{"id":692,"date":"2017-06-07T17:19:17","date_gmt":"2017-06-07T20:19:17","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=692"},"modified":"2017-06-23T15:24:01","modified_gmt":"2017-06-23T18:24:01","slug":"692","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=692","title":{"rendered":"A luta di\u00e1ria das plantas para sobreviver"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que pensamos em como os organismos conseguem suportar a press\u00e3o da natureza, imaginamos animais como os mam\u00edferos, que possuem pelos para proteger a pele e manter a temperatura corporal; pensamos tamb\u00e9m nos camelos que conseguem ficar at\u00e9 quinze dias sem beber \u00e1gua, suportando assim, viver no deserto. Em contrapartida, dificilmente nos recordamos das plantas como organismos que efetivamente lidam com a forte press\u00e3o natural. O motivo? Talvez porque as plantas sejam \u201cbichinhos bem parados\u201d e n\u00e3o chamem tanta aten\u00e7\u00e3o. Tomemos como exemplos, ent\u00e3o, o fato das plantas serem im\u00f3veis, ser\u00e1 que isso n\u00e3o gera nenhuma complica\u00e7\u00e3o par elas? Bom, no caso dos animais, quando sentem sede ou muito calor, podem tentar se esconder debaixo de uma \u00e1rvore, correr para dentro de uma toca ou at\u00e9 se manter dentro da \u00e1gua para que se refresquem, mas e se fosse uma planta que quisesse evitar altas temperaturas, como ela faria? \u00c9 claro que uma planta n\u00e3o sente calor como n\u00f3s animais sentimos, mas grandes taxas de ilumina\u00e7\u00e3o e temperaturas muito altas fazem com que as plantas tenham grande perda de \u00e1gua, o que pode causar ressecamento, podendo levar o organismo \u00e0 morte. Portanto, sob esse ponto de vista, a vida das plantas \u00e9 muito complicada, uma vez que elas suportam condi\u00e7\u00f5es muito adversas; como em ambientes com alta irradia\u00e7\u00e3o solar, nem sempre h\u00e1 grande quantidade de \u00e1gua a disposi\u00e7\u00e3o da planta, e a cada troca gasosa (entrada de CO2 para a fotoss\u00edntese), ocorre muita perda de \u00e1gua para o meio.<\/p>\n<div id=\"attachment_693\" style=\"width: 322px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/BARRIGUDA.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-693\" class=\"size-full wp-image-693\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/BARRIGUDA.png\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/BARRIGUDA.png 312w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/BARRIGUDA-199x300.png 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-693\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: serving.com\/u\/f62\/14\/82\/46\/80\/ceiba<\/p><\/div>\n<p>Vegetais que vivem em ambientes \u00e1ridos, como a Caatinga e os desertos, suportam grande quantidade de luz sendo incidida sobre eles e h\u00e1 pouca quantidade de \u00e1gua dispon\u00edvel, como suportam isso? Geralmente esses organismos possuem diversas estruturas externas e internas que fazem com que a perda de \u00e1gua seja reduzido: folhas pequenas, pois quanto menor a superf\u00edcie, dessas, menos \u00e1gua \u00e9 perdida; muitas esp\u00e9cies possuem tamb\u00e9m tricomas \u2013 esp\u00e9cie de pelos que ficam sobre as plantas e que ajudam a proteger a superf\u00edcie do organismo evitando o superaquecimento; outras possuem tamb\u00e9m uma camada de cera que age de forma a evitar a perda de \u00e1gua, isolando as c\u00e9lulas da folha e impedindo que elas tenham contato direto com o ambiente externo. Al\u00e9m dessas caracter\u00edsticas citadas, existem tamb\u00e9m modifica\u00e7\u00f5es nas ra\u00edzes, que s\u00e3o ainda mais longas para que consigam absorver \u00e1gua que, muitas vezes, s\u00f3 est\u00e1 dispon\u00edvel em profundos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. O tronco de algumas esp\u00e9cies funciona como reservat\u00f3rio de \u00e1gua, a esp\u00e9cie Barriguda (Ceiba glaziovii) (FOTO) tem o tronco com esses formatos caracter\u00edsticos devido ao acumulo de \u00e1gua na esta\u00e7\u00e3o chuvosa, j\u00e1 que na Caatinga h\u00e1 pouqu\u00edssima precipita\u00e7\u00e3o durante a esta\u00e7\u00e3o seca, que \u00e9 a mais duradoura. Todas as caracter\u00edsticas supracitadas s\u00e3o apenas algumas que as plantas possuem para evitar o efeito que a fonte incid\u00eancia de luz solar e a falta de \u00e1gua geram em seus organismos. Existem, inclusive, muitas esp\u00e9cies de ambientes secos, como os cactos, que tem uma estrat\u00e9gia pr\u00f3pria para realizar a fotoss\u00edntese: absorvem CO2 \u00e0 noite, \u201cguardam\u201d essa mol\u00e9cula dentro de suas folhas e o restante da fotoss\u00edntese ocorre durante o dia, dessa maneira elas perdem pouca \u00e1gua, j\u00e1 que durante a noite as temperaturas s\u00e3o mais baixas e n\u00e3o h\u00e1 luz solar. Portanto, quando pensamos em organismos que precisam todo dia driblar as dificuldades impostas pelo meio onde vivem para conseguirem sobreviver, lembremos ent\u00e3o das plantas, que al\u00e9m de produzir parte consider\u00e1vel do O2 que respiramos, tamb\u00e9m apresentam diversas modifica\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias interessantes que mostram que mostram que mesmo sendo \u201cbichinhos parados\u201d, lutam bravamente para se manterem vivos, mesmo sob condi\u00e7\u00f5es adversas.<\/p>\n<p><strong>Vinicius Resende Bueno<\/strong> \u00e9 graduando do Curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Federal de Vi\u00e7osa \u2013 Campus Rio Parana\u00edba \u2013 MG, Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que pensamos em como os organismos conseguem suportar a press\u00e3o da natureza, imaginamos animais como os mam\u00edferos, que possuem pelos para proteger a pele e manter a temperatura corporal; pensamos tamb\u00e9m nos camelos que conseguem ficar at\u00e9 quinze dias sem beber \u00e1gua, suportando assim, viver no deserto. 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