{"id":313,"date":"2014-10-07T09:12:55","date_gmt":"2014-10-07T12:12:55","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=313"},"modified":"2014-10-07T09:12:55","modified_gmt":"2014-10-07T12:12:55","slug":"desbravadores-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=313","title":{"rendered":"Desbravadores da Natureza"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Simone Rodrigues Slusarski<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Os naturalistas que vieram ao Brasil no s\u00e9culo XIX haviam tomado a dif\u00edcil decis\u00e3o de viajar, pois al\u00e9m dos perigos da viagem, a comunidade cient\u00edfica n\u00e3o era un\u00e2nime quanto \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho do viajante.\u00a0 Muitos dos mais importantes naturalistas europeus nunca viajaram. Para esta fun\u00e7\u00e3o treinava-se jardineiros coletores, desenhistas, pintores e preparadores de animais que acompanhavam ou substitu\u00edam os pr\u00f3prios naturalistas.\u00a0\u00a0 O exemplo mais conhecido do pesquisador que defendia a viagem como parte indispens\u00e1vel foi Alexander von Humboldt. Acreditava que as impress\u00f5es est\u00e9ticas vivenciadas pelo viajante, fazia parte da atividade cient\u00edfica e n\u00e3o podia ser substitu\u00edda por descri\u00e7\u00f5es ou amostras destacadas dos lugares de onde foram tiradas. Alguns dos viajantes-naturalistas que vieram ao Brasil e foram influenciados por esta ideia de Humboldt, como Martius e Saint Hilaire, optaram pelas expedi\u00e7\u00f5es, pelo simples fato de \u201cver com os pr\u00f3prios olhos\u201d e assim produzir ci\u00eancia in loco. Muitos cientistas vieram ao Brasil e cada um deixou uma importante contribui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica retratando o ambiente, a hist\u00f3ria e os costumes de nossos povos.<\/p>\n<p>Langsdorff esteve aqui em 1803 e retornou em 1813 como c\u00f4nsul da R\u00fassia. Em 1820 foi encarregado pelo governo Russo a organizar uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a qual fizera parte Riedel e Freyreiss. Esta miss\u00e3o organizou um herb\u00e1rio com 60.000 exemplares que foi levado para S\u00e3o Petersburg, hoje Leningrado. Sellow nasceu em 1789 na Alemanha, conheceu Humboldt e Langsdorff, veio jovem para o Brasil e com recursos financeiros dos dois amigos pode desenvolver suas pesquisas. Foi Sellow o bot\u00e2nico que forneceu a maior quantidade de material utilizado na Flora Brasiliensis, publica\u00e7\u00e3o de Martius.\u00a0 Maximiliano, um naturalista possuidor de recursos financeiros, viajou pelo Brasil de 1815-1817. Em 1820 publicou \u201cReise nach Brasilien\u201d, retratando a flora e a fauna, com v\u00e1rias ilustra\u00e7\u00f5es de pr\u00f3prio punho. Na mesma \u00e9poca, Auguste de Saint Hilaire, por influ\u00eancia de Conde de Luxemburgo, permaneceu no Brasil de 1816-1822. Al\u00e9m de coleta de material zool\u00f3gico e bot\u00e2nico, contribuiu com observa\u00e7\u00f5es da geografia humana, hist\u00f3ria e etnogeografia. Uma de suas obras mais famosas \u00e9 a Flora Brasiliae Meridionalis, em colabora\u00e7\u00e3o com Jussieu e Cambessed\u00e9s. Em uma passagem nos relatos de suas expedi\u00e7\u00f5es, Saint-Hilaire retrata a\u00a0 diversidade da Mata Atl\u00e2ntica:<\/p>\n<p><strong>\u201cNada aqui lembra\u00a0 a cansativa monotonia de nossas florestas de carvalhos e de pinheiros; cada \u00e1rvore tem, por assim dizer, um porte que lhe \u00e9 pr\u00f3prio; cada uma tem sua folhagem e oferece frequentemente uma tonalidade de verde diferente das \u00e1rvores vizinhas. Vegetais, que pertencem a fam\u00edlias distantes, misturam seus galhos e confundem suas folhas\u201d.\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Ele documentou tamb\u00e9m a extensa devasta\u00e7\u00e3o feita em nossas matas pelo homem branco, referindo-se ao fato de que as pastagens s\u00e3o queimadas anualmente a fim de se obter erva fresca para o gado e que os fornos de Ipanema eram aquecidos com toras de peroba. At\u00e9 o presente momento, estes trabalhos foram relevantes para a flora brasileira, por\u00e9m a obra mais extensa e de maior import\u00e2ncia para o Brasil, no que diz respeito a sua vegeta\u00e7\u00e3o, foi a de Carl Friedrich Phillipp von Martius.\u00a0 Martius nasceu na Baviera em 17 de abril de 1794, veio ao Brasil integrante de uma comitiva de s\u00e1bios reunidos para acompanhar D. Leopoldina, a Arquiduquesa que havia contra\u00eddo casamento com Pedro I, herdeiro da coroa portuguesa. Os pesquisadores chegaram ao Brasil em 15 de julho de 1817 e iniciaram imediatamente suas expedi\u00e7\u00f5es pelas matas de Santa Tereza, Tijuca e Niter\u00f3i.\u00a0 Al\u00e9m da taxonomia de plantas superiores escreveu tamb\u00e9m sobre nossas plantas medicinais, cript\u00f3gamas, observa\u00e7\u00f5es fitogeogr\u00e1ficas, quest\u00f5es etnogeogr\u00e1ficas, assuntos lingu\u00edsticos, costumes ind\u00edgenas e organizou um mapa fitogeogr\u00e1fico do Brasil. Influenciado por Metternich, Chanceler da \u00c1ustria, o imperador desse pa\u00eds e o rei da Bavieria se interessaram pelo trabalho do ilustre bot\u00e2nico e em 1840, foi publicado o primeiro fasc\u00edculo da Flora Brasiliensis, no formato definitivo como hoje a conhecemos. A obra foi continuada por Eichler e posteriormente por Urban, culminando em 130 fasc\u00edculos onde s\u00e3o descritas 20 mil esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Muitos outros naturalistas tamb\u00e9m estiveram aqui com expedi\u00e7\u00f5es mais restritas, mas tamb\u00e9m de grande import\u00e2ncia. Podemos ressaltar Poeppig (1831-1832), dedicou-se a flora amaz\u00f4nica. Gardner, bot\u00e2nico ingl\u00eas chegou ao Brasil em 1837, explorou as matas da Tijuca e a Serra dos \u00d3rg\u00e3os, expandindo mais tarde suas coletas.\u00a0 Regnell, nascido na Su\u00e9cia em 1807, veio para o Brasil em 1840, patrocinou expedi\u00e7\u00f5es com Loefgren, Lindman e Malme.\u00a0 Barbosa Rodrigues nasceu em 1842 em Minas Gerais, estudou a flora de v\u00e1rios estados, fundou o Museu Bot\u00e2nico que dirigiu at\u00e9 1889, no ano seguinte foi nomeado Diretor do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro.\u00a0 Outros bot\u00e2nicos como Hermann von Ihering, Pilger, Taubert, Le\u00f4nidas Dam\u00e1sio, Lutzelburg, Schlechter, Pacheco Le\u00e3o, Wetts- tein, Alberto Loefgren, al\u00e9m de outros n\u00e3o citados, tamb\u00e9m tiveram grande contribui\u00e7\u00e3o em pesquisas relacionadas com a flora brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Slusarski, S.R. (2011). Desbravadores de natureza. Folha biol\u00f3gica 2 (2):1<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simone Rodrigues Slusarski \u00a0 Os naturalistas que vieram ao Brasil no s\u00e9culo XIX haviam tomado a dif\u00edcil decis\u00e3o de viajar, pois al\u00e9m dos perigos da viagem, a comunidade cient\u00edfica n\u00e3o era un\u00e2nime quanto \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho do viajante.\u00a0 Muitos dos mais importantes naturalistas europeus nunca viajaram. 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