{"id":733,"date":"2017-06-23T16:06:49","date_gmt":"2017-06-23T19:06:49","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=733"},"modified":"2017-06-23T16:06:49","modified_gmt":"2017-06-23T19:06:49","slug":"o-pinguim-de-magalhaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=733","title":{"rendered":"O Pinguim de Magalh\u00e3es."},"content":{"rendered":"<p>Muitas vezes, vemos na televis\u00e3o, uma not\u00edcia sobre algum pinguim perdido que aparece na costa sul do Brasil. Cansados de tanto nadar, chegam fracos e com fome, praticamente sem esperan\u00e7as. Estes pinguins (que nunca chegar\u00e3o ao Alto Parana\u00edba, porque n\u00e3o vivem em nossa regi\u00e3o) veem de lugares long\u00ednquos, de paisagens de gelo e neve. Veem da Argentina e Chile, bem ao sul do continente.<\/p>\n<p>Dentro da escala zool\u00f3gica s\u00e3o classificados como \u201cAves\u201d. No entanto, n\u00e3o se trata de qualquer ave, s\u00e3o aves que n\u00e3o sabem voar, mas sabem nadar e muito bem&#8230; e apresentam uma s\u00e9rie de adapta\u00e7\u00f5es, como, por exemplo: uma alta capacidade pulmonar e card\u00edaca, especiais para respirarem no caso de submergirem a profundidades relativas\u037e uma capa grossa de gordura chamada \u201cpan\u00edculo adiposo\u201d que os protege do frio\u037e e possuem asas na forma de remos e as patas com membranas interdigitais para melhor nadarem e para facilitar a locomo\u00e7\u00e3o na \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas gerais:<\/strong><\/p>\n<p>Podemos considerar o pinguim de Magalh\u00e3es como um pinguim pequeno, n\u00e3o passa dos 6 kg e dos 70 cm de altura. Sua colora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito chamativa, tem na cabe\u00e7a uma lista branca que passa por cima das sobrancelhas, rodeia as orelhas e se une no pesco\u00e7o. E uma lista negra e fina no peito e barrigana forma de ferradura. Seus olhos, bico e patas s\u00e3o negros.<\/p>\n<p>Os pinguins possuem as patas curtas e o corpo volumoso, o que faz com que o caminhar seja lento e cerimonioso.<\/p>\n<p>As plumas que cobrem o corpo e as asas s\u00e3o pequenas e curtas e est\u00e3o distribu\u00eddas sobre a pele de modo uniforme.<\/p>\n<p>Alimentam\u00ad-se no mar. Comem peixes, crust\u00e1ceos (entre eles, krill) e lulas. O pinguim \u00e9 um ex\u00edmio ca\u00e7ador. Nada abaixo d\u2019\u00e1gua, a uns 30 cm da superf\u00edcie, com o corpo quase horizontal, em busca de comida. A cada tr\u00eas minutos, aproximadamente, voltam \u00e0 superf\u00edcie para renovar a provis\u00e3o de ar. Os predadores naturais destas aves s\u00e3o os le\u00f5es marinhos, leopardos marinhos e orcas.<\/p>\n<p><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Todos os anos, os pinguins de Magalh\u00e3es formam as pinguineiras, lugares de reprodu\u00e7\u00e3o nas costas patag\u00f4nicas, Ilhas Falkland e Ilhas dos Estados. Fazem seus ninhos no solo. Macho e f\u00eamea juntos empreendem a escava\u00e7\u00e3o e alternam nesta \u00e1rdua tarefa. Pouco a pouco, constroem um buraco raso e de base ampla que se prolonga para dentro de um t\u00fanel de um pouco mais de um metro e meio de profundidade que ser\u00e1 a verdadeira c\u00e2mara de incuba\u00e7\u00e3o dos ovos. Terminado o ninho, o casal encarrega\u00ad-se de recorrer a praia em busca de despojos, e pouco a pouco ir\u00e1 acumulando na entrada, ossos, gravetos, pedregulhos, ervas secas e plumas que proporcionar\u00e3o abrigo e tamb\u00e9m resguardo.<\/p>\n<p>Estes pinguins formam col\u00f4nias numerosas. Os casais s\u00e3o monog\u00e2micos e costumam estar unidos ao longo de toda a vida. A constru\u00e7\u00e3o de um ninho exige um esfor\u00e7o not\u00e1vel, mas um bom ninho poder\u00e1 alojar o casal durante v\u00e1rios anos. Machos e f\u00eameas o reconhecem perfeitamente entre as centenas de ninhos da pinguineira, e a cada ano se ocupam de restaur\u00e1-\u00adlo, ou de reconstru\u00ed\u00ad-lo, caso tenha desmoronado.<\/p>\n<p><strong>Incuba\u00e7\u00e3o e nascimento dos filhotes:<\/strong><\/p>\n<p>Ao final de setembro, as f\u00eameas p\u00f5em um ovo de cor branca, fracamente tingido de um verde azulado, e quatro dias depois, um segundo ovo. Durante o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o, machos e f\u00eameas devem proteger incessantemente o ninho da invas\u00e3o das gaivotas e petr\u00e9is, e da cobi\u00e7a de outros pinguins. Uma vez mais, machos e f\u00eameas compartilham o trabalho. Ambos possuem uma zona do ventre desprovida de plumas, uma placa de incuba\u00e7\u00e3o que resulta num estupendo radiador pelo qual, os corpos destas aves, especialmente adaptadas para conservar o calor, podem liber\u00e1\u00ad-lo e transmiti-lo aos ovos. Os pais viram os ovos de tempos em tempos durante a noite para que recebam de forma uniforme o calor que emana da placa. Durante o dia, os ovos s\u00e3o arejados, caso a temperatura seja elevada.<\/p>\n<p>Em novembro, depois de cerca de quarenta dias, nascem os filhotes. Os ninhos se povoam de pequenos pinguins cinza, de penugem fina, que grunhem pedindo alimento. Os filhotes n\u00e3o sobrevivem sozinhos: nem sequer s\u00e3o capazes de digerir sua pr\u00f3pria comida. Durante tr\u00eas meses s\u00e3o os pa\u00eds que comem no mar e, de volta ao ninho, abrem o bico para que sua prole meta a cabe\u00e7a e remova o produto da pesca que j\u00e1 sofreu a a\u00e7\u00e3o dos sucos digesti\u00advos e se converteu em uma pasta morna e macia. Os pinguins de Magalh\u00e3es s\u00e3o aves marinhas. Vivem em col\u00f4nias nas costas do do continente sul-americano, no oceano Atl\u00e2ntico Sul. No entanto, esta estadia nas col\u00f4nias ocorre somente durante o per\u00edodo de reprodu\u00e7\u00e3o e muda dos filhotes (troca de penas) \u2013 que ocorre de setembro a abril \u00ad, e passam o resto do ano no mar. S\u00e3o aves, portanto migrat\u00f3rias, capazes de se deslocarem a grandes dist\u00e2ncias. Comumente, ao longo da costa sul da Argentina, Uruguai e sul do Brasil. H\u00e1 registro destas aves na regi\u00e3o sudeste do Brasil, chegando ao Rio de Janeiro. E ainda, mais raramente, registros de ocorr\u00eancia at\u00e9 mesmo, para a costa nordestina.<\/p>\n<p><strong>O futuro dos pinguins de Magalh\u00e3es?<\/strong><\/p>\n<p>Como aves marinhas que vivem em col\u00f4nias na costa do continente e tamb\u00e9m, que vivem no mar, os pinguins de Magalh\u00e3es sofrem amea\u00e7as das a\u00e7\u00f5es humanas. Embora, no geral, os n\u00fameros de indiv\u00edduos e as tend\u00eancias populacionais sejam incertas, temos o conhecimento do decl\u00ednio de algumas das col\u00f4nias destes pinguins. Esta diminui\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es das col\u00f4nias est\u00e1 provavelmente relacionada a atividades antr\u00f3picas como a explora\u00e7\u00e3o e transporte do petr\u00f3leo oriundo de plataformas oce\u00e2nicas, a pesca comercial, e talvez com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Derramamento e manchas de petr\u00f3leo no oceano podem causar a morte destas aves. N\u00e3o \u00e9 incomum encontrar estes pinguins cobertos e ou manchados de \u00f3leo. Muitos s\u00e3o capturados acidentalmente por artefatos de pesca como redes-\u00adde\u00ad-arrasto utilizadas na pesca de camar\u00e3o. Al\u00e9m de que, a pesca comercial de peixes e crust\u00e1ceos concorre pelos estoques de comida dos quais se valem os pinguins para sua alimenta\u00e7\u00e3o e a dos seus filhotes. Outro fator de amea\u00e7a aos pinguins de Magalh\u00e3es, mencionado pelos pesquisadores, \u00e9 o turismo e visitas sem controle \u00e0s pinguineiras. Como resultado destas amea\u00e7as,a esp\u00e9cie \u00e9 classificada como &#8221;quase amea\u00e7ada\u2019\u2019 na Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature and Natural Resources \u00ad IUCN (veja em http:\/\/www.iucnredlist.org\/). Aves migrat\u00f3rias est\u00e3o sujeitas a diferentes \u00e1reas e ambientes conforme o per\u00edodo do ano, o que dificulta a ado\u00ad\u00e7\u00e3o de medidas para sua preserva\u00e7\u00e3o. Para a preserva\u00e7\u00e3o dos pinguins de Magalh\u00e3es \u00e9 fundamental que sejam adotadas medidas que garantam a prote\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de procria\u00e7\u00e3o, evitem o derramamento de petr\u00f3leo e adotem medidas eficientes para a conten\u00e7\u00e3o das manchas de \u00f3leo no caso de acidentes, e controlem a pesca comercial. A ado\u00e7\u00e3o de tais medidas depende de fatores econ\u00f4micos, pol\u00edticos e de log\u00edstica de v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que a ocorr\u00eancia das carca\u00e7as destes animais na costa brasileira ocorra por causas naturais, pois na natureza, nem todos os indiv\u00edduos sobrevivem. Mas j\u00e1 existem ind\u00edcios que tais ocorr\u00eancias tamb\u00e9m est\u00e3o relacionadas aos problemas expostos acima. Uma carca\u00e7a de pinguim coberta de \u00f3leo encontrada na praia \u00e9 um fato ineg\u00e1vel da responsabilidade da a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p><strong>M\u00f3nica S. Rodriguez<\/strong> &#8211; Professora das disciplinas Zoologia de Vertebrados do<br \/>\ncurso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas &#8211; Universidade Federal de Vi\u00e7osa &#8211; Campus Rio Parana\u00edba.<\/p>\n<p><strong>Fl\u00e1vio Popazoglo<\/strong> &#8211; Professor de Metodologia e Pr\u00e1tica de Ensino em Ci\u00eancias e Biologia\u00ad &#8211; Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia &#8211; Instituto de Biologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vezes, vemos na televis\u00e3o, uma not\u00edcia sobre algum pinguim perdido que aparece na costa sul do Brasil. Cansados de tanto nadar, chegam fracos e com fome, praticamente sem esperan\u00e7as. Estes pinguins (que nunca chegar\u00e3o ao Alto Parana\u00edba, porque n\u00e3o vivem em nossa regi\u00e3o) veem de lugares long\u00ednquos, de paisagens de gelo e neve. 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