{"id":2137,"date":"2023-10-18T14:46:43","date_gmt":"2023-10-18T17:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2137"},"modified":"2023-10-18T14:46:43","modified_gmt":"2023-10-18T17:46:43","slug":"a-beleza-e-a-adversidade-em-se-compreender-as-homologias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2137","title":{"rendered":"A beleza e a adversidade em se compreender as homologias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe toda uma bagagem hist\u00f3rica de estudos biol\u00f3gicos, ecol\u00f3gicos e evolutivos no que diz respeito \u00e0 como as estruturas se alteram. Cada passo ao longo dos anos, cada nova descoberta, cada nova contribui\u00e7\u00e3o de autores e autoras ao redor do mundo pintava uma nova figura no quadro do entendimento sobre como os organismos evoluem, como membros, estruturas e tecidos se alteram e sobre como nossa vis\u00e3o cient\u00edfica pode estar totalmente em desacordo com uma nova evid\u00eancia rec\u00e9m apresentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, como n\u00e3o podemos voltar no tempo e observar com nossos pr\u00f3prios olhos a mudan\u00e7a nos organismos vivos, temos que procurar m\u00e9todos atuais para explicar como foi que \u201cuma mesma parte\u201d do corpo de um ancestral em comum originou diferentes usos similares. Peguemos como analogia o exemplo dado pelo autor e pesquisador Aaron Novick em sua publica\u00e7\u00e3o de 2018 intitulada como The fine structure of \u2018homology\u2019, ou em tradu\u00e7\u00e3o livre, \u201cA fina estrutura da homologia\u201d. Novick cita em seu trabalho que tanto barbatana peitoral de um dugongo (um mam\u00edfero marinho parente do nosso peixe-boi amaz\u00f4nico), quanto o antebra\u00e7o de uma toupeira (pequenos mam\u00edferos que vivem no solo e cavam t\u00faneis para viver) e a asa de um morcego, ainda que aparentemente sejam extrema-mente diferentes e n\u00e3o relacionadas s\u00e3o, na verdade, a mesma estrutura, a mesma parte. Tratam-se de membros posteriores, ou como preferimos dizer, s\u00e3o \u201cbra\u00e7os\u201d. Ainda que eles sejam adaptados para diferentes necessidades, como nadar, cavar e voar, respectivamente, todos com-partilham a mesma origem ancestral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas afinal, o que \u00e9 homologia propriamente dita? Bom, temos uma s\u00e9rie de pessoas que buscaram definir isso ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo. Por exemplo, num dos conceitos mais recentes, proposto pelo bi\u00f3logo evolucionista austr\u00edaco G\u00fcnter P. Wagner, duas ou mais partes s\u00e3o hom\u00f3logas se elas compartilham restri\u00e7\u00f5es de desenvolvimento historicamente adquiridas e geneticamente reguladas. Na pr\u00e1tica, isso quer dizer que para ele, s\u00f3 podemos dizer que estruturas s\u00e3o hom\u00f3logas se ao longo da hist\u00f3ria evolutiva dos grupos que est\u00e3o sendo comparados, um bra\u00e7o ou uma perna (por exemplo) t\u00eam os mesmos limitadores ainda na fase de embri\u00e3o, sendo reguladas por ativa\u00e7\u00e3o e desativa\u00e7\u00e3o de genes. Parece dif\u00edcil de entender, mas se pararmos para pensar que at\u00e9 hoje dentro da \u00e1rea evolutiva isso est\u00e1 aberto \u00e0 discuss\u00f5es e trata-se de um conhecimento que vem sendo constru\u00eddo dia ap\u00f3s dia, at\u00e9 que a defini\u00e7\u00e3o proposta por Wagner \u00e9 simples de se entender. E bom, para melhorar ainda mais, pesquisadores discutem que existem dois tipos chave de homologia: homologia em s\u00e9rie e homologia especial, mas isso fica para uma outra conversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para terminar, \u00e9 importante dizer que n\u00e3o h\u00e1 maneira de se compreender o ramo das homologias sem antes compreender a embriologia (ci\u00eancia que estuda a forma\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os e sistemas) e a embriog\u00eanese (\u00e1rea da embriologia que estuda o desenvolvimento do embri\u00e3o desde sua fecunda\u00e7\u00e3o at\u00e9 o nascimento). Somente quando estudamos ali, naquele momento quando a vida se inicia e as caracter\u00edsticas ainda est\u00e3o no seu estado mais basal (mais simples, menos modificadas), \u00e9 que podemos ter uma boa vis\u00e3o de onde vieram e como se formam as estruturas atuais os seres vivos, ao melhor exemplo do nosso bra\u00e7o e as patinhas de um cachorro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1024px-Homology_vertebrates-pt.svg_.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"729\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/1024px-Homology_vertebrates-pt.svg_.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2138\" style=\"width:673px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Figura 1.<\/strong> Homologia de v\u00e1rios ossos (mostrados em cores diferentes) dos membros anteriores de quatro vertebrados.<br><strong>Imagem de:<\/strong> <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?title=File:Homology_vertebrates-pt.svg&amp;oldid=670753234\">https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?title=File:Homology_vertebrates-pt.svg&amp;oldid=670753234<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong> Novick, A. The fine structure of \u2018homology\u2019. Biol Philos 33, 6 (2018). https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10539-018-9617-3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gustavo Gon\u00e7alves Marciano<\/strong> \u00e9 graduando em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; <em>Campus <\/em>Rio Parana\u00edba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe toda uma bagagem hist\u00f3rica de estudos biol\u00f3gicos, ecol\u00f3gicos e evolutivos no que diz respeito \u00e0 como as estruturas se alteram. Cada passo ao longo dos anos, cada nova descoberta, cada nova contribui\u00e7\u00e3o de autores e autoras ao redor do mundo pintava uma nova figura no quadro do entendimento sobre como os organismos evoluem, como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":945,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1,831,854],"tags":[91,858,857],"class_list":["post-2137","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","category-volume-14-2023","category-volume-14-numero-3","tag-evolucao","tag-funcao","tag-semelhanca"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/945"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2137"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2141,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2137\/revisions\/2141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}