{"id":2462,"date":"2025-12-29T11:16:32","date_gmt":"2025-12-29T14:16:32","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2462"},"modified":"2025-12-29T11:16:32","modified_gmt":"2025-12-29T14:16:32","slug":"a-influencia-do-nanismo-insular-na-evolucao-humana-homo-floresiensis-e-homo-luzonensis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=2462","title":{"rendered":"A influ\u00eancia do nanismo insular na evolu\u00e7\u00e3o humana: Homo floresiensis e Homo luzonensis."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <em>Homo floresiensis<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie de homin\u00eddeo descrita por Peter Brown e sua equipe em 2004. Os primeiros registros f\u00f3sseis foram encontrados na caverna de Liang Bua, localizada na ilha das Flores, Indon\u00e9sia, em 2003. Estima-se que tenha vivido entre 190 a 50 mil anos atr\u00e1s no Pleistoceno Superior, gra\u00e7as \u00e0 data\u00e7\u00e3o de antigas ferramentas de pedra dessa esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferente de outras esp\u00e9cies do g\u00eanero homo, o <em>H. floresiensis<\/em> era de pequeno porte, podendo medir entre 1 a 1,1 m de altura, cr\u00e2nio e c\u00e9rebro pequenos. Essas caracter\u00edsticas s\u00e3o semelhantes, se n\u00e3o menores, \u00e0s dos <em>Australopithecus afarensis<\/em>, mas os ossos das articula\u00e7\u00f5es e dos membros s\u00e3o semelhantes aos primeiros <em>Homo.<\/em> Apesar de seu c\u00e9rebro pequeno, ferramentas de pedras indicam que ele possu\u00eda habilidades cognitivas significativas. Alguns pesquisadores no passado, sugeriram a hip\u00f3tese de que o <em>H. floresiensis<\/em> seria um <em>Homo sapiens<\/em> com alguma doen\u00e7a gen\u00e9tica, como a microcefalia, mas essa hip\u00f3tese foi descartada, pois as caracter\u00edsticas \u00f3sseas s\u00e3o incompat\u00edveis com condi\u00e7\u00f5es conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, o <em>Homo luzonensis<\/em> foi descoberto em 2007 na Caverna Callao, ao norte da ilha de Luzon nas Filipinas. No entanto, foi descrita como uma nova esp\u00e9cie apenas em 2019 por Florent D\u00e9troit e seus colaboradores. Estima-se que tenha vivido entre 67 a 50 mil anos atr\u00e1s, tamb\u00e9m no Pleistoceno superior, gra\u00e7as \u00e0 data\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios registros f\u00f3sseis. Sendo tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de pequeno porte, medindo cerca de 1,2 m de altura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">An\u00e1lises de seus restos dent\u00e1rios mostraram semelhan\u00e7a com o <em>H. floresiensis<\/em> e <em>Homo erectus<\/em> quanto \u00e0 forma e tamanho dos pr\u00e9-molares. No entanto, a coroa, ra\u00edzes e a jun\u00e7\u00e3o do esmalte com a dentina s\u00e3o, em maioria, semelhantes \u00e0 dos <em>Australopithecus<\/em>, assim como a m\u00e3o e os p\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das hip\u00f3teses mais aceitas \u00e9 que o <em>H. floresiensis <\/em>e o <em>H. luzonensis<\/em> sejam descendentes de popula\u00e7\u00f5es de <em>H. erectus <\/em>e que tenham passado por um processo de nanismo insular. Esse fen\u00f4meno ocorre em ambientes isolados, onde a limita\u00e7\u00e3o de recursos e o isolamento geogr\u00e1fico levaram \u00e0 redu\u00e7\u00e3o no tamanho corporal e cerebral em ambas as esp\u00e9cies. Alguns dos fatores que apoiam essa hip\u00f3tese \u00e9 o fato de que em ambas as ilhas, havia uma fauna end\u00eamica de vertebrados que sofreu com influ\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o insular. Quando uma esp\u00e9cie tentava colonizar a ilha, as press\u00f5es seletivas faziam com que ao longo do tempo, seus descendentes dessem origem a uma nova esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esp\u00e9cies cujos ancestrais do continente eram de pequeno porte na ilha se tornaram grandes (gigantismo insular) como o lagarto-monitor de Komodo, ratos gigantes e tartarugas. Por outro lado, animais que antes eram grandes deram origem a esp\u00e9cies de menor tamanho (nanismo insular) como por exemplo o <em>Stegodon<\/em> an\u00e3o. Portanto, seria plaus\u00edvel que essas esp\u00e9cies de homin\u00eddeos tivessem sofrido essa influ\u00eancia do nanismo insular. A influ\u00eancia das ilhas por meio do nanismo insular no <em>H. floresiensis<\/em> e no <em>H. luzonensis<\/em>, \u00e9 um exemplo claro de como as press\u00f5es seletivas, como a aus\u00eancia ou o menor n\u00famero de predadores, restri\u00e7\u00e3o de recursos alimentares e o isolamento geogr\u00e1fico, podem atuar sobre o surgimento de novas esp\u00e9cies e novas caracter\u00edsticas. Essas caracter\u00edsticas mostram como eles se adaptaram e se diversificaram para sobreviver nesses ambientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vin\u00edcius Gon\u00e7alves de Miranda<\/strong> \u00e9 graduando em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, <em>Campus<\/em> Rio Parana\u00edba. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Maiara Monique de Oliveira Almeida<\/strong> \u00e9 bi\u00f3loga pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, <em>Campus<\/em> Rio Parana\u00edba. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paulo Victor Alves de Souza<\/strong> \u00e9 graduando em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, <em>Campus <\/em>Rio Parana\u00edba.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Brown P, et al. (2004). A new small-bodied hominin from the Late Pleistocene of Flores, Indonesia. Nature, v. 431, n. 7012, p. 1055-1061.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D\u00e9troit F, et al. (2019). A new species of Homo from the Late Pleistocene of the Philippines. Nature, v. 568, n. 7751, p. 181-186<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Homo floresiensis \u00e9 uma esp\u00e9cie de homin\u00eddeo descrita por Peter Brown e sua equipe em 2004. Os primeiros registros f\u00f3sseis foram encontrados na caverna de Liang Bua, localizada na ilha das Flores, Indon\u00e9sia, em 2003. 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