{"id":2008,"date":"2023-08-16T18:05:00","date_gmt":"2023-08-16T21:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2008"},"modified":"2023-08-17T11:54:49","modified_gmt":"2023-08-17T14:54:49","slug":"as-modificacoes-o-ultimo-par-de-pernas-das-scolopendridae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2008","title":{"rendered":"As modifica\u00e7\u00f5es o \u00faltimo par de pernas das Scolopendridae"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As press\u00f5es evolutivas transformaram as pernas de diversos t\u00e1xons dos artr\u00f3podes, levando ao surgimento das mais diversas modifica\u00e7\u00f5es, inclusive nos Myriapoda, os famosos seres com elevado n\u00fameros de pernas. Apesar de n\u00e3o parecerem especiais, os artr\u00f3podes t\u00eam diversas especializa\u00e7\u00f5es nos Chilopoda, animais popularmente conhecidos como lacraias. Uma das modifica\u00e7\u00f5es mais conhecidas das lacraias \u00e9 a exapta\u00e7\u00e3o<sup>1<\/sup> das pernas anteriores em forc\u00edpulas<sup>2<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00faltimos pares de pernas tamb\u00e9m possuem uma diversidade morfol\u00f3gica ampla e com v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es diferentes. Algumas observa\u00e7\u00f5es feitas em campo j\u00e1 mostraram que uma das fun\u00e7\u00f5es \u00e9 a ancoragem. Al\u00e9m disso, os \u00faltimos pares de pernas podem tamb\u00e9m auxiliar as pernas locomotoras na ca\u00e7a de morcegos em cavernas, que \u00e9 o ambiente do qual muitas esp\u00e9cies preferem. Algumas lacraias, como a <em>S. spinosissima,<\/em> quando se sentem amea\u00e7adas arqueiam e movimentam o \u00faltimo par de pernas para afugentar poss\u00edveis predadores. H\u00e1 tamb\u00e9m as que possuem espinhos (ou espor\u00f5es) acess\u00f3rios, que podem auxiliar na prote\u00e7\u00e3o. Algumas esp\u00e9cies foram observadas apresentando o comportamento de virar as forc\u00edpulas como tamb\u00e9m o \u00faltimo par de pernas para o mesmo lado de um invasor, possibilitando assim tanto o ataque quanto a defesa, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das modifica\u00e7\u00f5es raptoriais de defesa e ataque, tamb\u00e9m podem funcionar como \u00f3rg\u00e3os sensoriais. As \u00faltimas pernas podem possuir gl\u00e2ndulas coxais<sup>3<\/sup>, que s\u00e3o quimiossensoriais e que, at\u00e9 ent\u00e3o, se tem ind\u00edcios de que possam ser usadas para comunica\u00e7\u00e3o por ferom\u00f4nios e reconhecimentos intraespec\u00edficos. Outra modifica\u00e7\u00e3o que pode ser muito interessante \u00e9 o dimorfismo sexual e uso das estruturas em comportamento de c\u00f4rte, como machos de algumas esp\u00e9cies de <em>Scolopendra <\/em>spp.<em>, <\/em>que testam a receptividade de f\u00eameas passando e sacudindo o \u00faltimo par de pernas nas antenas e cabe\u00e7a de potenciais parceiros sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, umas das fun\u00e7\u00f5es mais incr\u00edveis, \u00e9 a de produ\u00e7\u00e3o de som e autotomia<sup>4<\/sup> das esp\u00e9cies de <em>Alipes <\/em>sp.. Elas possuem a t\u00edbia e os tarsos achatados e alongados, o que permite a estridula\u00e7\u00e3o dessas partes para alertar quem est\u00e1 mexendo com elas. Quando essa estrat\u00e9gia n\u00e3o funciona muito bem, podem atacar ou autotomizar<sup>5 <\/sup>as pernas, como lagartixas que deixam a cauda para distrair os predadores. Por \u00faltimo, tem se discutido sobre o potencial de auto mimetismo<sup>6<\/sup> de algumas <em>S. heros<\/em>, a qual exibem os \u00faltimos segmentos e cabe\u00e7a com colora\u00e7\u00f5es muito parecidas, usando os \u00faltimos pares com a mesma colora\u00e7\u00e3o das antenas, que podem confundir predadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como podem ver, Scolopendridae \u00e9 uma fam\u00edlia de Chilopoda com modifica\u00e7\u00f5es para l\u00e1 de diversificadas, tanto estruturais quanto comportamentais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"806\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/16216169220_9202dbda94_h-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2009\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/frupus\/16216169220\/in\/photostream\/\">Cameroon flag tail &#8211; Alipes multicostis | The &#8220;fan-tailed&#8221; o\u2026 | Flickr<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gloss\u00e1rio:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exapta\u00e7\u00e3o<sup>1<\/sup>:<\/strong> \u00e9 quando uma adapta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica que foi selecionada para uma determinada fun\u00e7\u00e3o \u00e9 usada para uma nova fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forc\u00edpula<sup>2<\/sup>:<\/strong> ap\u00eandice raptorial com fun\u00e7\u00e3o de injetar a pe\u00e7onha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gl\u00e2ndulas coxais<sup>3<\/sup>: <\/strong>gl\u00e2ndulas da coxa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Autotomia<sup>4<\/sup>:<\/strong> \u00e9 a capacidade que alguns animais possuem de soltar partes do seu corpo em uma automutila\u00e7\u00e3o. Geralmente \u00e9 usada como meio de defesa contra a preda\u00e7\u00e3o, para distrair os predadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estridula\u00e7\u00e3o<sup>5<\/sup>:<\/strong> produ\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo agudo, estridente, vibrante, por alguns insetos por meio do atrito de duas estruturas quitinosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Auto mimetismo<sup>6<\/sup>: <\/strong>Imita\u00e7\u00e3o de uma parte do pr\u00f3prio corpo&#8230;..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rafael Pereira Paulino da Silva <\/strong>\u00e9 graduando em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; Campus Rio Parana\u00edba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As press\u00f5es evolutivas transformaram as pernas de diversos t\u00e1xons dos artr\u00f3podes, levando ao surgimento das mais diversas modifica\u00e7\u00f5es, inclusive nos Myriapoda, os famosos seres com elevado n\u00fameros de pernas. 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