{"id":217,"date":"2014-09-01T09:19:45","date_gmt":"2014-09-01T12:19:45","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=217"},"modified":"2014-09-01T09:20:14","modified_gmt":"2014-09-01T12:20:14","slug":"um-olhar-sobre-as-epifitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=217","title":{"rendered":"Um olhar sobre as Ep\u00edfitas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Jaqueline Dias Pereira<\/em><\/p>\n<p>As ep\u00edfitas s\u00e3o plantas que vivem sobre outras e, muitas vezes, s\u00e3o confundidas com plantas parasitas, mas elas n\u00e3o emitem estruturas haustoriais (parasitas), portanto, n\u00e3o s\u00e3o plantas parasitas. N\u00e3o apresentam ra\u00edzes em contato com o solo e obt\u00eam seus recursos minerais a partir de res\u00edduos ou detritos, como, por exemplo, a poeira que recai sobre si, al\u00e9m de obterem recursos h\u00eddricos, a partir da \u00e1gua da chuva e at\u00e9 got\u00edculas de \u00e1gua dispersas no ar, possuindo assim, estruturas especializadas na capta\u00e7\u00e3o desses recursos. As plantas que sustentam as ep\u00edfitas sobre si s\u00e3o denominadas de for\u00f3fitos. O grau em que a diversidade de ep\u00edfitas numa floresta est\u00e1 diretamente ligada ao tipo de for\u00f3fito ainda n\u00e3o est\u00e1 bem esclarecido, uma vez que devem ser considerados, em conjunto, os fatores microclim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Dentre as esp\u00e9cies vasculares (aquelas que apresentam tecidos de condu\u00e7\u00e3o \u2013 xilema e floema), as ep\u00edfitas contabilizam cerca de 10% com aproximadamente 25.000 esp\u00e9cies, distribu\u00eddas em 84 fam\u00edlias. As fam\u00edlias Bromeliaceae, Orchidaceae, Araceae e Polypodiaceae concentram a maior parte das esp\u00e9cies, aproximadamente 80%.\u00a0 A abund\u00e2ncia e a diversidade de ep\u00edfitas s\u00e3o fortemente influenciadas pelas mudan\u00e7as de condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. As ep\u00edfitas vasculares podem ser classificadas em quatro categorias ecol\u00f3gicas de acordo com os tipos de substratos usados, mecanismos de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e balan\u00e7o de nutrientes, arquitetura da planta e rela\u00e7\u00e3o com o for\u00f3fito. Dessa forma, s\u00e3o denominadas holoep\u00edfitas caracter\u00edsticas, habituais ou verdadeiras aquelas presentes principalmente em ambientes epid\u00eandricos; facultativas, aquelas presentes tanto em ambientes epid\u00eandricos como terrestres; acidentais, aquelas preferencialmente terrestres; e hemiep\u00edfitas, aquelas que t\u00eam conex\u00e3o com o solo em alguma fase de sua vida, podendo ser prim\u00e1rias, quando germinam sobre o for\u00f3fito e, posteriormente, estabelecem contato com o solo ou secund\u00e1rias, quando germinam no solo e, em seguida, estabelecem contato com o for\u00f3fito.<\/p>\n<p>O h\u00e1bito epif\u00edtico representa uma estrat\u00e9gia adaptativa que possibilita redu\u00e7\u00e3o nos preju\u00edzos causados por inunda\u00e7\u00e3o e pelo fogo, al\u00e9m de evitar a preda\u00e7\u00e3o por animais terrestres. Entretanto, esta forma de vida pode ser limitada principalmente pela defici\u00eancia h\u00eddrica, nutricional e pelas condi\u00e7\u00f5es variadas de intensidade luminosa, de acordo com a estratifica\u00e7\u00e3o vertical. \u00c1gua e nutrientes s\u00e3o recursos de dif\u00edcil acesso j\u00e1 que as ep\u00edfitas n\u00e3o mant\u00eam ra\u00edzes em contato direto com o solo, conforme citado anteriormente. Adapta\u00e7\u00f5es comuns incluem o uso de h\u00famus acumulado em \u00e1rvores e caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas que permitem a coleta de h\u00famus, tais como, a forma\u00e7\u00e3o de \u201ccestas\u201d, \u201cninhos\u201d ou \u201ctanques\u201d.<\/p>\n<p>As ep\u00edfitas representam uma import\u00e2ncia significativa na manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade das florestas tropicais do mundo, contribuem na intera\u00e7\u00e3o flora e fauna, al\u00e9m de desempenhar um papel essencial na din\u00e2mica de nutrientes das florestas. Proporcionam recursos alimentares (frutos, n\u00e9ctar, p\u00f3len e \u00e1gua) e microambientes especializados \u00e0 fauna do dossel, constitu\u00edda por uma infinidade de organismos voadores, arbor\u00edcolas e escansoriais. Por isso, quando se retira uma ep\u00edfita de seu meio natural, perde-se n\u00e3o s\u00f3 a planta, mas tamb\u00e9m toda a fauna que depende diretamente da esp\u00e9cie de ep\u00edfita para a sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Tem sido sugerido que v\u00e1rias esp\u00e9cies podem ser usadas como bioindicadores de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e danos ecol\u00f3gicos. Dessa forma, em fun\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas fisiol\u00f3gicas e nutricionais das ep\u00edfitas, seu estudo fornece subs\u00eddios importantes sobre a interfer\u00eancia antr\u00f3pica no ambiente e \u00e9 essencial para o manejo adequado dos ecossistemas, uma vez que as ep\u00edfitas tamb\u00e9m funcionam como bioindicadores do est\u00e1dio sucessional da floresta, tendo em vista que comunidades em fases secund\u00e1rias apresentam menor densidade e diversidade epif\u00edtica do que comunidades prim\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>Jaqueline Dias Pereira<\/strong> \u00e9 bi\u00f3loga, mestre em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e doutora em Bot\u00e2nica. \u00c9 professora do campus de Rio Parana\u00edba da UFV e atua na \u00e1rea de Anatomia Vegetal.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Pereira, J.D. (2010). Um olhar sobre as Ep\u00edfitas. Folha Biol\u00f3gica 1 (1): 3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaqueline Dias Pereira As ep\u00edfitas s\u00e3o plantas que vivem sobre outras e, muitas vezes, s\u00e3o confundidas com plantas parasitas, mas elas n\u00e3o emitem estruturas haustoriais (parasitas), portanto, n\u00e3o s\u00e3o plantas parasitas. 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