{"id":2305,"date":"2025-03-24T13:23:14","date_gmt":"2025-03-24T16:23:14","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2305"},"modified":"2025-03-24T13:24:44","modified_gmt":"2025-03-24T16:24:44","slug":"quem-e-luca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2305","title":{"rendered":"Quem \u00e9 Luca?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Luca<\/em> \u00e9 o nome dado para o organismo que seria considerado o \u00faltimo ancestral comum entre todos os organismos hoje viventes em nosso planeta, tal organismo seria quimiossintetizante, ou seja, ele era capaz de extrair energia de compostos inorg\u00e2nicos a base de ferro, enxofre ou nitrog\u00eanio. Essa capacidade ainda \u00e9 encontrada em bact\u00e9rias e arqueias \u2014 dom\u00ednio de procariotos unicelulares \u2014 ainda vivas. Tal estrat\u00e9gia de vida foi selecionada ao longo de milh\u00f5es de anos pelo ambiente extremo a qual Luca estava inserido. Durante os anos iniciais da terra (cerca de 3,8 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s), a concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) nos oceanos eram mais precisamente 1.000 vezes maior a que temos hoje, tendo a vida se originando muito provavelmente em ambientes com baixa taxa de oxig\u00eanio dissolvido na \u00e1gua dispon\u00edvel, tendo, possivelmente se originado em um sistema conhecido como fontes hidrotermais alcalinas, que ainda podem ser encontradas como \u00e9 o caso de \u201cLost City\u201d (Cidade Perdida), localizada no meio do Atl\u00e2ntico. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas fontes propiciaram a incubadora perfeita para a vida, possuindo uma estrutura porosa que pode chegar a mais de 60 metros de altura, com correntes de \u00e1gua que chegam a temperaturas em torno de 150 a 200 graus, pH b\u00e1sico (9 \u2013 11) e rico em hidrog\u00eanio dissolvido, tendo os organismos se formando nesse arranjo como um \u201cefeito colateral\u201d da hidrogena\u00e7\u00e3o do di\u00f3xido de carbono, o que favoreceu a quimioss\u00edntese, mecanismo no qual se fixa o carbono e gera energia para os organismos. Esse sistema tamb\u00e9m \u00e9 capaz de gerar sulfatos met\u00e1licos que cont\u00eam capacidade catal\u00edtica, ou seja, essas subst\u00e2ncias t\u00eam a capacidade de acelerar rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. As fontes hidrotermais alcalinas tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de gerar intermedi\u00e1rios para a s\u00edntese de amino\u00e1cidos (sendo utilizados na s\u00edntese de prote\u00ednas) essenciais para o surgimento de organismos vivos. Por meio de experimento em laborat\u00f3rios, que replicam as condi\u00e7\u00f5es das fontes hidrotermais, tamb\u00e9m foi poss\u00edvel a s\u00edntese de nucleot\u00eddeos (bases do DNA), o conjunto dessas forma\u00e7\u00f5es abi\u00f3ticas (n\u00e3o biol\u00f3gicas) resultaram na forma\u00e7\u00e3o do primeiro organismo vivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Luca<\/em> provavelmente compartilhou com bact\u00e9rias e Archaeas a quimioss\u00edntese, assim como o DNA e como o material gen\u00e9tico. O princ\u00edpio do c\u00f3digo gen\u00e9tico (conjunto de informa\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por formar prote\u00ednas) \u00e9 uma membrana plasm\u00e1tica, que embora fosse, provavelmente, diferente das membranas dos organismos hoje viventes, propiciaram o surgimento do gradiente de pr\u00f3tons, capaz de gerar ATP (energia) para os organismos. Todos os organismos utilizam desse meio com determinadas adapta\u00e7\u00f5es, seja gerando um gradiente artificial, ou utilizando o gradiente natural da qual eles mesmos est\u00e3o inseridos. Tudo isso s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0s aberturas hidrotermais alcalinas e aos milh\u00f5es de anos em que a sele\u00e7\u00e3o natural atuou e moldou o surgimento da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong>: LANE, Nick; ALLEN, John F.; MARTIN, William. How did LUCA make a living? Chemiosmosis in the origin of life. BioEssays, v. 32, n. 4, p. 271-280, 2010.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/img_DEST_vulcoes-fapesp_ilustra_20170818.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"880\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/img_DEST_vulcoes-fapesp_ilustra_20170818.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2306\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rafael Augusto<\/strong> \u00e9 bi\u00f3logo pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; <em>Campus<\/em> Rio Parana\u00edba<strong>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luca \u00e9 o nome dado para o organismo que seria considerado o \u00faltimo ancestral comum entre todos os organismos hoje viventes em nosso planeta, tal organismo seria quimiossintetizante, ou seja, ele era capaz de extrair energia de compostos inorg\u00e2nicos a base de ferro, enxofre ou nitrog\u00eanio. 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