{"id":283,"date":"2014-09-17T08:28:58","date_gmt":"2014-09-17T11:28:58","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=283"},"modified":"2014-09-17T08:29:09","modified_gmt":"2014-09-17T11:29:09","slug":"bronzeamento-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=283","title":{"rendered":"Bronzeamento e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Karine Frehner Kavalco<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A \u201cgera\u00e7\u00e3o sa\u00fade\u201d de alguns anos atr\u00e1s era caracterizada por um corpo malhado e pele dourada. Depois de anos de cultura ao sol e \u00e0s peles bronzeadas, foi apenas na d\u00e9cada de 80 que as pesquisas mostraram o perigo da exposi\u00e7\u00e3o irrestrita ao sol.<\/p>\n<p>O bronzeamento ou escurecimento da pele \u00e9 causado pelo aumento de melanina (um pigmento castanho) dentro das c\u00e9lulas da pele, no per\u00edodo logo ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar. A melanina \u00e9 produzida e liberada por c\u00e9lulas chamadas melan\u00f3citos, e atua na prote\u00e7\u00e3o da pele. Ela impede o corpo de absorver radia\u00e7\u00e3o solar em excesso, o que pode ser prejudicial. Dependendo de sua etnia e constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, algumas pessoas podem adquirir um bronzeado muito maior e mais rapidamente que outras. Embora atue na prote\u00e7\u00e3o da pele, a melanina n\u00e3o tem o poder de bloquear a incid\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o solar, e mesmo pessoas mais morenas podem ter queimaduras de pele devidas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o em excesso.<\/p>\n<p>A radia\u00e7\u00e3o emitida pelo sol pode ser dividida em fun\u00e7\u00e3o de suas frequ\u00eancias de onda. A radia\u00e7\u00e3o ultravioleta (UV) \u00e9 a radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica ou os raios ultravioleta com um comprimento de onda menor que a da luz vis\u00edvel e maior que a dos raios X, de 380 a 1 nm (nan\u00f4metros). O nome significa \u201cmais alta que violeta\u201d, pois o violeta \u00e9 a cor com comprimento de onda mais curto e com maior frequ\u00eancia dentre todas as cores da luz vis\u00edvel. Mesmo em dias nublados de ver\u00e3o, a incid\u00eancia de raios UV \u00e9 alta, pois eles atravessam as nuvens.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pelo bronzeamento, a radia\u00e7\u00e3o UV \u00e9 frequentemente subdividida nas faixas UVA (comprimento de onda de 315 a 400 nm) e UVB (comprimento de onda de 280 a 315 nm). As ondas UVB t\u00eam maior energia que as ondas UVA e s\u00e3o, consequentemente, mais danosas e mutag\u00eanicas (causadoras de muta\u00e7\u00f5es no DNA). Os raios UV s\u00e3o absorvidos pelas bases do DNA (purinas e pirimidinas), prejudicando o ajuste da dupla fita e os processos de multiplica\u00e7\u00e3o celular. A multiplica\u00e7\u00e3o celular descontrolada gera o que chamamos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Embora nossas c\u00e9lulas tenham mecanismos pr\u00f3prios de reparo do DNA, as muta\u00e7\u00f5es frequentemente levam ao surgimento de c\u00e2nceres de pele (melanomas, carcinomas e sarcomas). N\u00e3o apenas os c\u00e2nceres est\u00e3o associados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o solar exagerada e \u00e0 influ\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o UV, mas tamb\u00e9m o envelhecimento acelerado e as queimaduras de pele (n\u00e3o \u00e9 o ar aquecido pelo sol que a queima).<\/p>\n<p>Em casos extremos, pessoas com predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica (defici\u00eancia no reparo p\u00f3s-mutacional de DNA) podem desenvolver um quadro grave de uma doen\u00e7a conhecida por \u201cXeroderma pigmentoso\u201d. Devido a essa defici\u00eancia no mecanismo de reparo do DNA os pacientes apresentam elevada fotossensibilidade e desenvolvem precocemente les\u00f5es degenerativas na pele, tais como sardas, manchas, e diversos c\u00e2nceres da pele. Aspecto ressecado e extremamente manchado na pele, adquirido normalmente depois de muitos anos de exposi\u00e7\u00e3o ao sol, se desenvolve em crian\u00e7as com esta altera\u00e7\u00e3o. No xeroderma pigmentoso a precau\u00e7\u00e3o mais importante \u00e9 proteger-se da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ultravioleta. Pessoas com esta doen\u00e7a devem evitar atividades externas durante o dia, utilizar barreiras de prote\u00e7\u00e3o como roupas especiais, bloqueador solar, \u00f3culos escuros e chap\u00e9u.<\/p>\n<p>Felizmente n\u00e3o \u00e9 preciso tomar medidas extremas na maioria dos casos, e praticamente todas as pessoas podem usufruir dos benef\u00edcios da vida ao ar livre. Justamente por isso \u00e9 que o uso de um protetor solar (que bloqueie UVA e UVB) torna-se obrigat\u00f3rio no dia-a-dia, fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol!<\/p>\n<p><strong>Karine Frehner Kavalco<\/strong> \u00e9 bi\u00f3loga, mestre em Gen\u00e9tica e Evolu\u00e7\u00e3o e doutora em Gen\u00e9tica. \u00c9 professora do campus de Rio Parana\u00edba da UFV e atua na \u00e1rea de Gen\u00e9tica e Evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Kavalco, K.F. (2010). Bronzeamento e sa\u00fade. Folha biol\u00f3gica 1 (4): 4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karine Frehner Kavalco \u00a0 A \u201cgera\u00e7\u00e3o sa\u00fade\u201d de alguns anos atr\u00e1s era caracterizada por um corpo malhado e pele dourada. Depois de anos de cultura ao sol e \u00e0s peles bronzeadas, foi apenas na d\u00e9cada de 80 que as pesquisas mostraram o perigo da exposi\u00e7\u00e3o irrestrita ao sol. 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