{"id":472,"date":"2015-03-04T09:37:57","date_gmt":"2015-03-04T12:37:57","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=472"},"modified":"2015-03-04T09:37:57","modified_gmt":"2015-03-04T12:37:57","slug":"mudancas-climaticas-globais-verdades-e-consequencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=472","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais: verdades e consequ\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Daniel Meira Arruda<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Atualmente somos bombardeados com not\u00edcias sobre aquecimento global e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, evidenciando causas e as consequ\u00eancias dessas altera\u00e7\u00f5es para o mundo em que vivemos. Neste texto, veremos o que s\u00e3o essas mudan\u00e7as e como elas afetam os processos naturais. Veremos tamb\u00e9m que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o um processo natural, que sempre ocorreu, mas que \u00e9 intensificada pelas atividades do homem. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Nossos cientistas, por meio de diversas t\u00e9cnicas, conseguem obter estimativas do clima que a terra j\u00e1 experimentou ao longo de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Considerando os \u00faltimos 65 milh\u00f5es de anos, o clima global alterou drasticamente pelo menos seis vezes. Essas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es globais de temperatura entre 5-10\u00b0C, que representam os per\u00edodos glaciais, quando varia para menos, ou interglaciais, quando variam para mais. Desde o in\u00edcio do per\u00edodo considerado, se manteve uma fase bem quente com temperatura global pr\u00f3xima dos 33\u00b0C at\u00e9 32 milh\u00f5es de anos, quando tem peratura diminui bastante, formando a primeira geleira permanente na Ant\u00e1rtica. Mesmo com algumas oscila\u00e7\u00f5es, a queda da temperatura continuou com ritmo acelerado at\u00e9 dois milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, dando in\u00edcio a Era do Gelo. Nesse per\u00edodo as calotas polares ocupavam dois ter\u00e7os da extens\u00e3o atual. O volume de \u00e1gua convertida em gelo foi t\u00e3o grande que o n\u00edvel dos oceanos era de 120 a 130 metros mais baixo que o atual. Os tr\u00f3picos tamb\u00e9m sentiram os efeitos da glacia\u00e7\u00e3o, nessa fase a temperatura m\u00e9dia tropical estava entre 5 e 10\u00b0C e, com a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos, a umidade continental ficou bastante reduzida, formando grandes \u00e1reas \u00e1ridas. A partir desse per\u00edodo a temperatura global volta a subir, marcando o fim da \u00faltima era glacial e in\u00edcio da \u00e9poca interglacial em que vivemos (h\u00e1 12 mil anos). <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Mas o que move essas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas globais? Ao longo desses milh\u00f5es de anos, o vulcanismo e a fotoss\u00edntese atuaram de forma contr\u00e1ria nas oscila\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Atividades vulc\u00e2nicas, resultantes de movimentos de placas tect\u00f4nicas, est\u00e3o associadas \u00e0 grande libera\u00e7\u00e3o de CO2 atmosf\u00e9rico. Esse g\u00e1s \u00e9 o principal formador do efeito estufa, pois seu acr\u00e9scimo na atmosfera impede que a radia\u00e7\u00e3o solar seja refletida ap\u00f3s atingir a superf\u00edcie terrestre, causando aumento da temperatura. No entanto, devemos lembrar que o CO2 n\u00e3o \u00e9 um vil\u00e3o. Se n\u00e3o houvesse esse g\u00e1s na atmosfera, a temperatura m\u00e9dia na superf\u00edcie terrestre seria de -18\u00b0C e o ambiente seria inapropriado \u00e0 vida para a maioria dos seres vivos. Os altos n\u00edveis de CO2 e as elevadas temperaturas promovem ent\u00e3o um aumento da atividade fotossint\u00e9tica, que reduz os n\u00edveis desse g\u00e1s e aloca o carbono em compartimentos n\u00e3o atmosf\u00e9ricos, o que proporciona uma diminui\u00e7\u00e3o da temperatura. No entanto, somente a capta\u00e7\u00e3o de carbono promovida pela fotoss\u00edntese n\u00e3o desencadeia uma era glacial. Uma parcela consider\u00e1vel dessa altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 creditada \u00e0 oscila\u00e7\u00e3o das cargas de energia recebidas do sol, seja por ciclos solares ou por varia\u00e7\u00e3o na orbita da Terra, promovendo altera\u00e7\u00f5es nas correntes de ventos e correntes oce\u00e2nicas, tamb\u00e9m respons\u00e1veis por reger o clima na terra. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Desde a ultima glacia\u00e7\u00e3o, oscila\u00e7\u00f5es globais caracterizam pequenos aquecimentos e resfriamentos globais. H\u00e1 5,5 mil anos, um aquecimento entre 2 a 3 \u00b0C na por\u00e7\u00e3o temperada do globo promoveu derretimento de gelo e fez com que o n\u00edvel do mar subisse cerca de 3 a 5 metros. J\u00e1 entre o s\u00e9culo 16 e final do s\u00e9culo 19, se estabeleceu uma pequena \u201cEra do Gelo\u201d em que a temperatura m\u00e9dia diminuiu cerca de 2 \u00b0C em rela\u00e7\u00e3o a atual. No entanto, no final do s\u00e9culo 19, deu-se in\u00edcio a um grande e desenfreado processo de aumento de temperatura, n\u00e3o por atividade vulc\u00e2nica, impacto de meteoros ou explos\u00f5es solares, mas pela atividade humana, cujo marco \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o industrial. Desde ent\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o humana sai de 1,7 bilh\u00f5es em 1890 para 7 bilh\u00f5es em 2011. Associado ao grande crescimento e atividade populacional, os n\u00edveis de CO2 atmosf\u00e9ricos sa\u00edram de 280 ppm (partes por milh\u00e3o) para 400 ppm, valor atingido em maio desse ano! Como resultado, desde o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o industrial tivemos um aumento da temperatura de 2,4\u00b0C, marcando a mais r\u00e1pida passagem para um per\u00edodo de aquecimento global, chegando na atual temperatura m\u00e9dia global de 14,6\u00b0C. Esse \u201cprogresso\u201d n\u00e3o para por ai, pesquisas recentes estimam que at\u00e9 2100, teremos uma popula\u00e7\u00e3o entre 9 e 10 bilh\u00f5es de pessoas, com n\u00edveis de CO2 superior \u00e0 550 ppm e a temperatura global estar\u00e1 entre 2 e 5 \u00b0C mais elevadas que a atual. Estimativas apontam que, se o aquecimento continuar, teremos o derretimento total dos gelos polares, proporcionando um aumento no n\u00edvel do mar de aproximadamente 50 m. Isso ocasionaria a forma\u00e7\u00e3o de diversas \u201cAtl\u00e2ntidas\u201d ao redor do mundo, ou seja, importantes cidades como Nova York, T\u00f3quio, Londres, Xangai, Paris e Rio de Janeiro seria submersas. No Brasil, tal aumento proporcionaria tamb\u00e9m a invas\u00e3o marinha em boa parte da bacia do rio Amazonas, al\u00e9m de cobrir grande parte da regi\u00e3o costeira, por\u00e7\u00e3o mais densamente habitada. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> O aumento de 2\u00b0C na temperatura global, \u00e0 primeira vista, n\u00e3o parece ser muita coisa. No entanto, devemos lembrar que essas tend\u00eancias est\u00e3o dilu\u00eddas em um planeta grande e com padr\u00f5es de regimento clim\u00e1tico complexos, o que resulta em grandes aumentos de temperatura em alguns lugares e redu\u00e7\u00f5es em outros. Por exemplo, dados mostram que a temperatura m\u00e1xima registrada em alguns locais do nordeste do Brasil aumentou 3,5\u00b0C em apenas 45 anos. Essa mudan\u00e7a tamb\u00e9m reflete o regime de precipita\u00e7\u00e3o, agravando a situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, j\u00e1 marcada por poucas chuvas ao longo do ano. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> No final deste ano, ocorrer\u00e1 mais uma reuni\u00e3o para negociar medidas relacionadas \u00e0s <\/span><span style=\"font-size: medium;\">m<\/span><span style=\"font-size: medium;\">udan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. Essa reuni\u00e3o ser\u00e1 em Vars\u00f3via, Pol\u00f4nia, e conta com a presen\u00e7a de 190 pa\u00edses, incluindo os grandes poluidores, Estados Unidos e China. Esta ter\u00e1 como objetivo propor metas para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa para n\u00e3o ultrapassar os 2\u00b0C acrescidos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o industrial. As discuss\u00f5es sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nunca <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">estiveram t\u00e3o em alta desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, com o Protocolo de Kyoto e a Rio 92. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Como vimos, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um processo normal e repetitivo ao longo da hist\u00f3ria da Terra, mas, sem d\u00favida, o ser humano tem desempenhado um papel fundamental, fazendo com que essa mudan\u00e7a seja cada vez mais r\u00e1pida e percept\u00edvel. Normalmente, n\u00f3s utilizamos o clima como assunto para iniciar <\/span><span style=\"font-size: medium;\">uma conversa com vizinhos, amigos, etc. \u00c9 f\u00e1cil notar que esse costume tem se intensificado, e isso n\u00e3o \u00e9 por acaso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Daniel Meira Arruda<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\"> \u00e9 bi\u00f3logo e mestre em Bot\u00e2nica pela UFV. Atualmente \u00e9 doutorando em Bot\u00e2nica pela UFV. Desenvolve pesquisas na \u00e1rea de fitogeografia e rela\u00e7\u00e3o solo vegeta\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Como citar esse documento:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Arruda, D.M. (2013). Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais: verdades e consequ\u00eancias. Folha biol\u00f3gica 4 (Edi\u00e7\u00e3o especial 2-3): 1<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Meira Arruda Atualmente somos bombardeados com not\u00edcias sobre aquecimento global e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, evidenciando causas e as consequ\u00eancias dessas altera\u00e7\u00f5es para o mundo em que vivemos. Neste texto, veremos o que s\u00e3o essas mudan\u00e7as e como elas afetam os processos naturais. 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