{"id":440,"date":"2015-04-23T14:14:27","date_gmt":"2015-04-23T17:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=440"},"modified":"2015-08-03T11:11:46","modified_gmt":"2015-08-03T14:11:46","slug":"extraterrestres-de-um-ponto-de-vista-biologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=440","title":{"rendered":"Extraterrestres de um ponto de vista biol\u00f3gico."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>D\u00eanis Glauber da Silva Reis<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de vida extraterrestre \u00e9 uma hip\u00f3tese a ser considerada a partir de um ponto de vista biol\u00f3gico e muitos estudos t\u00eam sido realizados procurando respostas, dentro e fora de nosso planeta. Ser\u00e1 que algum dia ter\u00e3o uma resposta para a pergunta: \u201cEstamos sozinhos no universo ou n\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>O que a maioria dos cientistas que estudam a exobiologia concorda \u00e9 que a exist\u00eancia de \u00e1gua tenha sido uma condi\u00e7\u00e3o fundamental para o surgimento e para a manuten\u00e7\u00e3o da vida em nosso planeta.<\/p>\n<p>A partir disso, muitos esfor\u00e7os j\u00e1 foram feitos a fim de se detectar corpos celestes que contenham esta mol\u00e9cula e possivelmente vida dentro destes. Ao todo j\u00e1 foram identificados 340 exoplanetas, sendo que 30 destes situam-se em regi\u00f5es chamadas de zonas habit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Essas regi\u00f5es s\u00e3o definidas como as dist\u00e2ncias m\u00e1ximas e m\u00ednimas de um planeta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrela que orbitam e nas quais a temperatura e a ilumina\u00e7\u00e3o permitem a exist\u00eancia de \u00e1gua no estado l\u00edquido. Em nosso sistema solar os principais candidatos para abrigar uma poss\u00edvel forma de vida, devido ao fato de possu\u00edrem \u00e1gua s\u00e3o: Marte, Europa (uma lua de J\u00fapiter), Tit\u00e3 e Enc\u00e9lado (luas de Saturno).<\/p>\n<p>Abaixo do solo marciano existe gelo em abund\u00e2ncia similar ao permafrost (solo terrestre que jamais descongela). Se microorganismos que se multiplicam no gelo j\u00e1 foram detectados na Ant\u00e1rtida, seria razo\u00e1vel admitir que eles possam igualmente habitar o gelo marciano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-442\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img2.png\" alt=\"img2\" width=\"236\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img2.png 528w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img2-300x289.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img2-100x96.png 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O g\u00e1s metano na atmosfera deste planeta tamb\u00e9m sugere a presen\u00e7a de microorganismos, j\u00e1 que na terra a libera\u00e7\u00e3o deste g\u00e1s s\u00f3 ocorre pela atividade biol\u00f3gica ou por atividade vulc\u00e2nica.<\/p>\n<p>A baixa press\u00e3o exercida pela rarefeita atmosfera marciana, aliada a altas concentra\u00e7\u00f5es de sais e de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio (\u00e1gua oxigenada), permite que a \u00e1gua exista sob a forma l\u00edquida em Marte, uma vez que essa mistura atrapalha o congelamento da \u00e1gua, mesmo aos 56\u00baC negativos de temperatura do planeta. No entanto, a falta de um escudo protetor atmosf\u00e9rico faz com que a quantidade de radia\u00e7\u00e3o ultravioleta solar seja alt\u00edssima na superf\u00edcie do solo deste planeta. Consequentemente, quaisquer ind\u00edcios de organismos viventes estariam no subsolo.<\/p>\n<p>Em Europa existe uma superf\u00edcie de gelo que varia de 5 a 30 km de espessura, bem como um oceano l\u00edquido de aproximadamente 100 km abaixo desta camada gelo. Esse sat\u00e9lite jupteriano \u00e9 considerado um local prop\u00edcio para algumas formas particulares de vida, pois o fundo de seu oceano poderia abrigar microrganismos associados \u00e0 fumarolas hidrotermais, similares \u00e0s existentes no lago Vostok na Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p>Recentemente, em Enc\u00e9lado, a sonda Cassini revelou que esta lua tamb\u00e9m \u00e9 um potencial local para abrigar vida. Esta sonda detectou part\u00edculas e grandes jatos de vapor d\u2019 \u00e1gua a partir da crosta, sugerindo a exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida abaixo de sua superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Outro ponto importante a ser considerado \u00e9 o fato de que todo o organismo de nosso planeta tem como base os \u00e1cidos nucl\u00e9icos DNA e RNA. Poderiam existir formas de vida que n\u00e3o se baseassem em tais mol\u00e9culas?<\/p>\n<p>Um grupo de cientistas do Instituto de Astrobiologia da NASA encontrou uma bact\u00e9ria, a Gamaproteobact\u00e9ria GFAJ-I da fam\u00edlia das Halomad\u00e1ceas, uma extrem\u00f3fila, especializada em sobreviver no hostil ambiente hipersalino do lago Mono entre os estados da Calif\u00f3rnia e Nevada. Segundo eles, esta bact\u00e9ria empregaria ars\u00eanico no lugar do f\u00f3sforo em suas mol\u00e9culas. O f\u00f3sforo \u00e9 um elo chave no esqueleto dos \u00e1cidos nucl\u00e9icos, e existe a possibilidade de esta ser uma forma de vida que possui uma maneira diferente de \u201carmazenar sua informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o chegue a ser vida extraterrestre, caso tal hip\u00f3tese se confirme, ter\u00edamos uma expans\u00e3o da abrang\u00eancia do fen\u00f4meno da vida e do que podemos especular sobre poss\u00edveis formas de vida extraterrestre.<\/p>\n<p>Outra forma encontrada pelos cientistas de buscar por formas de vida no espa\u00e7o \u00e9 procurando sinais que indiquem a presen\u00e7a de seres capazes de realizar fotoss\u00edntese; este \u00e9 um processo t\u00e3o bem sucedido que funciona como base de boa parte da vida em nosso planeta.<\/p>\n<p>A fotoss\u00edntese surgiu h\u00e1 3,4 bilh\u00f5es de anos, com as bact\u00e9rias fotossintetizantes; elas absorviam luz do infravermelho pr\u00f3ximo em vez de luz vis\u00edvel e produziam enxofre e compostos sulf\u00faricos em vez de oxig\u00eanio; ela \u00e9 um processo muito particular que poderia produzir bioassinaturas. As bioassinaturas fotossint\u00e9ticas poderiam ser de v\u00e1rios tipos; caracter\u00edsticas como a presen\u00e7a de oxig\u00eanio, \u00e1gua, oz\u00f4nio, metano e oxig\u00eanio, ciclos sazonais de metano Cloreto de metila, \u00f3xido nitroso ou cores da superf\u00edcie que indiquem a presen\u00e7a de pigmentos especializados como clorofila verde. Em nosso planeta existem organismos adaptados as mais diversas condi\u00e7\u00f5es de luminosidade ambiental; existem seres adaptados a condi\u00e7\u00f5es de alta e baixa luminosidade, bem como criaturas aqu\u00e1ticas que se adaptaram a luz filtrada pela \u00e1gua.<\/p>\n<p>Apesar alguns organismos viverem do calor e do metano em fontes hidrotermais, todos os ricos ecossistemas da superf\u00edcie do planeta dependem da luz solar.<\/p>\n<p>E se existisse vida extraterrestre, qual a probabilidade de encontrarmos seres iguais a n\u00f3s? E qual a probabilidade de encontrarmos seres que possuam intelig\u00eancia?<\/p>\n<p>Mesmo que a vida se desenvolva em outros sistemas solares, a chance de encontra-la em um est\u00e1gio reconhecidamente humano \u00e9 m\u00ednima. Embora sem muita raz\u00e3o, tende-se a ver a intelig\u00eancia como uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel da evolu\u00e7\u00e3o. Porem n\u00e3o est\u00e1 claro que a intelig\u00eancia possui um grande valor de sobreviv\u00eancia. As bact\u00e9rias se defendem muito bem sem intelig\u00eancia, se adaptaram aos mais diversos ambientes e sobreviveriam em nosso planeta caso nos extingu\u00edssemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-441\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img1.png\" alt=\"img1\" width=\"211\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img1.png 516w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img1-268x300.png 268w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/img1-89x100.png 89w\" sizes=\"auto, (max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>D\u00eanis Glauber da Silva Reis <\/strong>\u00e9 acad\u00eamico do curso de Agronomia da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, campus de Rio Parana\u00edba, e foi bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do CNPq.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como citar esse documento:<\/p>\n<p>Reis, D.G.S. (2012). Extraterrestres de um ponto de visto biol\u00f3gico. Folha biol\u00f3gica 3. (Edi\u00e7\u00e3o Especial 3-6): 2<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00eanis Glauber da Silva Reis &nbsp; A exist\u00eancia de vida extraterrestre \u00e9 uma hip\u00f3tese a ser considerada a partir de um ponto de vista biol\u00f3gico e muitos estudos t\u00eam sido realizados procurando respostas, dentro e fora de nosso planeta. 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