{"id":768,"date":"2017-07-16T07:08:57","date_gmt":"2017-07-16T10:08:57","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=768"},"modified":"2017-07-16T07:08:57","modified_gmt":"2017-07-16T10:08:57","slug":"o-que-e-uma-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=768","title":{"rendered":"O que \u00e9 uma esp\u00e9cie?"},"content":{"rendered":"<p>O que caracteriza e como podemos definir \u201cesp\u00e9cie\u201d? Qual a primeira observa\u00e7\u00e3o que fazemos para classificar um indiv\u00edduo como pertencente a uma e n\u00e3o a outra? O conceito de esp\u00e9cie \u00e9 muito discutido pela comunidade cient\u00edfica, e existem diferentes tipos. O biol\u00f3gico diz que podem ser considerados da mesma esp\u00e9cie, indiv\u00edduos capazes de intercruzar e produzir descentes f\u00e9rteis. Entretanto, o que amplamente utilizamos para distinguir uma esp\u00e9cie de outra \u00e9 a morfologia externa ou mesmo interna que os indiv\u00edduos apresentam.<\/p>\n<p>Os problemas da classifica\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica aparecem a partir do momento em que n\u00e3o s\u00e3o encontradas diferen\u00e7as evidentes entre indiv\u00edduos. Exemplo disso s\u00e3o as esp\u00e9cies cr\u00edpticas encontradas em muitos grupos. Mesmo semelhantes, s\u00e3o diferentes e provavelmente apresentam diferen\u00e7as em aspectos n\u00e3o t\u00e3o facilmente observ\u00e1veis, tais como fatores ecol\u00f3gicos de seu nicho (requisitos alimentares ou padr\u00f5es de comportamento reprodutivo) e gen\u00e9ticos (diferen\u00e7as cariot\u00edpicas). Com isso, o que antes era classificado como popula\u00e7\u00f5es de uma esp\u00e9cie, pode representar, na verdade, um conjunto de esp\u00e9cies que respondem de formas diferentes \u00e0s press\u00f5es seletivas naturais ou \u00e0s impostas pelo homem em processos de fragmenta\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat.<\/p>\n<p>Um exemplo de organismos que apresentam esp\u00e9cies de dif\u00edcil distin\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica s\u00e3o os parasitoides da fam\u00edlia Trichogrammattidae. Parasitoides s\u00e3o uma classe de organismos que parasitam outros insetos, principalmente depositando seus ovos no corpo de seus hospedeiros. Essa \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o extremamente esp\u00e9cie-espec\u00edfica muito utilizada no controle biol\u00f3gico de pragas na agricultura. Mas para que esse controle seja eficaz, \u00e9 essencial a identifica\u00e7\u00e3o correta do tipo de parasitoide.<\/p>\n<p>Essas incertezas taxon\u00f4micas s\u00e3o encontradas em organismos dos mais distintos e podem afetar tamb\u00e9m a sa\u00fade humana. Um estudo recente com a esp\u00e9cie de fungo<em> Paracoccidiodes brasiliensis<\/em>, mostrou que o que era considerado uma \u00fanica esp\u00e9cie que, na fase de levedura, causa micose sist\u00eamica, na verdade se trata de um complexo de quatro esp\u00e9cies diferentes. Os pesquisadores acreditavam que era poss\u00edvel que isso estivesse interferindo em diversos aspectos da doen\u00e7a, inclusive no diagnostico positivo atrav\u00e9s de soro. Em um dos testes realizados, foi verificado que em uma das esp\u00e9cies, o gene que produz o ant\u00edgeno (mol\u00e9cula que induz a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos), acumulava maior numero de muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o sin\u00f4nimas, que s\u00e3o aquelas que interferem no amino\u00e1cido codificado pelos nucleot\u00eddeos. Isso significa maior variabilidade na mol\u00e9cula produzida por uma das esp\u00e9cies do fungo, gerando respostas vari\u00e1veis nos pacientes infectados pela mesma.<\/p>\n<p>Que a biodiversidade no planeta Terra \u00e9 imensa \u00e9 um fato conhecido por todos. Uma surpresa \u00e9 imaginar que essa mesma pode ser ainda maior do que estimamos, e que esp\u00e9cies que ainda nem conhecemos s\u00e3o extintas todos os dias. Dessa forma, identificar se o que \u00e9 considerado uma \u00fanica esp\u00e9cie trata-se de mais de uma unidade taxon\u00f4mica e evolutiva, \u00e9 essencial para planejar formas de manejo eficazes que atendam as necessidades de cada uma delas e, assim, aumentar a contribui\u00e7\u00e3o pra a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade e do meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>Snaydia Resende \u00e9 bi\u00f3loga, mestranda em Manejo e Conserva\u00e7\u00e3o de Ecossistemas Naturais e Agr\u00e1rios na UFV campus Florestal.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que caracteriza e como podemos definir \u201cesp\u00e9cie\u201d? Qual a primeira observa\u00e7\u00e3o que fazemos para classificar um indiv\u00edduo como pertencente a uma e n\u00e3o a outra? O conceito de esp\u00e9cie \u00e9 muito discutido pela comunidade cient\u00edfica, e existem diferentes tipos. 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