{"id":235,"date":"2014-09-09T23:34:39","date_gmt":"2014-09-10T02:34:39","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=235"},"modified":"2014-09-09T23:34:39","modified_gmt":"2014-09-10T02:34:39","slug":"o-brasil-no-ano-internacional-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=235","title":{"rendered":"O Brasil no Ano Internacional da Biodiversidade."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Rubens Pazza.<\/em><\/p>\n<p>A biodiversidade \u00e9 caracterizada como a diversidade biol\u00f3gica em pelo menos tr\u00eas n\u00edveis hier\u00e1rquicos: diversidade gen\u00e9tica, diversidade de esp\u00e9cies e diversidade de ecossistemas. O tema da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade tem sido amplamente difundido nos \u00faltimos anos, especialmente quando se trata de assuntos econ\u00f4micos. Afinal de contas, in\u00fameros f\u00e1rmacos, cosm\u00e9ticos e variedades cultivadas na agricultura s\u00e3o obtidos atrav\u00e9s do uso de nossa biodiversidade. Entretanto, a necessidade da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade vai muito al\u00e9m de quest\u00f5es econ\u00f4micas. Toda uma cadeia ecol\u00f3gica depende da rela\u00e7\u00e3o entre as esp\u00e9cies de um determinado ecossistema, onde a perda de uma \u00fanica pe\u00e7a pode ser altamente prejudicial, alterando as inter-rela\u00e7\u00f5es e desequilibrando o mesmo. Durante a Eco-92, uma grande conven\u00e7\u00e3o internacional sobre meio ambiente realizada no Brasil em 1992, 175 pa\u00edses assinaram um tratado chamado de Conven\u00e7\u00e3o sobre a Diversidade Biol\u00f3gica (CDB). Este documento prop\u00f5e regras para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, bem como de seu uso sustent\u00e1vel e a reparti\u00e7\u00e3o justa dos benef\u00edcios provenientes do uso econ\u00f4mico dos recursos. Periodicamente, os pa\u00edses signat\u00e1rios deste tratado se re\u00fanem em conven\u00e7\u00f5es. Este ano, em outubro, acontecer\u00e1 a COP-10 (Confer\u00eancia das Partes, 2010), em Nagoya, no Jap\u00e3o. Nestes encontros, discute-se o que os pa\u00edses t\u00eam feito para cumprir sua parte no tratado e quais as medidas e metas que devem ser adotadas a seguir.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 signat\u00e1rio deste tratado, tendo legisla\u00e7\u00e3o apropriada e regulamentada pelo Decreto N\u00ba 2.519 de 16 de mar\u00e7o de 1998. Em vistas ao encontro em Nagoya, a C\u00e2mara dos Deputados realizou alguns eventos para levantar as a\u00e7\u00f5es realizadas pelo governo brasileiro e suas propostas, bem como as propostas da sociedade civil sobre o tema.\u00a0 Nos dias 13 e 14 de Julho, por exemplo, aconteceu o semin\u00e1rio intitulado \u201cAno Internacional da Biodiversidade \u2013 Quais os Desafios para o Brasil?\u201d. Neste semin\u00e1rio foram discutidos temas como as iniciativas para conserva\u00e7\u00e3o dos Recifes de Corais no Brasil, como o Brasil est\u00e1 enfrentando os problemas das esp\u00e9cies invasoras, os riscos e impactos \u00e0 biodiversidade dos empreendimentos de infraestrutura, o turismo e a biodiversidade, o estado de conserva\u00e7\u00e3o dos principais biomas brasileiros, o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a biodiversidade, os instrumentos de prest\u00edgio internacional (Reserva da Biosfera, S\u00edtios do Patrim\u00f4nio da Humanidade e outros) e a Avalia\u00e7\u00e3o Ecossist\u00eamica do Mil\u00eanio e o conhecimento da biodiversidade.<\/p>\n<p><strong>A UFV participou do semin\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p>A Universidade Federal de Vi\u00e7osa foi convidada para apresentar um painel durante o evento. Nesta oportunidade, fui convidado a discutir o tema \u201cAvalia\u00e7\u00e3o Ecossist\u00eamica do Mil\u00eanio e o Conhecimento da Biodiversidade\u201d. A Avalia\u00e7\u00e3o Ecossist\u00eamica do Mil\u00eanio foi um grande projeto internacional que tinha como objetivo mapear a sa\u00fade dos principais ecossistemas do mundo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta de servi\u00e7os ambientais, como a produ\u00e7\u00e3o de alimento, a qualidade e disponibilidade de \u00e1gua, de estoques pesqueiros, a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica utilizada na biotecnologia, etc. O Brasil tamb\u00e9m participou deste esfor\u00e7o internacional, embora de maneira t\u00edmida, avaliando apenas a regi\u00e3o do cintur\u00e3o verde de S\u00e3o Paulo.\u00a0 No relat\u00f3rio \u00e9 poss\u00edvel observar dados alarmantes. Cerca de 60% dos ecossistemas do planeta s\u00e3o explorados de modo n\u00e3o sustent\u00e1vel; pelo menos \u00bc dos estoques comerciais importantes de peixes s\u00e3o superexplorados; a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua doce duplicou desde 1960 e \u00e9 insustent\u00e1vel; cerca de 70% da \u00e1gua doce \u00e9 utilizada na agricultura; a taxa de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies aumentou cerca de 1000 vezes nos \u00faltimos s\u00e9culos; de 10 a 30% das esp\u00e9cies de aves, mam\u00edferos e anf\u00edbios est\u00e3o amea\u00e7adas. Um dos grandes desafios da utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos servi\u00e7os ambientais \u00e9 que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre eles, ou seja, a utiliza\u00e7\u00e3o de um deles gera impacto em outro. Em termos econ\u00f4micos, embora seja dif\u00edcil atribuir um valor a um servi\u00e7o ambiental ou \u00e0 biodiversidade, temos alguns ind\u00edcios do preju\u00edzo gerado quando algo falha. Por exemplo, no Canad\u00e1 dos anos 90, em decorr\u00eancia da superexplora\u00e7\u00e3o, os estoques de bacalhau ca\u00edram drasticamente. Isto obrigou o investimento de cerca de 2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em seguro desemprego e treinamento para recoloca\u00e7\u00e3o de trabalhadores. Em rela\u00e7\u00e3o ao conhecimento da biodiversidade, alertei para a biodiversidade escondida, que conseguimos tomar conhecimento atrav\u00e9s dos estudos gen\u00e9ticos, mas este \u00e9 um tema para uma pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todas as apresenta\u00e7\u00f5es podem ser vistas no site da C\u00e2mara dos Deputados \u2013 www.camara.gov.br. A participa\u00e7\u00e3o do Brasil no encontro em Nagoya \u00e9 fundamental, pois os pa\u00edses megadiversos, como o nosso, devem tomar a dianteira nas discuss\u00f5es sobre a conserva\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da biodiversidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rubens Pazza<\/strong> \u00e9 bi\u00f3logo, mestre em Biologia Celular e Doutor em Gen\u00e9tica e Evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 professor do campus de Rio Parana\u00edba da UFV e atua na \u00e1rea de Gen\u00e9tica Ecol\u00f3gica e Evolutiva.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p><span style=\"color: #4d451d;\">Pazza, R. (2010). O Brasil no Ano Internacional da Biodiversidade. Folha Biol\u00f3gica 1 (2): 2.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubens Pazza. 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