{"id":521,"date":"2015-07-16T10:56:21","date_gmt":"2015-07-16T13:56:21","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=521"},"modified":"2015-08-03T11:04:54","modified_gmt":"2015-08-03T14:04:54","slug":"alelopatia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=521","title":{"rendered":"Alelopatia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Luciano Bueno dos Reis<\/em><\/p>\n<p>Quando olhamos para um campo ou mata, diferentemente da aparente calma e conv\u00edvio harm\u00f4nico entre as plantas e outros componentes dos ecossistemas, grandes batalhas podem estar sendo travadas entre as plantas. Na competi\u00e7\u00e3o por luz, \u00e1gua e nutrientes, as plantas podem lan\u00e7ar m\u00e3o de diversas estrat\u00e9gias e armas para sobrepujar suas advers\u00e1rias.<br \/>\nDentre essas estrat\u00e9gias, as plantas podem usar um vasto arsenal bioqu\u00edmico, com subst\u00e2ncias secretadas pelas ra\u00edzes, volatilizadas pelas folhas ou mesmo resultantes da decomposi\u00e7\u00e3o de partes mortas do vegetal. Tais compostos podem interferir no crescimento de outras plantas ou mesmo de microrganismos do solo. Essa interfer\u00eancia no crescimento de uma planta sobre a outra, por meio de uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica liberada, \u00e9 conhecida como alelopatia.<br \/>\nDiversas classes de compostos podem agir como subst\u00e2ncias alelop\u00e1ticas. Contudo,<br \/>\no modo de a\u00e7\u00e3o de cada subst\u00e2ncia muitas vezes n\u00e3o \u00e9 conhecido. Outras vezes, nem mesmo a subst\u00e2ncia respons\u00e1vel pelo efeito alelop\u00e1tico \u00e9 identificada. Dessa forma, este \u00e9 um campo que ainda demanda muita pesquisa cient\u00edfica b\u00e1sica.<br \/>\nEssas pesquisas na \u00e1rea de alelopatia podem ser bastante simples, j\u00e1 que os testes iniciais s\u00e3o realizados comumente verificando o efeito de extratos vegetais sobre a germina\u00e7\u00e3o de sementes como as de alface e tomate. E, identificada a a\u00e7\u00e3o alelop\u00e1tica, pode-se investir na identifica\u00e7\u00e3o do composto respons\u00e1vel por esse efeito.<br \/>\nTais estudos e a identifica\u00e7\u00e3o de compostos que causam efeitos alelop\u00e1ticos podem ser bastante \u00fateis, n\u00e3o apenas para se conhecer melhor a ecologia vegetal, mas tamb\u00e9m porque essas subst\u00e2ncias t\u00eam potencialidade de uso na ind\u00fastria farmac\u00eautica (produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios)e agroqu\u00edmica (defensivos agr\u00edcolas).<br \/>\nNo ambiente agr\u00edcola tamb\u00e9m h\u00e1 alelopatia e uma planta bastante conhecida pelos seus efeitos alelop\u00e1ticos \u00e9 o sorgo. Algumas culturas n\u00e3o se desenvolvem bem em solo onde sorgo estava plantado. Uma das subst\u00e2ncias alelop\u00e1ticas produzidas pelo sorgo \u00e9 a sorgoleona, que inibe a respira\u00e7\u00e3o mitocondrial. Dessa forma, o produtor deve tomar cuidado ao escolher a cultura que ser\u00e1 plantada onde havia sorgo, pois isso pode interferir no crescimento de determinadas culturas e trazer preju\u00edzos econ\u00f4micos. A autotoxidez tamb\u00e9m pode contribuir para a redu\u00e7\u00e3o da produtividade, como verificado para alguns cultivares de trigo e esp\u00e9cies da fam\u00edlia Curcubitaceae, como o mel\u00e3o e pepino. Esses efeitos podem ser minimizados com a rota\u00e7\u00e3o de culturas. Em ambientes naturais essa a\u00e7\u00e3o autot\u00f3xica impede que sementes da mesma esp\u00e9cie germinem pr\u00f3ximas das plantas que as produziram. Com isso, a planta \u201cm\u00e3e\u201d pode minimizar a competi\u00e7\u00e3o com as plantas \u201cfilhas\u201d. No campus de Rio Parana\u00edba, da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, alguns estudos sobre o efeito alelop\u00e1tico da maca\u00faba t\u00eam sido realizados por estudantes do ensino m\u00e9dio da E. E. Adiron Gon\u00e7alves Boaventura, de Rio Parana\u00edba, vinculados ao programa de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica J\u00fanior fomentado pelo CNPq, FAPEMIG e UFV. Atualmente, Rafaela Rocha e Amanda Mendes, ambas estudantes do 2\u00ba ano, trabalham no projeto coordenado pelo professor Luciano Bueno dos Reis.<\/p>\n<p><strong>Luciano Bueno dos Reis<\/strong> \u00e9 bi\u00f3logo formado pelaUniversidade Federal de Juiz de Fora, com mestrado e doutorado em Fisiologia Vegetal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa. Atualmente \u00e9 professor da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, campus de Rio Parana\u00edba, atuando nas \u00e1reas de Fisiologia Vegetal e Cultura de Tecidos de Plantas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Como citar esse documento.<\/p>\n<p>Reis. L. (2013). Alelopatia. Folha biol\u00f3gica 4: (3) 4.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciano Bueno dos Reis Quando olhamos para um campo ou mata, diferentemente da aparente calma e conv\u00edvio harm\u00f4nico entre as plantas e outros componentes dos ecossistemas, grandes batalhas podem estar sendo travadas entre as plantas. 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