{"id":764,"date":"2017-07-16T06:56:25","date_gmt":"2017-07-16T09:56:25","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=764"},"modified":"2017-07-16T06:56:25","modified_gmt":"2017-07-16T09:56:25","slug":"como-fragmentos-de-dna-podem-servir-como-marcador-molecular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=764","title":{"rendered":"Como fragmentos de DNA podem servir como marcador molecular?"},"content":{"rendered":"<p>O RFLP (Polimorfismo no Comprimento de Fragmentos de Restri\u00e7\u00e3o) \u00e9 uma t\u00e9cnica da biologia molecular que analisa peda\u00e7os de DNA que foram cortados por enzimas de restri\u00e7\u00e3o (esses peda\u00e7os s\u00e3o chamados de fragmentos de restri\u00e7\u00e3o). O funcionamento \u00e9 bem simples: existem enzimas que conseguem cortar o DNA em algumas regi\u00f5es. Essas enzimas s\u00e3o chamadas de enzimas de restri\u00e7\u00e3o e apresentam v\u00e1- rios tipos, que cortam apenas sequ\u00eancias reconhecidas por elas. Por\u00e9m, o que fica entre essas regi\u00f5es pode variar de tamanho. A primeira vez que pesquisadores sugeriram essa t\u00e9cnica foi em 1974 e em pouco tempo ela se tornou uma ferramenta eficaz para in\u00fameros procedimentos de biologia molecular e biotecnologia. Quatro anos depois da descoberta dessa t\u00e9cnica, os pesquisadores respons\u00e1veis (Arber, Nathans e Smith) receberam o pr\u00eamio Nobel em Medicina ou Fisiologia.<\/p>\n<p>Para entendermos o funcionamento dessa t\u00e9cnica devemos entender o que \u00e9 um marcador molecular: uma regi\u00e3o do DNA ser\u00e1 um marcador molecular quando ela apresentar caracter\u00edsticas espec\u00edficas para um grupo de an\u00e1lise (seja esse grupo uma esp\u00e9cie, uma fam\u00edlia\u2026). Assim, o RFLP ser\u00e1 um marcador quando apresentar variabilidade suficiente que permita an\u00e1lises individuais ou populacionais.<\/p>\n<p>Ok, mas como verificar o tamanho desse fragmento de DNA? Bom, a resposta \u00e9 simples. Existe uma t\u00e9cnica chamada Eletroforese em gel, que consiste na migra\u00e7\u00e3o de uma mol\u00e9cula em um gel a partir da diferen\u00e7a de potencial el\u00e9trico. Para que isso ocorra \u00e9 preparado um gel com agarose (polissacar\u00eddeo gelatinoso encontrado em algas) que prender\u00e1 as mol\u00e9culas durante a migra\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s isso, \u00e9 colocado o DNA em po\u00e7os (pequenas cavidades no gel) e \u00e9 aplicada uma corrente el\u00e9trica.<\/p>\n<p>O DNA tem carga negativa, ent\u00e3o ele ser\u00e1 atra\u00eddo pelo polo positivo. Entretanto, para chegar a esse polo, a mol\u00e9cula deve migrar atrav\u00e9s do gel. Os fragmentos de DNA menores ir\u00e3o migrar mais rapidamente do que os fragmentos maiores. Ap\u00f3s terminar o tempo de \u201ccorrida\u201d, \u00e9 aplicada uma luz ultravioleta (UV) nesse gel, visto que antes da aplica\u00e7\u00e3o o DNA \u00e9 tratado com uma mol\u00e9cula que \u201cbrilha\u201d quando exposta a essa luz UV. Quando aplicada a luz, v\u00ea-se no gel algumas faixas de luz brilhantes, que correspondem ao DNA.<\/p>\n<p>Mas como saber qual o tamanho exato desse DNA para que se possa prosseguir na an\u00e1lise? Para isso, utiliza-se um Ladder, que nada mais \u00e9 do que uma sequ\u00eancia de DNA de tamanho conhecido, que aparecer\u00e1 no gel. Assim, \u00e9 poss\u00edvel comparar a amostra que o pesquisador desconhece com a conhecida, descobrindo assim o tamanho da amostra. Esse ladder \u00e9 medido em pares de base, ou seja, quantas bases nitrogenadas (componentes do DNA) tem naquele fragmento.<\/p>\n<p>Para facilitar ainda mais a visualiza\u00e7\u00e3o das bandas, faz-se uma t\u00e9cnica chamada de Southern Blot, que consiste em transferir o DNA do gel da eletroforese para uma membrana de nylon ou nitrocelulose. Cada indiv\u00edduo ou grupo apresentar\u00e1 um padr\u00e3o de fragmentos (bandas), que \u00e9 chamado de perfil de digest\u00e3o, que \u00e9 detectado pelo n\u00famero e tamanho dos fragmentos gerados. Assim, essa t\u00e9cnica pode servir para identificar gen\u00f3tipos heterozigotos, visto que \u00e9 um marcador codominante; para mapear o genoma de um grupo; para teste de paternidade; para detec\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as heredit\u00e1rias e muitas outras aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com isso, vemos que o RFLP \u00e9 um bom marcador molecular, por apresentar diversidade em aplica\u00e7\u00f5es e ser um marcador codominante, ou seja, onde \u00e9 poss\u00edvel se diferenciar homozigotos de heterozigotos. Este marcador pode apontar rela\u00e7\u00f5es de cruzamento entre casais, determinar rela\u00e7\u00f5es de parentesco e at\u00e9 auxiliar na gen\u00e9tica forense para resolu\u00e7\u00e3o de crimes. Por\u00e9m, entre as desvantagens dessa metodologia podemos citar o fato desta ser cara para execu\u00e7\u00e3o (demanda de aparelhos e reagentes caros), utilizar sondas que s\u00e3o t\u00f3xicas (necessitam de cuidado no manuseio) e \u00e9 relativamente trabalhoso.<\/p>\n<p><strong>Texto por: Francisco Sassi<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O RFLP (Polimorfismo no Comprimento de Fragmentos de Restri\u00e7\u00e3o) \u00e9 uma t\u00e9cnica da biologia molecular que analisa peda\u00e7os de DNA que foram cortados por enzimas de restri\u00e7\u00e3o (esses peda\u00e7os s\u00e3o chamados de fragmentos de restri\u00e7\u00e3o). O funcionamento \u00e9 bem simples: existem enzimas que conseguem cortar o DNA em algumas regi\u00f5es. 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