{"id":371,"date":"2014-11-13T21:15:28","date_gmt":"2014-11-14T00:15:28","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=371"},"modified":"2014-11-13T21:16:24","modified_gmt":"2014-11-14T00:16:24","slug":"mariposas-causando-alvoroco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=371","title":{"rendered":"Mariposas causando alvoro\u00e7o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Rubens Pazza.<\/em><\/p>\n<p>As mariposas salpicadas <em>Biston betularia<\/em> representam talvez a mais bem conhecida est\u00f3ria na biologia evolutiva. Antes da revolu\u00e7\u00e3o industrial na Gr\u00e3 Bretanha, a forma mais observada destas mariposas era a clara, salpicada. A forma mel\u00e2nica, escura, foi identificada pela primeira vez em 1848, perto de Manchester, e aumentou em frequ\u00eancia at\u00e9 constituir mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o de \u00e1reas polu\u00eddas em meados do s\u00e9culo 20. Em \u00e1reas despolu\u00eddas, a forma clara ainda era comum. A partir dos anos 1970, entretanto, em decorr\u00eancia de pr\u00e1ticas conservacionistas e consequente diminui\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o, a frequ\u00eancia das formas mel\u00e2nicas diminuiu drasticamente, de cerca de 95% at\u00e9 menos de 10% em meados dos anos 90.<\/p>\n<p>Desde 1890, v\u00e1rios trabalhos tentam explicar os fen\u00f4menos envolvidos no aumento da frequ\u00eancia da forma mel\u00e2nica, como efeito da cor sobre a efici\u00eancia t\u00e9rmica, indu\u00e7\u00e3o das formas mel\u00e2nicas por efeitos diretos da polui\u00e7\u00e3o, entre outros diversos fatores atuando sozinhos ou em conjunto.\u00a0 Em meados dos anos 50, Kettlewell explicou a mudan\u00e7a na frequ\u00eancia pela a\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a visual por p\u00e1ssaros. A forma mel\u00e2nica ficava melhor camuflada no tronco de \u00e1rvores em regi\u00f5es polu\u00eddas, onde a fuligem matou o l\u00edquen. Por outro lado, as mariposas salpicadas ficavam melhor camufladas em \u00e1reas despolu\u00eddas.<\/p>\n<p>Alguns autores, entretanto, afirmam que estas mariposas raramente permanecem no tronco das \u00e1rvores durante o dia, preferindo regi\u00f5es mais altas e protegidas.\u00a0 Recentemente, experimentos simulando a vis\u00e3o dos p\u00e1ssaros demonstraram que os liquens efetivamente promovem uma boa camuflagem para as formas salpicadas. Alguns estudos identificaram um aumento na quantidade destes liquens bem como na frequ\u00eancia de formas claras das mariposas, embora a correla\u00e7\u00e3o com a diminui\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o possa ser esclarecida.<\/p>\n<p>Apesar de in\u00fameros trabalhos demonstrarem que os estudos com a <em>Biston<\/em> s\u00e3o demonstra\u00e7\u00f5es da sele\u00e7\u00e3o natural, al\u00e9m de boas experimenta\u00e7\u00f5es de campo, nos \u00faltimos anos alguns autores t\u00eam levantado suspeitas sobre os experimentos anteriores e Sargent, em 1998, atribui express\u00f5es de d\u00favida a quase todos os trabalhos passados.\u00a0 Al\u00e9m disso, um livro lan\u00e7ado h\u00e1 alguns anos, de Janet Hooper, \u201cOf Moths and Men\u201d, acrescenta mais detalhes, concernentes ao conv\u00edvio de Bernard Kettlewell e o grupo de estudo de E. B. Ford, abrindo margens para m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es e desentendimentos. Estes artigos s\u00e3o base para uma s\u00e9rie de acusa\u00e7\u00f5es infundadas. Um extremista antievolucionista, R. Mathews, classificou o exemplo da sele\u00e7\u00e3o natural da <em>Biston<\/em> como sendo uma \u201casneira cient\u00edfica\u201d. \u00c9 bom deixar claro que ele n\u00e3o \u00e9 cientista.<\/p>\n<p>Michael Majerus, um reconhecido pesquisador, autor do livro \u201cMelanism, Evolution in Action\u201d, comenta em um artigo de 2003 sobre as falhas contidas no livro de Hooper e suas acusa\u00e7\u00f5es feitas a dois pesquisadores falecidos que n\u00e3o podem se defender. Majerus afirma que Hooper se julga capaz de fazer uma cr\u00edtica mais convincente sobre o tema do que um grupo de pesquisadores geneticistas e entom\u00f3logos que passaram a vida estudando as mariposas. Um estudo de L. M. Cook conclui que no melanismo industrial de Biston betularia, tanto o aumento original e a recente diminui\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia das formas mel\u00e2nicas s\u00e3o not\u00e1veis exemplos de mudan\u00e7a gen\u00e9tica natural, intimamente relacionada com a mudan\u00e7a do meio ambiente.<\/p>\n<p>Como evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 definida pela mudan\u00e7a na frequ\u00eancia das caracter\u00edsticas herdadas ao longo do tempo, e a frequ\u00eancia da forma mel\u00e2nica da mariposa <em>Biston betularia<\/em> (cujos padr\u00f5es de colora\u00e7\u00e3o s\u00e3o regidos por leis da Gen\u00e9tica Mendeliana) aumentou e agora diminuiu em decorr\u00eancia das leis antipolui\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 prova de evolu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a velocidade e dire\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as podem ser explicadas apenas atrav\u00e9s da sele\u00e7\u00e3o natural, sendo assim, prova da evolu\u00e7\u00e3o Darwiniana.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Mariposas-Causando-alvoro\u00e7o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-372\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Mariposas-Causando-alvoro\u00e7o.jpg\" alt=\"Mariposas Causando alvoro\u00e7o\" width=\"446\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Mariposas-Causando-alvoro\u00e7o.jpg 574w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Mariposas-Causando-alvoro\u00e7o-300x254.jpg 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Mariposas-Causando-alvoro\u00e7o-100x84.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Rubens Pazza<\/strong> \u00e9 bi\u00f3logo, mestre em Biologia Celular e doutor em Gen\u00e9tica e Evolu\u00e7\u00e3o. Atualmente \u00e9 professor da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, campus de Rio Parana\u00edba, e atua na \u00e1rea de Gen\u00e9tico Ecol\u00f3gica e Evolutiva.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Pazza, R. (2012). Mariposas causando alvoro\u00e7o? Folha biol\u00f3gica 3 (2):4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubens Pazza. As mariposas salpicadas Biston betularia representam talvez a mais bem conhecida est\u00f3ria na biologia evolutiva. Antes da revolu\u00e7\u00e3o industrial na Gr\u00e3 Bretanha, a forma mais observada destas mariposas era a clara, salpicada. 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