{"id":2355,"date":"2025-05-27T14:58:55","date_gmt":"2025-05-27T17:58:55","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2355"},"modified":"2025-05-27T14:58:55","modified_gmt":"2025-05-27T17:58:55","slug":"de-barriga-cheia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2355","title":{"rendered":"De barriga cheia."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento de esp\u00e9cies representa um dos desafios constantes para a ci\u00eancia animal, exigindo abordagens que considerem tanto as particularidades biol\u00f3gicas de cada esp\u00e9cie quanto \u00e0s influ\u00eancias do ambiente em que est\u00e3o inseridas. Para isso, existem diversos materiais e m\u00e9todos, como armadilhas fotogr\u00e1ficas, monitoramento por meio de rastros e vest\u00edgios, identifica\u00e7\u00e3o de sons, entre outros. A localiza\u00e7\u00e3o dos animais, especialmente dos mam\u00edferos, pode demandar tempo e paci\u00eancia, pois muitas esp\u00e9cies apresentam baixa densidade em habitats modificados. A identifica\u00e7\u00e3o de animais de forma n\u00e3o invasiva e sem interfer\u00eancia no ambiente tem ganhado destaque na pesquisa cient\u00edfica. Entre as metodologias emergentes, destaca-se a coleta de material gen\u00e9tico ambiental (iDNA) a partir de res\u00edduos consumidos por insetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse m\u00e9todo tem se consolidado como uma ferramenta eficaz para detectar a presen\u00e7a de animais em determinada \u00e1rea, sendo amplamente utilizado na avalia\u00e7\u00e3o da diversidade de vertebrados, com \u00eanfase especial em mam\u00edferos. O iDNA refere-se ao DNA extra\u00eddo do conte\u00fado ingerido por invertebrados, como mosquitos, sanguessugas, carrapatos, besouros e moscas. Esse material, chamado de DNA ingerido ou derivado de invertebrados, cont\u00e9m as informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas das esp\u00e9cies consumidas pelos insetos. Diferentes organismos, como sanguessugas, podem ser utilizados como amostradores para identificar as esp\u00e9cies presentes no local por meio da an\u00e1lise do DNA intestinal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0O uso de insetos para a coleta de material gen\u00e9tico \u00e9 promissor, pois eles s\u00e3o facilmente encontrados, amplamente distribu\u00eddos e possuem uma dieta diversificada. Para isso, s\u00e3o utilizados animais hemat\u00f3fagos, que se alimentam de sangue, ou sapr\u00f3fagos, que se alimentam de mat\u00e9ria em decomposi\u00e7\u00e3o, extraindo-se o DNA de seu trato digest\u00f3rio. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel realizar o biomonitoramento de esp\u00e9cies de mam\u00edferos. No entanto, para o sucesso dessa abordagem, \u00e9 essencial que existam dados sobre a ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies na regi\u00e3o, permitindo a atribui\u00e7\u00e3o correta de uma sequ\u00eancia de DNA a uma determinada esp\u00e9cie. A falta de refer\u00eancia em bancos de dados prejudica a identifica\u00e7\u00e3o precisa em n\u00edvel espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o neotropical, onde se encontra o Brasil, possui poucas refer\u00eancias gen\u00e9ticas em bancos de dados de fauna, o que limita o uso de t\u00e9cnicas como o <em>metabarcoding<\/em>. Em um estudo realizado no Cerrado, um \u00fanico inseto foi capaz de capturar material gen\u00e9tico de at\u00e9 seis esp\u00e9cies de mam\u00edferos. O emprego de m\u00e9todos menos invasivos para a amostragem de mam\u00edferos pode reduzir o esfor\u00e7o de pesquisa e monitoramento de fauna, al\u00e9m de contribuir para estrat\u00e9gias conservacionistas. Embora desafiador, esse tipo de abordagem \u00e9 especialmente relevante para regi\u00f5es onde a biodiversidade ainda n\u00e3o \u00e9 completamente conhecida pela ci\u00eancia, como na regi\u00e3o neotropical.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"653\" height=\"258\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2356\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png 653w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-300x119.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Imagem:<\/strong> Aline Naoe &#8211; USP online.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancia:<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SARANHOLI, B. H. et al. Comparing iDNA from mosquitoes and flies to survey mammals in a semi-controlled Neotropical area. Molecular Ecology Resources, v. 23, n. 8, p. 1790-1799, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Laiena Luz Bassam Amadeu<\/strong> \u00e9 doutoranda em Biologia Animal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O levantamento de esp\u00e9cies representa um dos desafios constantes para a ci\u00eancia animal, exigindo abordagens que considerem tanto as particularidades biol\u00f3gicas de cada esp\u00e9cie quanto \u00e0s influ\u00eancias do ambiente em que est\u00e3o inseridas. Para isso, existem diversos materiais e m\u00e9todos, como armadilhas fotogr\u00e1ficas, monitoramento por meio de rastros e vest\u00edgios, identifica\u00e7\u00e3o de sons, entre outros. 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