{"id":480,"date":"2015-05-13T11:06:57","date_gmt":"2015-05-13T14:06:57","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=480"},"modified":"2015-05-13T11:06:57","modified_gmt":"2015-05-13T14:06:57","slug":"carbono-zero-um-passo-a-mais-para-a-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=480","title":{"rendered":"Carbono Zero: um passo a mais para a sustentabilidade ."},"content":{"rendered":"<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Daniel Brianezi <\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>La\u00e9rcio Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Jacovine<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Ricardo Martiniano dos Santos<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> O Brasil \u00e9 um dos principais emissores de Gases de Efeito Estufa (GEE), principalmente em fun\u00e7\u00e3o do desmatamento e da mudan\u00e7a no uso do solo. Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 um dos pa\u00edses com maior potencial para reduzir as emiss\u00f5es projetadas at\u00e9 2030, pois o aumento das suas emiss\u00f5es ocorre em taxas menores que a de outros pa\u00edses em desenvolvimento, como China e \u00cdndia, e desenvolvidos; estes sujeitos a quotas de redu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3rias. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> O Brasil, mesmo estando entre os maiores emissores de GEE, \u00e9 considerado em desenvolvimento no Protocolo de Quioto (n\u00e3o -Anexo I), por isso n\u00e3o possu\u00eda metas de redu\u00e7\u00e3o at\u00e9 2012. No entanto, na 15a Confer\u00eancia das Partes (COP-15), ocorrida no final de 2009 em Copenhague, os pa\u00edses signat\u00e1rios, como o Brasil, se comprometeram a reduzir suas emiss\u00f5es de GEE de forma volunt\u00e1ria. Para isso, criou-se a Pol\u00edtica Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (PNMC), que no artigo 12 relata o compromisso nacional de a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de GEE, visando \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de 36,1% a 38,9% das emiss\u00f5es brasileiras projetadas at\u00e9 2020. Assim, do total das metas de redu\u00e7\u00e3o de GEE volunt\u00e1rias que o Brasil prop\u00f4s em seus NAMAs (Nationally Appropriate Mitigation Action), aproximadamente 90% s\u00e3o origin\u00e1rios da agropecu\u00e1ria e da mudan\u00e7a no uso da terra, que representam 75% das emiss\u00f5es de GEE nacionais. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Dentre as medidas estabelecidas pela PNMC para reduzir as emiss\u00f5es de GEE brasileiras est\u00e1 o Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que procura incentivar os produtores rurais a adotar t\u00e9cnicas agr\u00edcolas de baixo impacto negativo sobre o meio ambiente, atrav\u00e9s de atividades que emitam menos GEE. Al\u00e9m disso, tem sido adotada a campanha do Carbono Zero, comum em empresas e escolas dos Estados Unidos e Europa. O Carbono Zero \u00e9 um tipo de cr\u00e9dito de carbono que consiste em compensar as emiss\u00f5es de GEE por pessoas, empresas ou eventos, <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">atrav\u00e9s do sequestro de carbono pelas plantas. Nesse sentido, diversas a\u00e7\u00f5es t\u00eam sido tomadas de forma volunt\u00e1ria, por segmentos da sociedade. A Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) tamb\u00e9m tem feito a sua parte, desenvolvendo a\u00e7\u00f5es que minimizam o efeito estufa. No ano de 2010, a Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o e Cultura da UFV \u2013 campus Vi\u00e7osa, organizadora da 81a Semana do Fazendeiro (evento que ocorre em Vi\u00e7osa-MG), com o Departamento de Engenharia <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">Florestal da mesma institui\u00e7\u00e3o e, em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">aderiu ao Projeto Carbono Zero. Esse projeto objetiva quantificar as emiss\u00f5es de GEE do <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">evento e neutraliz\u00e1-las com o plantio de \u00e1rvores da Mata Atl\u00e2ntica, vegeta\u00e7\u00e3o nativa da regi\u00e3o, em uma \u00e1rea degradada da UFV, al\u00e9m de trabalhar junto aos produtores rurais quest\u00f5es ligadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ao meio ambiente. O projeto, executado tamb\u00e9m nos anos de 2011 e 2012, <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">ter\u00e1 continuidade em 2013, na 84a Semana do Fazendeiro. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Durante a Semana do Fazendeiro, s\u00e3o quantificadas as emiss\u00f5es de GEE relacionadas aos transportes (\u00f4nibus que levam os participantes para os cursos, ve\u00edculos que trazem artistas para os <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">shows e tamb\u00e9m a infraestrutura); \u00e0 energia (energia el\u00e9trica, g\u00e1s de cozinha e caldeiras a vapor); aos res\u00edduos (s\u00f3lidos e efluentes); aos animais usados no leil\u00e3o e na exposi\u00e7\u00e3o; e \u00e0s emiss\u00f5es oriundas do plantio. Para o c\u00e1lculo das emiss\u00f5es de GEE s\u00e3o utilizadas metodologias nacionais e internacionais, como a NBR ISO 14.064:2007, GHG Protocol Brasil e tamb\u00e9m do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima (IPCC, sigla em ingl\u00eas). Posteriormente, o montante de emiss\u00f5es de GEE contabilizado \u00e9 convertido em uma unidade comum (tCO2e \u2013 toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente), de acordo com o Potencial de Aquecimento Global de cada GEE avaliado. Com base na quantidade de GEE quantificado, calcula-se o n\u00famero de \u00e1rvores nativas necess\u00e1rias para neutralizar tais emiss\u00f5es. Para isso se utilizam dados de estocagem de carbono de florestas similares, advindos de pesquisas cient\u00edficas desenvolvidas na regi\u00e3o de Vi\u00e7osa.<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> As \u00e1rvores s\u00e3o conhecidas como grande sumidouros de carbono terrestre e podem neutralizar as emiss\u00f5es devido \u00e0 fotoss\u00edntese. A capacidade de neutraliza\u00e7\u00e3o variar\u00e1 de acordo com fatores externos, como clima e solo, tratos silviculturais, manejo e fatores intr\u00ednsecos \u00e0 planta. Nos tr\u00e9s anos de projeto, emitiu-se 127,73 tCO2e., sendo 40,60 tCO2e, 38,43 tCO2e e 48,70 tCO2e, nos anos de 2010, 2011 e 2012, respectivamente. As mudas plantadas nos mesmos anos foram 223, 210, 324, totalizando 757 mudas, que neutralizaram as emiss\u00f5es de GEE dos eventos.<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Paralelo ao Projeto Carbono Zero foi criada a <i>Tenda Carbono Zero<\/i>, onde s\u00e3o trabalhadas, junto aos produtores rurais participantes da Semana do Fazendeiro, quest\u00f5es ambientais e a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, na tenda, s\u00e3o calculadas as emiss\u00f5es de GEE e a estocagem de Carbono pelas propriedadescap rurais. Para isso, faz-se o balan\u00e7o das emiss\u00f5es e das remo\u00e7\u00f5es de GEE e o produtor fica sabendo onde est\u00e1 a maior parte de suas emiss\u00f5es e onde se encontra o maior \u201csequestro\u201d de CO2 da sua propriedade. Posteriormente, ele \u00e9 orientado sobre o que pode fazer para reduzir suas emiss\u00f5es e recebe uma muda de esp\u00e9cie arb\u00f3rea para plantar em sua propriedade e um certificado de colaborador do clima, atestando seu compromisso em plantar a \u00e1rvore recebida.<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"> Iniciativas de neutraliza\u00e7\u00e3o de carbono, como o Projeto Carbono Zero, s\u00e3o de suma import\u00e2ncia para amenizar a problem\u00e1tica das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e contribuir para a socializa\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es ambientais. Assim, a UFV, institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 conhecida pelo seu n\u00edvel de excel\u00eancia em pesquisa, ensino e extens\u00e3o no pa\u00eds e no exterior, quer ser refer\u00eancia tamb\u00e9m na \u00e1rea ambiental, dando exemplo para toda a sociedade.<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Daniel Brianezi<\/b> \u00e9 Engenheiro Florestal, mestre e doutorando em Ci\u00eancia Florestal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa. Atua na \u00e1rea de Economia Ambiental, com \u00eanfase em fixa\u00e7\u00e3o de carbono; invent\u00e1rio e neutraliza\u00e7\u00e3o de GEE. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>La\u00e9rcio Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Jacovine<\/b> \u00e9 Engenheiro Florestal, mestre e doutor em Ci\u00eancia Florestal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa. Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Florestal da UFV. Atua na \u00e1rea de Economia Ambiental, com \u00eanfase em fixa\u00e7\u00e3o de carbono pelas florestas; certifica\u00e7\u00e3o florestal e gest\u00e3o e controle de qualidade nas atividades florestais. <\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Ricardo Martiniano dos Santos <\/b>\u00e9 Analista de Tecnologia de Informa\u00e7\u00e3o, mestre em Sistemas de Gest\u00e3o do Meio Ambiente. Atualmente, \u00e9 assessor da Divis\u00e3o de Assuntos Culturais \u2013 DAC da Universidade Federal de Vi\u00e7osa e um dos coordenadores do Projeto Carbono Zero. <\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">Como citar esse documento:<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-size: medium;\">Brianezi, D; Jacovine, L.A.G; Santos, R.M (2013). Carbono Zero: um passo a mais para a sustentabilidade. Folha biol\u00f3gica 4 (Edi\u00e7\u00e3o especial 2-3): 4<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Brianezi La\u00e9rcio Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Jacovine Ricardo Martiniano dos Santos O Brasil \u00e9 um dos principais emissores de Gases de Efeito Estufa (GEE), principalmente em fun\u00e7\u00e3o do desmatamento e da mudan\u00e7a no uso do solo. 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