{"id":299,"date":"2014-09-26T09:38:05","date_gmt":"2014-09-26T12:38:05","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=299"},"modified":"2014-09-26T09:38:05","modified_gmt":"2014-09-26T12:38:05","slug":"para-que-servem-as-matas-ciliares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=299","title":{"rendered":"Para qu\u00ea servem as matas ciliares?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Simone Rodrigues Slusarski<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o marginal aos cursos de \u00e1gua tem classifica\u00e7\u00e3o diversificada no Brasil em decorr\u00eancia, principalmente, da sua ampla distribui\u00e7\u00e3o e dos diferentes ambientes em que ocorre. \u00c9 tratada na literatura com uma nomenclatura variada e confusa, dentre elas, floresta (ou mata) ciliar, de galeria, de v\u00e1rzea, ribeirinha, rip\u00e1ria (rip\u00edcola) ou aluvial est\u00e3o entre as denomina\u00e7\u00f5es mais comumente utilizadas, das quais mata ciliar \u00e9 a mais popular. Em rela\u00e7\u00e3o aos termos, ciliar \u00e9 derivado de c\u00edlio, referindo-se a prote\u00e7\u00e3o; rip\u00e1ria significa pr\u00f3ximo ao corpo de \u00e1gua; zona rip\u00e1ria \u00e9 definida como um espa\u00e7o tridimensional que abrange vegeta\u00e7\u00e3o, solo e rio e ecossistema rip\u00e1rio quando se inclui sistemas, processos e mecanismos. Essa vegeta\u00e7\u00e3o \u00e0s margens dos cursos de \u00e1gua, na interface entre os ambientes aqu\u00e1ticos e terrestres, \u00e9 denominada ec\u00f3tono rip\u00e1rio. Alguns autores utilizam o termo vegeta\u00e7\u00e3o rip\u00e1ria, aplicando-o a toda e qualquer vegeta\u00e7\u00e3o da margem, pois o termo rip\u00e1rio permite abrang\u00eancia n\u00e3o apenas da vegeta\u00e7\u00e3o relacionada ao corpo de \u00e1gua, mas tamb\u00e9m aquela localizada nas suas margens.\u00a0 A import\u00e2ncia da vegeta\u00e7\u00e3o rip\u00e1ria est\u00e1 relacionada \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es, dentre elas: estabilidade das margens pela manuten\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de um emaranhado de ra\u00edzes, evitando a eros\u00e3o; armazenamento e qualidade da \u00e1gua da micro bacia por meio da filtragem de nutrientes, sedimentos e agrot\u00f3xicos; atrav\u00e9s de suas copas, intercepta e absorve a radia\u00e7\u00e3o solar, contribuindo para a estabilidade t\u00e9rmica dos pequenos cursos de \u00e1gua; mant\u00e9m a biodiversidade do ecossistema aqu\u00e1tico e terrestre;\u00a0 atua como corredores ecol\u00f3gicos que interligam diferentes unidades fitogeogr\u00e1ficas e permitem o deslocamento de animais e a dispers\u00e3o de plantas; promove o aumento da complexidade dos habitats, que constituem abrigo e fonte alimentar para as faunas terrestre e aqu\u00e1tica.<\/p>\n<p>Apesar de sua inquestion\u00e1vel import\u00e2ncia ambiental e social, as matas ciliares foram fragmentadas e devastadas em benef\u00edcio do processo de ocupa\u00e7\u00e3o do Brasil, para dar lugar \u00e0s cidades, culturas agr\u00edcolas e pastagens, o que resultou na destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Al\u00e9m da falta de planejamento inicial, esse fato tamb\u00e9m ocorreu devido ao n\u00e3o cumprimento da lei, a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e ao descaso \u00e0s quest\u00f5es ambientais.\u00a0\u00a0 A faixa marginal aos corpos de \u00e1gua tem sua prote\u00e7\u00e3o assegurada no \u00e2mbito Federal por meio de Leis, Decretos de Regulamenta\u00e7\u00e3o, Medidas Provis\u00f3rias e Resolu\u00e7\u00f5es do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), al\u00e9m de legisla\u00e7\u00f5es estaduais. A primeira lei que estabeleceu prote\u00e7\u00e3o das \u00e1reas marginais dos cursos de \u00e1gua foi o C\u00f3digo Florestal (Decreto no. 23.793, de 23 de Janeiro de 1934) revogado pelo Novo C\u00f3digo Florestal (Lei no. 4.771, de 15 de Setembro de 1965 e suas altera\u00e7\u00f5es, 1986 e 1989). De acordo com o artigo 2o, as matas ciliares abrangem, como \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente, as florestas e demais vegeta\u00e7\u00f5es existentes ao redor dos rios, nascentes, lagoas e reservat\u00f3rios, especificando a dimens\u00e3o m\u00ednima da faixa marginal a ser preservada (30-500m). Esta lei tamb\u00e9m imp\u00f4s a necessidade de florestamento ou reflorestamento em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Pelo rigor de suas restri\u00e7\u00f5es, atualmente o Novo C\u00f3digo Florestal est\u00e1 sendo amplamente discutido entre os v\u00e1rios setores da sociedade.\u00a0 Este processo de elimina\u00e7\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es vegetais, dentre elas as matas ciliares, resultou num conjunto de problemas ambientais, como extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies da fauna e da flora, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas locais, eros\u00e3o dos solos e assoreamento de rios. Em virtude desse panorama de degrada\u00e7\u00e3o, aliada \u00e0s quest\u00f5es legais, tem havido iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o rip\u00e1ria por meio de pesquisadores vinculados \u00e0 universidades, centros de pesquisas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados, com objetivos de prote\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios de abastecimento p\u00fablico, de gera\u00e7\u00e3o de energia, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e, mais recentemente, fundamentadas em quest\u00f5es ecol\u00f3gicas, tais como corredores ecol\u00f3gicos, prote\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es e\/ou comunidades. Em meio a esse cen\u00e1rio, vale a pena refletirmos&#8230;<\/p>\n<p>No que est\u00e3o pautadas nossas decis\u00f5es e atitudes cotidianas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais? Tenho a real consci\u00eancia de sua import\u00e2ncia e que fa\u00e7o parte desse complexo meio ambiente? Ou apenas estou sendo levado pela recente \u201cenxurrada\u201d de marketing e modismo ambiental?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Slusarski, S.R (2011). Para qu\u00ea servem as matas ciliares. Folha biol\u00f3gica 2 (1):3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simone Rodrigues Slusarski &nbsp; A vegeta\u00e7\u00e3o marginal aos cursos de \u00e1gua tem classifica\u00e7\u00e3o diversificada no Brasil em decorr\u00eancia, principalmente, da sua ampla distribui\u00e7\u00e3o e dos diferentes ambientes em que ocorre. \u00c9 tratada na literatura com uma nomenclatura variada e confusa, dentre elas, floresta (ou mata) ciliar, de galeria, de v\u00e1rzea, ribeirinha, rip\u00e1ria (rip\u00edcola) ou aluvial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":945,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[318],"tags":[329,17,21,24,328],"class_list":["post-299","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume-2","tag-agua","tag-botanica","tag-codigo-florestal","tag-conservacao","tag-vegetacao-riparia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/945"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=299"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":312,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/299\/revisions\/312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}