{"id":2361,"date":"2025-05-27T15:07:54","date_gmt":"2025-05-27T18:07:54","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2361"},"modified":"2025-05-27T15:07:54","modified_gmt":"2025-05-27T18:07:54","slug":"da-comida-ao-clima-a-maneira-que-a-alimentacao-humana-foi-moldada-pelas-mudancas-ambientais-ao-longo-de-milhares-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2361","title":{"rendered":"Da comida ao clima: A maneira que a alimenta\u00e7\u00e3o humana foi moldada pelas mudan\u00e7as ambientais ao longo de milhares de anos."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos uma imagem clara dos nossos ancestrais quando pensamos em evolu\u00e7\u00e3o: os famosos \u201chomens das cavernas\u201d, vivendo da ca\u00e7a e do consumo de carne. Por\u00e9m, a nossa hist\u00f3ria evolutiva vai muito al\u00e9m do que imaginamos, j\u00e1 que a alimenta\u00e7\u00e3o dos homin\u00eddeos sofreu diversas mudan\u00e7as ao longo de milhares de anos, contemplando alimentos de origem vegetal e animal. Para entendermos a evolu\u00e7\u00e3o dos homin\u00eddeos juntamente com a sua alimenta\u00e7\u00e3o, vamos voltar no tempo h\u00e1 cerca de 3 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s no continente africano, local onde provavelmente surgiu a nossa esp\u00e9cie, <em>Homo sapiens<\/em>, assim como seus ancestrais mais recentes que pertencem aos g\u00eaneros <em>Australopithecus <\/em>e <em>Homo<\/em>. Quando um dos nossos primeiros ancestrais, os <em>Australopithecus<\/em>, ainda habitavam a Terra, o continente africano n\u00e3o era a t\u00e3o famosa savana que hoje abriga gram\u00edneas, le\u00f5es, zebras, girafas, dentre outros animais e plantas existentes na atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao inv\u00e9s disso, naquela \u00e9poca o continente africano era composto por florestas tropicais, que eram consideradas como habitat predominante das esp\u00e9cies de <em>Australopithecus<\/em>. Esse grupo de homin\u00eddeos, assim como n\u00f3s, eram b\u00edpedes, ou seja, eles se deslocavam com dois p\u00e9s, apresentavam uma alimenta\u00e7\u00e3o predominantemente herb\u00edvora, embora tamb\u00e9m se alimentassem de carne, com menor frequ\u00eancia do que as esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Homo<\/em>. Posteriormente, aconteceram mudan\u00e7as no clima que ocasionaram altera\u00e7\u00f5es no ambiente em que os nossos ancestrais viviam, com isso, o territ\u00f3rio africano se tornou \u00e1rido resultando numa limita\u00e7\u00e3o de disponibilidade de recursos alimentares vegetais. Tais mudan\u00e7as ambientais foram ocasionadas pelo choque das placas tect\u00f4nicas nessa regi\u00e3o, as quais resultaram em altera\u00e7\u00f5es no relevo, no fluxo de ventos e na distribui\u00e7\u00e3o de chuvas ao longo do territ\u00f3rio. Esse conjunto de mudan\u00e7as levou a extin\u00e7\u00e3o do g\u00eanero <em>Australopithecus,<\/em> principalmente em raz\u00e3o desses indiv\u00edduos estarem mais adaptados ao consumo de alimentos de dif\u00edcil mastiga\u00e7\u00e3o, encontrados nas florestas tropicais que existiam no territ\u00f3rio africano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E foi nesse tempo que o g\u00eanero <em>Homo<\/em>, o qual nossa esp\u00e9cie pertence, foi favorecido por apresentar uma alimenta\u00e7\u00e3o mais diversa que os <em>Australopithecus<\/em>. Com a diminui\u00e7\u00e3o de florestas e predomin\u00e2ncia de ambientes mais abertos, os mam\u00edferos como ant\u00edlopes e gazelas ficaram mais expostos, o que possibilitou a consolida\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito da ca\u00e7a desses animais, feita por indiv\u00edduos do g\u00eanero Homo que se alimentavam por meio da carne dessas presas. Mas isso n\u00e3o significa que os nossos ancestrais do g\u00eanero <em>Homo<\/em> se alimentavam exclusivamente de carne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <em>Homo habilis<\/em> por exemplo tinha uma dieta de origem vegetal complementada com alimentos de origem animal, enquanto o <em>Homo erectus<\/em> apresentava um maior consumo de carne do que vegetais, o que demonstra a diversidade de h\u00e1bitos alimentares ao longo da hist\u00f3ria evolutiva de nossos antepassados. Afinal, a carne teve um papel muito importante para a nutri\u00e7\u00e3o humana, assim como o uso do fogo, o qual possibilitou o cozimento dos alimentos, resultando em uma maior absor\u00e7\u00e3o de nutrientes. Tamb\u00e9m devemos considerar a maneira que as mudan\u00e7as ambientais atuaram como press\u00f5es seletivas, selecionando os nossos ancestrais que eram mais bem adaptados ao consumo dos recursos alimentares dispon\u00edveis naquela \u00e9poca, o que nos leva a refletir se os nossos h\u00e1bitos alimentares ainda v\u00e3o continuar sofrendo mudan\u00e7as. At\u00e9 mesmo porque as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o agravadas pela emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, enquanto a produ\u00e7\u00e3o de carne \u00e9 um dos fatores que mais contribuem para a emiss\u00e3o desses gases.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"556\" height=\"251\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2362\" style=\"width:706px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2.png 556w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2-300x135.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 556px) 100vw, 556px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Imagem: <\/strong>Mauricio Barufaldi<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BELO, Lucas Lima Andrade; TELES, K\u00e1tia In\u00eaz; SILVA, Heslley Machado. Efeitos da alimenta\u00e7\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o humana: uma revis\u00e3o. <strong>Conex\u00e3o Ci\u00eancia (Online)<\/strong>, v. 12, n. 3, p. 93-105, 2017.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RIDLEY, Mark. <strong>Evolu\u00e7\u00e3o<\/strong>. Artmed Editora, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hellen Guedes Pacheco<\/strong> \u00e9 graduanda em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; <em>Campus<\/em> Rio Parana\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lucas de Oliveira Ribeiro<\/strong> \u00e9 graduando em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; <em>Campus<\/em> Rio Parana\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temos uma imagem clara dos nossos ancestrais quando pensamos em evolu\u00e7\u00e3o: os famosos \u201chomens das cavernas\u201d, vivendo da ca\u00e7a e do consumo de carne. 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