{"id":839,"date":"2018-09-14T10:20:58","date_gmt":"2018-09-14T13:20:58","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=839"},"modified":"2018-10-31T08:34:18","modified_gmt":"2018-10-31T11:34:18","slug":"uma-breve-historia-dos-gatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=839","title":{"rendered":"Uma breve hist\u00f3ria dos Gatos"},"content":{"rendered":"<p>O gato dom\u00e9stico (<em>Felis catus<\/em>) est\u00e1 presente em quase todos os continentes, com exce\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtida e regi\u00f5es mais remotas. Embora atualmente eles sejam habitantes dos nossos sof\u00e1s e lareiras, nas sociedades antigas aqueles que habitavam celeiros, navios e vilarejos proporcionavam grande prote\u00e7\u00e3o. Que tipo de prote\u00e7\u00e3o os bichanos conferiam? Bom, basicamente contra pragas e vermes oriundos de pequenos animais, principalmente de roedores, os quais eram respons\u00e1veis por danos \u00e0s planta\u00e7\u00f5es e por doen\u00e7as cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Um estudo publicado na Nature Ecology &amp; Evolution demonstrou que o gato dom\u00e9stico \u00e9 mais pr\u00f3ximo de uma subesp\u00e9cie de gato selvagem africano, o Gato-da-L\u00edbia (<em>Felis silvestris lybica<\/em>). Esses selvagens geralmente s\u00e3o solit\u00e1rios, ca\u00e7adores territorialistas e n\u00e3o possuem estrutura social e hier\u00e1rquica. Um animal com essas caracter\u00edsticas dificilmente seria escolhido para a domestica\u00e7\u00e3o e, ao que parece, de fato os gatos n\u00e3o foram escolhidos por n\u00f3s, eles \u00e9 que \u201cse convidaram\u201d para serem domesticados (t\u00edpico de gato n\u00e3o?)! O que se sabe \u00e9 que esses felinos come\u00e7aram a habitar planta\u00e7\u00f5es h\u00e1 milhares de anos atr\u00e1s ao serem atra\u00eddos por ratos que invadiam os estoques de gr\u00e3os dos humanos no Oriente Pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias zooarqueol\u00f3gicas apontam que a primeira rela\u00e7\u00e3o entre os humanos e os bichanos foi um tipo de comensalismo que durou milhares de anos. Durante esse per\u00edodo, os gatos que habitavam regi\u00f5es humanas mantinham cruzamentos com os selvagens. Acredita-se que essas trocas gen\u00e9ticas contribu\u00edram para manter pouca diferencia\u00e7\u00e3o entre os dois grupos. Devido a isso, nossos ronronadores mantiveram muitas das caracter\u00edsticas fisiol\u00f3gicas, ecol\u00f3gicas, morfol\u00f3gicas e comportamentais dos felinos selvagens.<\/p>\n<p>Devidos aos benef\u00edcios de se ter gatos por perto, os fazendeiros provavelmente foram os primeiros domesticadores. Esses novos gatos mais d\u00f3ceis migraram aos poucos do Oriente Pr\u00f3ximo para Bulgaria e Romenia por volta de 6.000 anos atr\u00e1s, configurando a primeira onda migrat\u00f3ria e a chegada desses animais na Europa. Milhares de anos depois, gatos domesticados oriundos do Antigo Egito, tamb\u00e9m migraram para a Europa durante a Era Romana e suas popula\u00e7\u00f5es se tornaram maiores que a dos gatos do Oriente Pr\u00f3ximo. Al\u00e9m disso, como exterminadores de pragas, eles foram \u00fateis nas expedi\u00e7\u00f5es navais da \u00e9poca, onde, gra\u00e7as aos Vikings, se espalharam pelo norte da Europa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/gato.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-840 aligncenter\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/gato-300x254.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/gato-300x254.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/gato-768x651.png 768w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/gato-600x509.png 600w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/gato.png 827w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma vez instalados em toda a Europa, foi s\u00f3 quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que os bichanos se espalhassem pelos outros continentes com a ajuda dos humanos, passando de auxiliares exterminadores de pragas \u00e0 pets que arranham sof\u00e1s, quebram vidrarias e sempre nos conquistam com um olhar sem igual (vide foto).<\/p>\n<p>Fonte: Ottoni, Claudio, et al. &#8220;The palaeogenetics of cat dispersal in the ancient world.&#8221;\u00a0<em>Nature Ecology &amp; Evolution<\/em>\u00a01.7 (2017): 0139.<\/p>\n<p>Matheus Lewi C. B. de campos, bi\u00f3logo pela UFV &#8211; CRP, e mestrando em Zoologia pela UFMG.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O gato dom\u00e9stico (Felis catus) est\u00e1 presente em quase todos os continentes, com exce\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtida e regi\u00f5es mais remotas. Embora atualmente eles sejam habitantes dos nossos sof\u00e1s e lareiras, nas sociedades antigas aqueles que habitavam celeiros, navios e vilarejos proporcionavam grande prote\u00e7\u00e3o. Que tipo de prote\u00e7\u00e3o os bichanos conferiam? 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