{"id":2353,"date":"2025-05-27T14:52:20","date_gmt":"2025-05-27T17:52:20","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2353"},"modified":"2025-05-27T14:52:20","modified_gmt":"2025-05-27T17:52:20","slug":"abelhas-saqueadoras-ja-ouviu-falar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2353","title":{"rendered":"Abelhas Saqueadoras: J\u00e1 Ouviu Falar?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 deve ter ouvido por a\u00ed que a visita\u00e7\u00e3o de flores por animais, principalmente pelos insetos, processo chamado de poliniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos mais importantes que existe. E quando falamos especificamente das nossas abelhas ind\u00edgenas sem ferr\u00e3o, ou seja, as esp\u00e9cies nativas brasileiras, essa import\u00e2ncia se torna infinitamente maior. Isso se deve porque cerca de 90% das esp\u00e9cies de \u00e1rvores nativas dos nossos biomas s\u00e3o altamente dependentes de seus servi\u00e7os pol\u00ednicos. No entanto, o que pode ser uma novidade para voc\u00ea \u2013 e at\u00e9 um choque \u2013 \u00e9 que existem algumas abelhas amaz\u00f4nicas que ao inv\u00e9s de visitarem flores em busca de seu pr\u00f3prio p\u00f3len e n\u00e9ctar, na verdade, invadem os ninhos de outras esp\u00e9cies para roubar esses itens. Este evento, conhecido como cleptobiose, n\u00e3o \u00e9 algo raro de ser observado acontecendo na natureza, muito pelo contr\u00e1rio, em \u00e9pocas de escassez de recursos vegetais esses saques podem acontecer com maior frequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia, o que alguns pesquisadores curiosamente observaram \u00e9 que possivelmente, algumas dessas esp\u00e9cies vivem exclusivamente dos saques, o que faz delas parasitas saqueadores obrigat\u00f3rios. Alguns dos materiais que s\u00e3o por elas saqueados incluem cerume, resina, p\u00f3len e mel, todos recursos coletados e produzidos por oper\u00e1rias campeiras de outras col\u00f4nias. A saqueadora mais famosa \u00e9 a popularmente apelidada abelha-lim\u00e3o, ou cientificamente chamada de <em>Lestrimelitta limao<\/em>. Ela recebeu esse nome porque libera, assim como outras esp\u00e9cies do mesmo g\u00eanero, um composto vol\u00e1til com o odor c\u00edtrico caracter\u00edstico do fruto do lim\u00e3o. Essa subst\u00e2ncia, por sua vez, \u00e9 utilizada pela abelha-lim\u00e3o durante um saque com o intuito de enfraquecer a organiza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da colmeia que est\u00e1 sob ataque. No entanto, n\u00e3o se engane ao pensar que as abelhas atacadas ficam totalmente suscet\u00edveis e que n\u00e3o desenvolveram nenhum m\u00e9todo de defesa. Esses organismos coevolu\u00edram ao longo das \u00faltimas centenas de anos com essas abelhas cleptobi\u00f3ticas, adaptando-se, dessa maneira, ao seu comportamento agressivo e estrat\u00e9gias de roubo. Logo, um desses m\u00e9todos de contra-ataque, que \u00e9 muito utilizado pela jata\u00ed (<em>Tetragonisca angustula<\/em>) e pela bor\u00e1 (<em>Tetragona clavipes)<\/em>, ficou conhecido como \u201ckamikasi\u201d. Essa estrat\u00e9gia funciona com algumas oper\u00e1rias, 50 e 200, para jata\u00ed e bor\u00e1, respectivamente, sobrevoando a entrada do ninho. Uma vez que a inimiga lim\u00e3o \u00e9 identificada, ocorre uma luta corporal entre essas abelhas, sendo que a jata\u00ed \u00e9 capaz de usar as suas mand\u00edbulas para morder a asa ou a perna de sua saqueadora, que cai ferida no ch\u00e3o e fica suscet\u00edvel ao ataque de outros insetos, como as formigas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dessas abelhas, existe outra esp\u00e9cie, de nome cient\u00edfico <em>Duckeola ghilianii<\/em>, vulgarmente apelidada de abelha-policial ou ca\u00e7adora-de-lim\u00e3o, que luta contra o ataque das ladras lim\u00e3o. Ela faz jus ao seu nome ao corajosamente provocar as saqueadoras para que saiam do ninho sob ataque, e uma vez que isso acontece, capturam e matam a invasora com mordidas em pontos vitais. Fato inusitado \u00e9 que a abelha-policial n\u00e3o defende somente os seus ninhos, mas tamb\u00e9m as col\u00f4nias parasitadas de outras esp\u00e9cies de abelhas. Por outro lado, outros grupos desenvolveram m\u00e9todos mais discretos, como por exemplo a uru\u00e7u-boca-de-renda (<em>Melipona seminigra<\/em>), que tampa a entrada de seu ninho com uma a quatro bolinhas de cerume de cerca de 1 cm de di\u00e2metro cada, barrando a poss\u00edvel entrada de quaisquer intrusos. E essa, \u00e9 s\u00f3 uma pequena amostra da grande diversidade que essas abelhas nativas apresentam.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcLUSTDDX5xbuTo7BwizmWhFzfIQPYU3O0Lq0fbo8a68mOqVjsrk_-WblIbTlYZumYz3u0rAUyj46gCh15uhQNL0JSMeEWKzoZrAEe0uWCeDtz6Ev2E0ZIJM8sgAYuakp8ClLz6xQ?key=sJOC7Lwae_Ia_M9GyT4EX5Ps\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Imagem<\/strong>: Andr\u00e9 Matos via Infobee.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias: <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KERR, WE. CARVALHO, GA. SILVA, AC. ASSIS, MGP. Aspectos pouco mencionados da biodiversidade amaz\u00f4nica. Biodiversidade, pesquisa e desenvolvimento na Amaz\u00f4nia, n. 12, p. 20-41, setembro, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RECH, AR. SCHWADE, MA. SCHWADE, MRM. Abelhas-sem-ferr\u00e3o amaz\u00f4nicas defendem melipon\u00e1rios contra saques de outras abelhas. Acta Amaz\u00f4nica, v. 43, n. 3, p. 389-394, outubro, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nicole de Oliveira Braga<\/strong> \u00e9 graduanda em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, <em>campus<\/em> Rio Parana\u00edba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 deve ter ouvido por a\u00ed que a visita\u00e7\u00e3o de flores por animais, principalmente pelos insetos, processo chamado de poliniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos mais importantes que existe. E quando falamos especificamente das nossas abelhas ind\u00edgenas sem ferr\u00e3o, ou seja, as esp\u00e9cies nativas brasileiras, essa import\u00e2ncia se torna infinitamente maior. 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