{"id":477,"date":"2015-03-03T10:59:12","date_gmt":"2015-03-03T13:59:12","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=477"},"modified":"2015-03-03T10:59:12","modified_gmt":"2015-03-03T13:59:12","slug":"sequestro-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=477","title":{"rendered":"Sequestro de Carbono"},"content":{"rendered":"<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Silvana da Costa Ferreira<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> Os impactos ambientais, ocorrentes em todo o planeta, aumentaram consideravelmente durante as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. As emiss\u00f5es poluentes na atmosfera s\u00e3o feitas por todos os pa\u00edses do mundo e o g\u00e1s di\u00f3xido de carbono (CO2), um dos compostos lan\u00e7ados na atmosfera, \u00e9 produzido em todas as partes do planeta, principalmente pela queima de combust\u00edveis derivados <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">do petr\u00f3leo e pela produ\u00e7\u00e3o de cimento que totalizam 75% das emiss\u00f5es. Os processos de uso da terra, sobretudo os desmatamentos e as queimadas, s\u00e3o respons\u00e1veis por grande parte dos 25% restantes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> Por\u00e9m quando pensamos no t\u00edtulo desse artigo, surge a pergunta: sequestro de carbono, como assim? Quem sequestrou o carbono? Na verdade o sequestro de carbono refere-se a processos de absor\u00e7\u00e3o e armazenamento de CO2 atmosf\u00e9rico, com inten\u00e7\u00e3o de minimizar seus impactos no ambiente, j\u00e1 que se trata de um g\u00e1s de efeito estufa (GEE). A finalidade desse processo \u00e9 conter e reverter o ac\u00famulo de CO2 atmosf\u00e9rico, visando a diminui\u00e7\u00e3o do efeito estufa. Este processo ocorre principalmente em oceanos, florestas e outros locais onde os organismos por meio de fotoss\u00edntese, capturam o carbono e lan\u00e7am oxig\u00eanio na atmosfera. Trata-se de uma captura e estocagem segura do CO2, evitando, deste modo, sua emiss\u00e3o e perman\u00eancia na atmosfera terrestre. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> A forma mais comum de sequestro de carbono \u00e9 naturalmente realizada pelas florestas. Na fase de crescimento, as \u00e1rvores demandam uma quantidade muito grande de carbono para se desenvolver e acabam retirando parte do g\u00e1s carb\u00f4nico do ar. Esse processo natural ajuda a diminuir consideravelmente a quantidade de CO2 na atmosfera, visto que cada hectare de floresta em desenvolvimento \u00e9 capaz de absorver cerca de 150 a 200 toneladas de carbono. Deste modo o plantio de \u00e1rvores \u00e9 uma das prioridades para a diminui\u00e7\u00e3o de poluentes na atmosfera terrestre, sendo a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas plantadas, que foram degradadas durante d\u00e9cadas pelo homem, \u00e9 uma das possibilidades mais efetivas para ajudar a combater o aquecimento global (figura 1). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> Por\u00e9m esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica maneira de diminuir a concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera. Existem estudos avan\u00e7ados para realizar o que os cientistas chamam de sequestro geol\u00f3gico de carbono, uma forma armazenar o carbono no subsolo. Os gases de exaust\u00e3o produzidos pelas ind\u00fastrias s\u00e3o separados atrav\u00e9s de um sistema de filtros que coletam o CO2, esse g\u00e1s \u00e9 comprimido, transportado e depois injetado em um reservat\u00f3rio geol\u00f3gico apropriado (figura 1). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> Abaixo segue os diferentes tipos de sequestro de carbono: <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b> Campos de petr\u00f3leo: <\/b>Os po\u00e7os maduros, onde n\u00e3o h\u00e1 mais produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, podem se transformar em grandes dep\u00f3sitos de CO2. Esse processo j\u00e1 ocorre, visto que as petrol\u00edferas injetam o g\u00e1s carb\u00f4nico em campos maduros de petr\u00f3leo para, por interm\u00e9dio dessa press\u00e3o, aumentar o potencial de extra\u00e7\u00e3o neles. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> <b> Camadas de carv\u00e3o:<\/b> Assim como nos campos de petr\u00f3leo, a inje\u00e7\u00e3o de carbono em reservas de carv\u00e3o tamb\u00e9m pode ser lucrativa: o carv\u00e3o ret\u00e9m o CO2 e libera no processo o g\u00e1s natural, que pode ser explorado e comercializado e nos dep\u00f3sitos localizados em profundidades muito grandes, o g\u00e1s carb\u00f4nico pode ser armazenado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> <b>Aqu\u00edferos salinos:<\/b> Em enormes mantos de \u00e1gua no subsolo, a \u00e1gua \u00e9 t\u00e3o salobra que n\u00e3o serve para o consumo. Dessa forma, estes locais seriam uma \u00f3tima alternativa para estocar carbono. Trata-se das forma\u00e7\u00f5es com grande capacidade de armazenar CO2, os especialistas estimam que os aqu\u00edferos possam reter at\u00e9 10 mil gigatoneladas do g\u00e1s. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Esses reservat\u00f3rios geol\u00f3gicos naturais s\u00e3o altamente eficazes para aprisionar fluidos em profundidade, caso contr\u00e1rio, o forte terremoto que causou o tsunami na \u00c1sia teria rompido diversos dep\u00f3sitos geol\u00f3gicos naturais, por\u00e9m nenhum campo de g\u00e1s natural ou petr\u00f3leo foi comprometido. Vale destacar que os campos de petr\u00f3leo ou g\u00e1s natural guardar\u00e3o esses fluidos por milh\u00f5es de anos e estes permanecer\u00e3o intactos desde que n\u00e3o ocorra interfer\u00eancia humana. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Sequestro-de-carbono.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  wp-image-478 aligncenter\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Sequestro-de-carbono.png\" alt=\"Sequestro de carbono\" width=\"891\" height=\"710\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Sequestro-de-carbono.png 951w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Sequestro-de-carbono-300x239.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Sequestro-de-carbono-600x478.png 600w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Sequestro-de-carbono-100x80.png 100w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/Sequestro-de-carbono-900x716.png 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 891px) 100vw, 891px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"> Al\u00e9m dos mecanismos acima citados, a partir dos anos 2000, entrou em cena um mercado voltado para a cria\u00e7\u00e3o de projetos de redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o dos gases que aceleram o processo de aquecimento do planeta. Trata-se do mercado de cr\u00e9ditos de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo internacional que estabeleceu que os pa\u00edses desenvolvidos deveriam reduzir suas emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (GEE). Esse protocolo criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o certificada das emiss\u00f5es. Uma vez conquistada essa certifica\u00e7\u00e3o, quem promove a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases poluentes tem direito a cr\u00e9ditos de carbono e pode comercializ\u00e1-los com os pa\u00edses que t\u00eam metas a cumprir. Neste contexto projetos como o Carbono 0, que tem por objetivo neutralizar a emiss\u00e3o de CO2 na atmosfera, vem ganhando espa\u00e7o mundial e j\u00e1 conhecido por empresas e escolas dos Estados Unidos e Europa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><b>Silvana da Costa Ferreira<\/b> \u00e9 bi\u00f3loga, mestre e doutora em bot\u00e2nica pela UFV e UEFS, respectivamente. Atualmente \u00e9 professora-adjunta da UFV, campus Rio Parana\u00edba. Desenvolve pesquisas na \u00e1rea de taxonomia de angiospermas. <\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Como citar esse documento:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\">Ferreira, S.C. (2013). Sequestro de Carbono. Folha biol\u00f3gica 4 (Edi\u00e7\u00e3o especial 2-3): 3<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Silvana da Costa Ferreira Os impactos ambientais, ocorrentes em todo o planeta, aumentaram consideravelmente durante as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. 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