{"id":294,"date":"2014-09-25T15:47:08","date_gmt":"2014-09-25T18:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=294"},"modified":"2014-09-25T15:47:17","modified_gmt":"2014-09-25T18:47:17","slug":"entender-o-presente-olhando-o-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=294","title":{"rendered":"Entender o presente, olhando o passado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Juan Carlos Cisneros<\/em><\/p>\n<p>Os f\u00f3sseis, que nada mais s\u00e3o que restos de formas antigas, s\u00e3o conhecidos pela humanidade desde tempos remotos. O homem pr\u00e9-hist\u00f3rico usava ossos f\u00f3sseis como mat\u00e9ria prima para criar ferramentas e arte. E isto ainda \u00e9 feito por algumas culturas primitivas.\u00a0 A ci\u00eancia que estuda os f\u00f3sseis \u00e9 a Paleontologia (do grego palaios=antigo, onto=ser, logos=conhecimento; &#8220;conhecimento de seres antigos&#8221;). A Paleontologia \u00e9 uma ci\u00eancia que se situa em uma interface entre a Biologia e a Geologia, usando conhecimentos de ambas.<\/p>\n<p>Poucos ramos do conhecimento t\u00eam fornecido tantas evid\u00eancias em favor da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies como a Paleontologia. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o aceitar que as aves descendem dos r\u00e9pteis, ap\u00f3s observar com aten\u00e7\u00e3o os restos da ave primitiva Archaeopteryx. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o reconhecer o parentesco t\u00e3o pr\u00f3ximo entre o ser humano e os outros primatas, ap\u00f3s observar o esqueleto de algum homin\u00eddeo primitivo.<\/p>\n<p>\u00c9 muito prov\u00e1vel que os ossos e as pegadas de grandes animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos tenham dado origem \u00e0s lendas sobre v\u00e1rios seres mitol\u00f3gicos. Na China os restos de dinossauros s\u00e3o ainda conhecidos na linguagem popular dos camponeses como &#8220;ossos de drag\u00e3o&#8221;.\u00a0 O mito do Grifo, que, segundo a narra\u00e7\u00e3o de Her\u00f3doto habitava entre a Mong\u00f3lia e a China, seguramente originou-se pela observa\u00e7\u00e3o de restos de Protoceraptops (dinossauro do mesmo grupo de Triceratops), comuns nessa regi\u00e3o.\u00a0 Na Europa, algumas narra\u00e7\u00f5es sobre drag\u00f5es como a de Siegfried e a de S\u00e3o Jorge, podem ter se originado pela observa\u00e7\u00e3o das pegadas de grandes r\u00e9pteis do per\u00edodo Tri\u00e1ssico, tais como <em>Chirotherium<\/em>, cujos registros s\u00e3o comuns na Alemanha e na Gr\u00e3 Bretanha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Entender-o-Presente-olhando-o-passado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-295\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Entender-o-Presente-olhando-o-passado.jpg\" alt=\"Entender o Presente, olhando o passado\" width=\"215\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Entender-o-Presente-olhando-o-passado.jpg 215w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Entender-o-Presente-olhando-o-passado-77x100.jpg 77w\" sizes=\"auto, (max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, em Connecticut, EUA, uma crian\u00e7a camponesa descobriu uma s\u00e9rie de pegadas de dinossauros. A ci\u00eancia ainda n\u00e3o conhecia a exist\u00eancia dos dinossauros naquela \u00e9poca e os habitantes da regi\u00e3o atribu\u00edram estas pegadas a &#8220;aves gigantes&#8221;. O estudo dos f\u00f3sseis tem despertado a curiosidade e o fasc\u00ednio desde a Antiguidade, embora atualmente a paleontologia seja uma ci\u00eancia bastante desenvolvida e ampla.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, os s\u00e1bios Anaximandro, Pit\u00e1goras, Xen\u00f3fanes e Her\u00f3doto afirmaram corretamente que os f\u00f3sseis marinhos encontrados em terra firme pertenceram a animais que viveram no oceano e, consequentemente, o que agora era terra firme teria sido fundo de mar. Esta ideia foi esquecida por s\u00e9culos e s\u00f3 ap\u00f3s o fim da Idade M\u00e9dia, retomar-se-ia a este conceito. Durante o Renascimento, Leonardo da Vinci estudou moluscos marinhos f\u00f3sseis encontrados nas montanhas do interior da It\u00e1lia. A explica\u00e7\u00e3o tradicional dizia que estas conchas teriam sido depositadas no alto das montanhas ao serem levadas pelo dil\u00favio relatado na B\u00edblia.\u00a0 Da Vinci provou que isso era falso, j\u00e1 que as conchas encontravam-se em posi\u00e7\u00e3o de vida, ou seja, elas viveram no pr\u00f3prio local em que se encontravam, e, por tanto, n\u00e3o foram transportadas por acidente. Ele tamb\u00e9m mostrou que estes moluscos n\u00e3o poderiam ter migrado por seus pr\u00f3prios meios desde o litoral at\u00e9 o alto das montanhas durante o dil\u00favio universal, j\u00e1 que o tempo de dura\u00e7\u00e3o do dil\u00favio era muito reduzido para que eles percorressem as dezenas de quil\u00f4metros que separam estas montanhas da costa.<\/p>\n<p>Assim, da Vinci mostrou que essas montanhas foram uma vez leito marinho permanente.\u00a0 Parte do trabalho dos bi\u00f3logos paleont\u00f3logos consiste em descrever novas esp\u00e9cies, estudar a evolu\u00e7\u00e3o dos diferentes grupos, estimar as \u00e9pocas em que os organismos viveram estabelecer as rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas entre estes, reconstruir o seu meio ambiente, as poss\u00edveis causas da sua extin\u00e7\u00e3o, etc.\u00a0 Este trabalho n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, j\u00e1 que o registro f\u00f3ssil \u00e9 muito incompleto, ou seja, os achados f\u00f3sseis representam apenas uma pequena parte das formas de vida que existiram na Terra. Muitas esp\u00e9cies extinguiram-se sem deixar rastro algum, por terem existido em um per\u00edodo de tempo muito curto ou por terem habitado em ambientes que n\u00e3o facilitavam a sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Terra \u00e9 como um livro ao qual faltam muitas p\u00e1ginas e \u00e0s vezes cap\u00edtulos inteiros, principalmente no in\u00edcio deste. No entanto, com ajuda do m\u00e9todo cient\u00edfico \u00e9 poss\u00edvel preencher esse livro, pelo menos em parte, para que todos o possam ler.<\/p>\n<p><strong>Juan Carlos Cisneros <\/strong>\u00e9 bi\u00f3logo, mestre e doutor em Paleontologia. Atualmente \u00e9 professor da UFPI e pesquisa tetr\u00e1podes do Gonduana.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Cisneros, J.C (2011) Entender o presente, olhando o passado. Folha biol\u00f3gica 2 (1): 1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juan Carlos Cisneros Os f\u00f3sseis, que nada mais s\u00e3o que restos de formas antigas, s\u00e3o conhecidos pela humanidade desde tempos remotos. O homem pr\u00e9-hist\u00f3rico usava ossos f\u00f3sseis como mat\u00e9ria prima para criar ferramentas e arte. 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