{"id":2407,"date":"2025-09-24T17:32:06","date_gmt":"2025-09-24T20:32:06","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2407"},"modified":"2025-09-24T17:32:06","modified_gmt":"2025-09-24T20:32:06","slug":"e-possivel-imortalizar-celulas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2407","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel imortalizar c\u00e9lulas?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea j\u00e1 se perguntou como os cientistas conseguem estudar as c\u00e9lulas? Submet\u00ea-las a v\u00e1rios experimentos, mantendo a maior parte de sua integridade para estudo? Isso \u00e9 poss\u00edvel pela imortaliza\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas! Com a imortaliza\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas o ciclo de vida ser\u00e1 alterado. Isso se refere \u00e0 capacidade de divis\u00e3o da c\u00e9lula por um n\u00famero ilimitado de vezes, um processo que na pesquisa \u00e9 conhecido como &#8220;imortalidade replicativa&#8221;. Durante esse processo,a cada instante, nossas c\u00e9lulas trabalham, e esse trabalho \u00e9 coordenado pelo n\u00facleo da c\u00e9lula. Dentro do n\u00facleo, temos o material gen\u00e9tico dos cromossomos, em que a cada leitura celular comum (o trabalho das c\u00e9lulas durante a vida), a leitura dos cromossomos \u00e9 feita e existe um encurtamento gradual dos tel\u00f4meros (as extremidades dos cromossomos, presentes no n\u00facleo das c\u00e9lulas). Com esse encurtamento, as c\u00e9lulas se aproximam de um estado n\u00e3o proliferativo chamado senesc\u00eancia, que \u00e9 um mecanismo natural para evitar o crescimento descontrolado. Esse mecanismo \u00e9 importante, pois o crescimento celular descontrolado leva a uma displasia celular (anormalidade celular de tamanho, forma e fun\u00e7\u00e3o).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imortaliza\u00e7\u00e3o celular se refere a prolongar o tel\u00f4mero ou impedir que ele seja encurtado com o tempo. Para isso, os cientistas utilizam a telomerase, uma enzima de ribonucleoprote\u00edna, que \u00e9 uma mol\u00e9cula complexa formada pela integra\u00e7\u00e3o entre prote\u00ednas e os RNAs, \u00e1cidos ribonucleicos que possuem material gen\u00e9tico,que sintetiza o DNA telom\u00e9rico para combater o encurtamento dos tel\u00f4meros. Isso d\u00e1 \u00e0 c\u00e9lula uma vida maior, o que nos permite realizar os experimentos com a mesma cultura celular, mantendo a maior parte da integridade da c\u00e9lula. Essa extens\u00e3o dos tel\u00f4meros \u00e9 feita a partir de um estudo da c\u00e9lula em que se quer realizar os experimentos, para que se possa manter as caracter\u00edsticas da c\u00e9lula e n\u00e3o interferir em outros aspectos do ciclo celular, de modo a modificar fun\u00e7\u00e3o e estrutura. Vale destacar, que, toda altera\u00e7\u00e3o de funcionamento celular pode provocar algum dano, mesmo o prolongamento dos tel\u00f4meros, pois foge da normalidade celular. Assim, algumas pequenas altera\u00e7\u00f5es podem acontecer e serem toleradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reativa\u00e7\u00e3o da telomerase, por exemplo, \u00e9 um dos marcos do c\u00e2ncer. At\u00e9 que ponto podemos utilizar essas c\u00e9lulas imortalizadas? \u00c9 uma pergunta latente na pesquisa com cultura celular. A cada passagem celular,ou seja, cada vez que as c\u00e9lulas em cultura v\u00e3o para outro est\u00e1gio da cultura, o aumento de passagens prejudica o estudo, pois a cada modifica\u00e7\u00e3o da cultura, a c\u00e9lula se adapta. Repetidas vezes, isso gera muta\u00e7\u00f5es celulares, o que prejudica a pesquisa, com um resultado distante da realidade da c\u00e9lula em um organismo e em seu funcionamento normal. Com as muta\u00e7\u00f5es induzidas, n\u00e3o sabemos o estado fisiol\u00f3gico normal celular, e sim o novo estado causado pela muta\u00e7\u00e3o, o que, para estudos relacionados a c\u00e9lulas em situa\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00e3o proliferativa como estudos relacionados \u00e0 tumorig\u00eanese e c\u00e2ncer, pode favorecer o entendimento de mecanismos para essas displasias. Mas j\u00e1 para estudos que t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de estudar a c\u00e9lula, ou caracterizar uma prote\u00edna, ou gene no seu estado normal, as muta\u00e7\u00f5es deixam invi\u00e1vel a continuidade do estudo. Cabe, ent\u00e3o, ao pesquisador decidir o tipo celular a ser utilizado para iniciar o processo de imortaliza\u00e7\u00e3o, com um objetivo espec\u00edfico, para, por exemplo, caracterizar essa c\u00e9lula em estado fisiol\u00f3gico normal ou patol\u00f3gico (anormal\/doente), j\u00e1 tendo em mente as varia\u00e7\u00f5es que podem ocorrer ao longo das passagens celulares, para tentar antecipar os poss\u00edveis desvios e saber at\u00e9 onde esses desvios s\u00e3o aceit\u00e1veis. Sendo a base de artigos cient\u00edfico de pesquisas j\u00e1 executadas, um facilitador para os pesquisadores delinearem o limite de passagens celulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, pode ocorrer de n\u00e3o existir um artigo sobre o que o pesquisador est\u00e1 caracterizando exatamente por isso a ci\u00eancia \u00e9 constru\u00edda sempre. Nesses casos em que n\u00e3o houver uma literatura cient\u00edfica espec\u00edfica sobre determinado tipo celular, ou gene, os pesquisadores ir\u00e3o relacionar as caracter\u00edsticas presentes no experimento, \u00e0s informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, criando uma nova hip\u00f3tese sobre essa c\u00e9lula imortalizada e essa caracter\u00edstica do gene ou prote\u00edna que ele est\u00e1 estudando nessa c\u00e9lula.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"646\" height=\"491\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2408\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image.png 646w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-300x228.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Fonte da imagem:<\/strong> FONSECA, P. Hiperatividade pode influenciar o tamanho dos tel\u00f4meros. Revista Pesquisa FAPESP, S\u00e3o Paulo, n. 257, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HE, Yao; FEIGON, Juli. Telomerase structural biology comes of age. Current Opinion in Structural Biology, [S. l.], v. 76, p. 102446, 2022. DOI: 10.1016\/j.sbi.2022.102446.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EM, Smith; DF, Pendlebury; J, Nandakumar. Structural biology of telomeres and telomerase. Cellular and Molecular Life Sciences, [S. l.], v. 77, n. 1, p. 61-79, 2020. DOI: 10.1007\/s00018-019-03369-x.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leila Maria Luz Bassam<\/strong> \u00e9 mestranda em Biologia Oral pela Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto &#8211; USP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 se perguntou como os cientistas conseguem estudar as c\u00e9lulas? Submet\u00ea-las a v\u00e1rios experimentos, mantendo a maior parte de sua integridade para estudo? Isso \u00e9 poss\u00edvel pela imortaliza\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas! Com a imortaliza\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas o ciclo de vida ser\u00e1 alterado. 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