00e9 graduanda em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; Campus Rio Parana\u00edba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Plast\u00eddeos s\u00e3o organelas fotossint\u00e9ticas encontradas em diversos organismos, o tipo que voc\u00ea deve conhecer melhor \u00e9 o cloroplasto. 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