{"id":2379,"date":"2025-07-17T13:42:36","date_gmt":"2025-07-17T16:42:36","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2379"},"modified":"2025-07-17T13:49:51","modified_gmt":"2025-07-17T16:49:51","slug":"seria-o-homo-sapiens-o-grande-causador-da-extincao-do-homo-neanderthalensis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2379","title":{"rendered":"Seria o Homo sapiens o grande causador da extin\u00e7\u00e3o do Homo neanderthalensis?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s seres humanos, que recebemos o t\u00e3o conhecido nome cient\u00edfico <em>Homo sapiens<\/em>, somos a \u00fanica esp\u00e9cie vivente dentro deste grupo atualmente. No entanto, h\u00e1 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s o cen\u00e1rio era completamente diferente. Nossos antepassados chegaram a conviver com outras esp\u00e9cies de homin\u00eddeos. E o registro f\u00f3ssil deixado por essas comunidades consegue nos contar sobre como era a rela\u00e7\u00e3o entre os nossos ancestrais e \u201cprimos\u201d humanos, mas enquanto eles evolu\u00edram na Eur\u00e1sia, n\u00f3s, humanos modernos, nos originamos na \u00c1frica. Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 deve ter ouvido falar no <em>Homo<\/em> <em>neanderthalensis<\/em>. Eles eram mais baixinhos, robustos, tinham membros mais curtos, cabe\u00e7as maiores e narizes mais largos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, eles eram muito inteligentes e tinham diversos h\u00e1bitos semelhantes aos nossos, inclusive, acasalaram conosco e produziram descendentes f\u00e9rteis. Voc\u00ea at\u00e9 mesmo pode ter um pouco de DNA neandertal a\u00ed nas suas c\u00e9lulas. Entretanto, h\u00e1 aproximadamente 41 ou 39 mil anos atr\u00e1s eles foram extintos. Pensando nisso, e conhecendo o hist\u00f3rico da nossa esp\u00e9cie, ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel dizer que n\u00f3s causamos a extin\u00e7\u00e3o do homem neandertal? Alguns cientistas relatam que a competi\u00e7\u00e3o com o homem moderno pode ter contribu\u00eddo para o desaparecimento do <em>H.<\/em> <em>neanderthalensis<\/em>. Estes pesquisadores alegam que nossa esp\u00e9cie apresentava caracter\u00edsticas como nascimentos mais r\u00e1pidos, maior capacidade lingu\u00edstica e mais habilidades intelectuais, o que nos possibilitou dominar melhores ferramentas e t\u00e9cnicas de ca\u00e7a, fazendo nossas popula\u00e7\u00f5es aumentarem e os substitu\u00edrem. Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio entender que na maioria das vezes, um grupo se extingue devido \u00e0 diversos fatores que atuam de forma conjunta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por exemplo, s\u00e3o um grande problema para diversos organismos. E muitos acreditam que essas altera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m possam ter prejudicado os neandertais. Apesar disso, um estudo verificou que mesmo uma grande erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica e resfriamento clim\u00e1tico n\u00e3o apresentaram impactos t\u00e3o decisivos assim sobre esses homin\u00eddeos. Ou seja, podem existir ainda outros motivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos tamb\u00e9m que um grande fator que impacta nos padr\u00f5es din\u00e2micos de uma popula\u00e7\u00e3o \u00e9 o surgimento de doen\u00e7as. \u00c9 com base nisso que se fortalece uma das hip\u00f3teses que pode ter contribu\u00eddo para o desaparecimento dos neandertais. Ela discute sobre a transmiss\u00e3o de novas doen\u00e7as virais dos humanos modernos para esse grupo mais antigo. Esse fator \u00e9 referido pelos pesquisadores como \u201cresist\u00eancia diferencial a pat\u00f3genos\u201d, que se refere a varia\u00e7\u00f5es na capacidade de diferentes indiv\u00edduos de responderem a infec\u00e7\u00f5es. O contr\u00e1rio n\u00e3o aconteceu com os <em>Homo sapiens,<\/em> provavelmente porque havia menos doen\u00e7as afetando os neandertais na \u00e9poca, ou porque eles possu\u00edam algum mecanismo que fez com que fossem menos prejudicados ap\u00f3s serem expostos a novos pat\u00f3genos. Outro ponto mencionado foi o cruzamento entre essas esp\u00e9cies. Com base em an\u00e1lises gen\u00e9ticas, os estudiosos observaram que o encontro sexual entre eles era frequente. E, segundo essa teoria, come\u00e7ou-se a ter mais h\u00edbridos do que neandertais cruzando entre si, dificultando a persist\u00eancia de sua linhagem. Por\u00e9m, n\u00e3o se sabe ao certo como eram essas intera\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que eles tinham l\u00ednguas e h\u00e1bitos muito distintos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, muitos acreditam que os neandertais na verdade n\u00e3o foram completamente extintos, j\u00e1 que muitos de seus genes foram incorporados pelos <em>H. sapiens<\/em> atrav\u00e9s dos cruzamentos entre esses grupos. Portanto, \u00e9 dif\u00edcil afirmar com certeza a causa da extin\u00e7\u00e3o do <em>Homo neanderthalensis<\/em>, j\u00e1 que, na verdade, pode ser uma jun\u00e7\u00e3o de fatores. Mas, com certeza, a presen\u00e7a dos <em>H. sapiens <\/em>teve grande contribui\u00e7\u00e3o para seu desaparecimento.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXdBK6FdjFORw96F8a-mOyw1L0_WRMe1ZkKIu6Zkq-tai_d9BmTwFUqVrPDjacP2EwSIybuiRE0wFkCofCzQLu5ECnUmX8ZghgziRpvkvY57IdiFYXNRif26LKaG-LryDWjbOT6iOw?key=WdktUnQpZhjl6Efty23LBQ\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Imagem:<\/strong> Human origins and Early Humans dispon\u00edvel em Weebly.com<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LOWE, John. et al. Volcanic ash layers illuminate the resilience of Neanderthals and early modern humans to natural hazards. PNAS, Stanford, v. 109, n. 34, p. 13.352-13.357, agosto, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SULLIVAN, Alexis. MANUEL, Marc. BONET, Tomas. PERRY, George. An evolutionary medicine perspective on Neandertal extinction. Journal of Human Evolution, v. 108, p. 62-71, maio, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nicole de Oliveira Braga<\/strong> \u00e9 graduanda em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, <em>campus<\/em> Rio Parana\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Geovana Vieira Avila<\/strong> \u00e9 graduanda em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, <em>campus <\/em>Rio Parana\u00edba. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s seres humanos, que recebemos o t\u00e3o conhecido nome cient\u00edfico Homo sapiens, somos a \u00fanica esp\u00e9cie vivente dentro deste grupo atualmente. No entanto, h\u00e1 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s o cen\u00e1rio era completamente diferente. Nossos antepassados chegaram a conviver com outras esp\u00e9cies de homin\u00eddeos. 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