{"id":363,"date":"2014-11-12T06:39:57","date_gmt":"2014-11-12T09:39:57","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=363"},"modified":"2014-11-12T06:39:57","modified_gmt":"2014-11-12T09:39:57","slug":"os-peixes-de-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=363","title":{"rendered":"Os Peixes de Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Willian Lopes Silva<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Patr\u00edcia Giongo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Wagner M. S. Sampaio<\/em><\/p>\n<p>A Am\u00e9rica do Sul possui a mais rica fauna de peixes do mundo, e isso se deve ao fato de ela possuir os maiores sistemas fluviais. O Brasil, apresentando a maior parte desses sistemas, incorpora uma parcela significativa dessa biodiversidade. O nosso pa\u00eds concentra 20% de todas as esp\u00e9cies de peixes descritas no mundo, o que equivale, aproximadamente, a 3.000 esp\u00e9cies. Este n\u00famero \u00e9 subestimado e podem chegar at\u00e9 8.000, segundo alguns especialistas. O mais importante \u00e9 que uma parcela muito significativa dessa fauna \u00e9 considerada end\u00eamica, isto \u00e9, ocorre apenas em um lugar (no nosso pa\u00eds, neste caso). O estado de Minas Gerais apresenta aproximadamente 12% das esp\u00e9cies que ocorrem no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Os-Peixes-de-Minas-Gerais1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-365\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Os-Peixes-de-Minas-Gerais1-300x228.jpg\" alt=\"Os Peixes de Minas Gerais\" width=\"332\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Os-Peixes-de-Minas-Gerais1-300x228.jpg 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Os-Peixes-de-Minas-Gerais1-600x457.jpg 600w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Os-Peixes-de-Minas-Gerais1-100x76.jpg 100w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Os-Peixes-de-Minas-Gerais1.jpg 705w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/a><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\">O assoreamento dos rios \u00e9 um dos principais problemas no Estado de Minas Gerais, e falta de Mata Rip\u00e1ria ou Ciliar est\u00e1 diretamente ligada esse fen\u00f4meno.<\/h6>\n<p>Podemos destacar sete das 15 bacias mineiras em termos de riqueza: A bacia do rio S\u00e3o Francisco com 173 esp\u00e9cies, do rio Parana\u00edba com 103, do rio Grande com 88, do rio Doce com 64, do rio Para\u00edba do Sul com 55, do rio Mucuri com 51 e do rio Jequitinhonha com 35. As fam\u00edlias de peixes com maior n\u00famero de esp\u00e9cies descritas para Minas Gerais s\u00e3o a Loricariidae (sendo representada pelos populares cascudos), a Rivulidae (que possui os peixes tempor\u00e1rios) e Characidae (que englobam os lambaris ou piabas), muitas das quais encontram-se em perigo de extin\u00e7\u00e3o. As principais amea\u00e7as aos peixes de Minas Gerais s\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o, o assoreamento, o desmatamento, a minera\u00e7\u00e3o, a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, a pesca predat\u00f3ria e a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas.\u00a0 Minas Gerais tem sido foco de usinas hidrel\u00e9tricas nos \u00faltimos 50 anos, e atualmente estima-se em 600 o n\u00famero de barragens para produ\u00e7\u00e3o de energia no Estado. O principal foco dos impactos ambientais em rios barrados se direciona aos peixes comerciais que normalmente s\u00e3o as esp\u00e9cies migradoras. Como estes peixes de import\u00e2ncia econ\u00f4mica, acabam sendo usados como esp\u00e9cies bandeiras (as que representam os esfor\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o de determinada \u00e1rea), por\u00e9m esse procedimento tem contribu\u00eddo para o decl\u00ednio de peixes nativos de pequeno porte que tamb\u00e9m requerem ambientes de cachoeiras ou com correnteza, mas n\u00e3o necessariamente realizam grandes migra\u00e7\u00f5es ou apresentam import\u00e2ncia econ\u00f4mica. A introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas ocorre em todas as bacias mineiras e essa pr\u00e1tica amea\u00e7a \u00e0 diversidade de peixes. A aquicultura e os programas de peixamento (introdu\u00e7\u00e3o de alevinos em rios e represas) s\u00e3o as principais fontes de introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, pr\u00e1ticas que n\u00e3o est\u00e3o sendo fiscalizadas e coordenadas com a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Colocar uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica (que n\u00e3o pertence naturalmente \u00e0 bacia) em um sistema h\u00eddrico pode trazer s\u00e9rias consequ\u00eancias ao equil\u00edbrio ambiental. Atualmente existem 63 esp\u00e9cies de peixes introduzidas em Minas Gerais. A bacia com maior n\u00famero de peixes ex\u00f3ticos \u00e9 a do Para\u00edba do Sul com 41 esp\u00e9cies, seguida da bacia do rio Doce com 30 esp\u00e9cies e depois as bacias do Parana\u00edba e Grande com 20 esp\u00e9cies. O grande n\u00famero de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas na bacia do rio Para\u00edba do Sul est\u00e1 relacionada ao polo de cria\u00e7\u00e3o de peixes ornamentais no rio Muria\u00e9, o maior do continente. O Estado de Minas Gerais apresenta-se como uma das regi\u00f5es chave para entendermos a fauna aqu\u00e1tica Sul Americana e para tra\u00e7amos modelos estrat\u00e9gicos de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Os motivos para essa considera\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica que incorpora alguns dos mais importantes dom\u00ednios geohidrol\u00f3gicos onde se encontram os dois principais hotspots do continente (Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica);<\/li>\n<li>Englobar a maior parte das bacias brasileiras, exceto a bacia Amaz\u00f4nica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estudos recentes levantaram \u00e1reas priorit\u00e1rias de \u00e1gua doce para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, considerando desde n\u00edveis de endemismo, estado de conserva\u00e7\u00e3o do habitat e n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o desse habitat. A maioria dos peixes com \u00e1reas priorit\u00e1rias de conserva\u00e7\u00e3o se encontram dentro dos biomas do Cerrado e da Mata Atl\u00e2ntica.\u00a0 O Brasil possui atualmente 819 esp\u00e9cies com \u00e1rea de vida restrita. Isto \u00e9, esp\u00e9cies que vivem em locais de ampla perda de habitat e que podem sofrer extin\u00e7\u00e3o se nenhuma medida de conserva\u00e7\u00e3o for tomada. Dentre as regi\u00f5es que englobam as bacias mineiras destacam-se a bacia do Paran\u00e1, Atl\u00e2ntico Sudeste e do S\u00e3o Francisco com 78%, 37% e 30% respectivamente das esp\u00e9cies com \u00e1rea de vida restrita. \u00a0Os problemas para a conserva\u00e7\u00e3o da ictiofauna de Minas Gerais est\u00e3o ligados a problemas desde socioecon\u00f4micos e pol\u00edticos, como a quest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o de matas rip\u00e1rias t\u00e3o desvalorizadas no Projeto do Novo C\u00f3digo Florestal Brasileiro, at\u00e9 os processos de divulga\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rios e das reais condi\u00e7\u00f5es da fauna de peixe e das bacias hidrogr\u00e1ficas pelas empresas que solicitam estudos e relat\u00f3rios de impactos ambientais, pois est\u00e3o atrelados aos licenciamentos do novo modelo energ\u00e9tico brasileiro.\u00a0 Outra quest\u00e3o \u00e9 a falta de estrat\u00e9gias espec\u00edficas para a conserva\u00e7\u00e3o da fauna de peixes. Icti\u00f3logos apontam que talvez a solu\u00e7\u00e3o fosse pensar em estrat\u00e9gias direcionadas para as microbacias ou microrregi\u00f5es, a cria\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es interinstitucionais de cientistas para gerenciar a din\u00e2mica em ambientes de \u00e1gua doce. Assim ter\u00edamos maiores condi\u00e7\u00f5es de concentrar esfor\u00e7os em locais priorit\u00e1rios como riachos de cabeceiras, veredas e c\u00f3rregos intermitentes, conservando importantes s\u00edtios de manuten\u00e7\u00e3o da diversidade das grandes bacias. A verdade \u00e9 que precisamos mudar nossas dire\u00e7\u00f5es para o combate da perda de \u00e1gua doce e come\u00e7ar a pensar na din\u00e2mica do ecossistema como um todo, mitigando os efeitos das influ\u00eancias antr\u00f3picas nas assembleias de peixes e na comunidade.<\/p>\n<p><strong>Willian Lopes Silva<\/strong> \u00e9 acad\u00eamico do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, campus de Rio Parana\u00edba, e bolsista do Programa de Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Extens\u00e3o-PIBEX.<\/p>\n<p><strong>Patr\u00edcia Giongo <\/strong>\u00e9 bi\u00f3loga, mestranda em Biologia Animal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, e atua na \u00e1rea de Ictiologia.<\/p>\n<p><strong>Wagner M. S. Sampaio<\/strong> \u00e9 bi\u00f3logo e mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, e atua na \u00e1rea de Ictiologia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Silva, W.L; Giongo, P; Sampaio, W.M.S. (2012). Os Peixes de Minas Gerais. Folha biol\u00f3gica 3 (1):2<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Willian Lopes Silva Patr\u00edcia Giongo Wagner M. S. Sampaio A Am\u00e9rica do Sul possui a mais rica fauna de peixes do mundo, e isso se deve ao fato de ela possuir os maiores sistemas fluviais. O Brasil, apresentando a maior parte desses sistemas, incorpora uma parcela significativa dessa biodiversidade. 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