{"id":242,"date":"2014-09-03T08:58:18","date_gmt":"2014-09-03T11:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=242"},"modified":"2014-09-03T08:58:18","modified_gmt":"2014-09-03T11:58:18","slug":"macauba-de-proveta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=242","title":{"rendered":"Maca\u00faba de Proveta."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Luciano Bueno dos Reis.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A maca\u00faba, conhecida no meio cient\u00edfico como <em>Acrocomia aculeata<\/em>, \u00e9 uma palmeira da Fam\u00edlia Arecaceae ou Palmae, bastante comum no Sudeste e Centro-oeste do Brasil, sobretudo no bioma do Cerrado. Ela pode atingir at\u00e9 15m de altura e sua estirpe apresenta muitos espinhos, assim como as folhas e cachos de frutos (coquinhos). No seu nome cient\u00edfico, \u201caculeata\u201d faz refer\u00eancia \u00e0 presen\u00e7a destes espinhos, os quais s\u00e3o negros, com cerca de 10 cm de comprimento.<\/p>\n<p>A polpa da maca\u00faba \u00e9 rica em caroten\u00f3ides (provitamina A) e em um experimento realizado com ratos, a adi\u00e7\u00e3o de farinha da polpa de maca\u00faba \u00e0 ra\u00e7\u00e3o se mostrou melhor que a adi\u00e7\u00e3o da Vitamina A industrializada. Esta palmeira tamb\u00e9m apresenta forte intera\u00e7\u00e3o com a fauna e seus frutos fazem parte da dieta de araras, capivaras, antas e emas, entre outros animais, os quais s\u00e3o os dispersores das sementes. Grande produtora de \u00f3leo de excelente qualidade, a maca\u00faba pode se tornar uma importante fonte de mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, especialmente em Minas Gerais, onde pode ser encontrada em todo o Estado, adaptando-se a diversas condi\u00e7\u00f5es ambientais e diversos tipos de solos. Esta esp\u00e9cie produz cerca de quatro toneladas de \u00f3leo por hectare. A soja, por exemplo, produz apenas meia tonelada de \u00f3leo na mesma \u00e1rea.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, o \u00f3leo de maca\u00faba tamb\u00e9m pode ser utilizado na ind\u00fastria aliment\u00edcia e de cosm\u00e9ticos. A confec\u00e7\u00e3o de sab\u00e3o com a maca\u00faba \u00e9 bastante comum nas comunidades rurais. Ap\u00f3s a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo, a torta que sobra desse processo pode ser utilizada na alimenta\u00e7\u00e3o do gado ou na aduba\u00e7\u00e3o de lavouras. O endocarpo (parte escura que envolve a semente) tamb\u00e9m pode ser aproveitado para produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o de excelente qualidade. Apesar do grande potencial para produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo, esta esp\u00e9cie ainda \u00e9 pouco estudada e pouco explorada economicamente. Diversos obst\u00e1culos impedem sua efetiva utiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a come\u00e7ar pela dificuldade de propaga\u00e7\u00e3o em larga escala, pois em condi\u00e7\u00f5es naturais, suas sementes podem levar cerca de dois anos para germinar.<\/p>\n<p>Atualmente muitas pesquisas est\u00e3o sendo realizadas com a maca\u00faba, em diversas \u00e1reas do conhecimento. Na UFV, Campus de Rio Parana\u00edba, um projeto financiado pela FAPEMIG investiga o uso da Cultura de Tecidos Vegetais, uma ferramenta da biotecnologia, na propaga\u00e7\u00e3o in vitro da maca\u00faba. A Cultura de Tecidos Vegetais \u00e9 um conjunto de t\u00e9cnicas que nos permite manipular a forma\u00e7\u00e3o de novas plantas in vitro, a partir de c\u00e9lulas, segmentos de tecidos ou \u00f3rg\u00e3os vegetais isolados de uma planta. Tamb\u00e9m \u00e9 a base para obten\u00e7\u00e3o, por exemplo, de clones das mais diversas esp\u00e9cies e tamb\u00e9m de boa parte das plantas transg\u00eanicas. Por meio das t\u00e9cnicas da Cultura de Tecidos Vegetais, como o cultivo de embri\u00f5es in vitro, \u00e9 poss\u00edvel obter a germina\u00e7\u00e3o da maca\u00faba em apenas quatro semanas, e, pela indu\u00e7\u00e3o de embriog\u00eanese som\u00e1tica, podemos produzir clones de plantas selecionadas com melhores caracter\u00edsticas agron\u00f4micas (maior produtividade, menor porte, aus\u00eancia de espinhos, por exemplo) e produzi-las em larga escala.<\/p>\n<p>As pesquisas com maca\u00faba est\u00e3o aumentando, mas ainda h\u00e1 muito por se fazer. Apesar de j\u00e1 terem sido obtidos embri\u00f5es som\u00e1ticos de maca\u00faba, o protocolo para obten\u00e7\u00e3o desses embri\u00f5es ainda precisa ser aperfei\u00e7oado, bem como seu crescimento e desenvolvimento in vitro. A Cultura de Tecidos Vegetais tem muito a contribuir para efetiva utiliza\u00e7\u00e3o da maca\u00faba como mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, sendo este um campo bastante promissor para inser\u00e7\u00e3o de bi\u00f3logos no mercado de trabalho. Na UFV-CRP, os futuros bi\u00f3logos encontrar\u00e3o oportunidades de estagiar nesta e em outras pesquisas na \u00e1rea da biotecnologia vegetal.<\/p>\n<p><strong>Luciano Bueno dos Reis<\/strong> \u00e9 bi\u00f3logo, mestre e doutor em Fisiologia Vegetal. \u00c9 professor do campus de Rio Parana\u00edba da UFV e atua na \u00e1rea de Fisiologia Vegetal e Biotecnologia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Reis, L.B. (2010). Maca\u00faba de Proveta. Folha biol\u00f3gica 1 (2): 4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciano Bueno dos Reis. \u00a0 A maca\u00faba, conhecida no meio cient\u00edfico como Acrocomia aculeata, \u00e9 uma palmeira da Fam\u00edlia Arecaceae ou Palmae, bastante comum no Sudeste e Centro-oeste do Brasil, sobretudo no bioma do Cerrado. 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