{"id":846,"date":"2018-09-14T10:34:30","date_gmt":"2018-09-14T13:34:30","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=846"},"modified":"2018-10-31T08:34:42","modified_gmt":"2018-10-31T11:34:42","slug":"a-grande-riqueza-das-pequenas-especies-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=846","title":{"rendered":"A grande riqueza das pequenas esp\u00e9cies do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p>O Cerrado \u00e9 o segundo maior dom\u00ednio do Brasil, superado apenas pela Amaz\u00f4nia. Ele cobre uma \u00e1rea de dois milh\u00f5es de km\u00b2, e ocorre em 14 estados brasileiros. Nesse dom\u00ednio ocorrem vegeta\u00e7\u00f5es distintas, como florestas (os cerrad\u00f5es), campos (os campos limpos e campos rupestres), at\u00e9 forma\u00e7\u00f5es sav\u00e2nicas, os cerrados <em>sensu stricto<\/em>, ou cerrado t\u00edpico, que ocupam 70% da \u00e1rea total.<\/p>\n<p>O cerrado <em>sensu stricto <\/em>\u00e9 caracterizado pela exist\u00eancia de \u00e1rvores de pequeno a m\u00e9dio porte com troncos retorcidos, de modo que as copas dessas \u00e1rvores n\u00e3o se toquem. Abaixo delas existe um tapete cont\u00ednuo de plantas de pequeno porte, conhecidas como ervas e arbustos. Essas esp\u00e9cies permanecem toda a sua vida pr\u00f3ximas ao n\u00edvel do solo, e n\u00e3o desenvolvem lenho ou madeira, ou seja, nunca ir\u00e3o virar \u00e1rvores. Elas germinam suas sementes, crescem, reproduzem e morrem num per\u00edodo de tempo muito curto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1rvores, que sobrevivem d\u00e9cadas ou s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Estima-se que para cada \u00e1rvore exista de cinco a seis ervas, muitas ainda n\u00e3o descobertas pela ci\u00eancia. O estrato herb\u00e1ceo, que \u00e9 a comunidade das ervas, possui esp\u00e9cies tempor\u00e3s, ou seja, que podem ser visualizadas apenas em uma \u00e9poca do ano, seca ou chuvosa. Essas plantas tamb\u00e9m apresentam diversas adapta\u00e7\u00f5es a falta de \u00e1gua e nutrientes e presen\u00e7a constante do fogo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-847 aligncenter\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/2-300x169.jpg 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/2.jpg 538w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Prestonia erecta, uma erva com ocorr\u00eancia restrita ao Cerrado.<\/p>\n<p>Os primeiros estudos sobre as \u201cplantinhas\u201d do cerrado brasileiro iniciaram na d\u00e9cada de 1980, quando come\u00e7ou a se vislumbrar a riqueza e o potencial desconhecido dessas esp\u00e9cies. Tradicionalmente sabemos que as ervas s\u00e3o usadas para alimenta\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de medicamentos. Outra utilidade \u00e9 na recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, uma vez que elas cobrem e protegem o solo, mantendo a umidade e os nutrientes, o que favorece a reconstru\u00e7\u00e3o da vida no solo e acima dele. Al\u00e9m disso, devido \u00e0 varia\u00e7\u00e3o de cores, formas e beleza, as ervas t\u00eam grande potencial para paisagismo e ornamenta\u00e7\u00f5es em geral. Atenta a essa diversidade tamb\u00e9m est\u00e1 a ind\u00fastria qu\u00edmica e farmac\u00eautica, j\u00e1 que muitas mol\u00e9culas s\u00e3o utilizadas na cura de doen\u00e7as e cria\u00e7\u00e3o de bioprodutos.<\/p>\n<p>Hoje, a elevada biodiversidade e a presen\u00e7a de esp\u00e9cies que s\u00f3 ocorrem neste local, colocam o Cerrado como um dos ambientes mais diversos e ricos do planeta. Apresentando mais de 12.000 esp\u00e9cies vegetais descritas, sendo que 61% s\u00f3 existem exclusivamente nessa vegeta\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 um dos <em>hotspost<\/em> (pontos quentes) para se conservar no mundo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-848 aligncenter\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/3-300x225.jpg 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/3.jpg 406w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Cochlospermum regium, um subarbusto s\u00edmbolo do cerrado sensu stricto.<\/p>\n<p>Entretanto, o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds provocou fortes modifica\u00e7\u00f5es neste bioma, levando a redu\u00e7\u00e3o de mais de 65% da cobertura original e, consequentemente, \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias plantas que nem sequer foram descobertas. Para outras esp\u00e9cies, o extrativismo excessivo vem amea\u00e7ando a sua sobreviv\u00eancia, como \u00e9 o caso do Alecrim-do-campo (<em>Anemopaegma arvense<\/em>). Seus extratos foram patenteados por grupos de pesquisadores japoneses para o uso em cosm\u00e9ticos, gerando demanda e superexplora\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie, o que a deixou atualmente em perigo de extin\u00e7\u00e3o. Para enfrentar esse cen\u00e1rio precisamos de muitos esfor\u00e7os, investimentos e pol\u00edticas p\u00fablicas que permitam a forma\u00e7\u00e3o de cientistas capazes de reconhecer, conservar e manejar de forma sustent\u00e1vel a maior riqueza do planeta: a biodiversidade.<\/p>\n<p>M\u00e1rcio Ven\u00edcios Barbosa Xavier, Estudante de Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Florestal.UFMG. R\u00fabia Santos Fonseca, mestre e doutora em Bot\u00e2nica pela UFV. Professora de Dendrologia e Sistem\u00e1tica Vegetal da UFMG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cerrado \u00e9 o segundo maior dom\u00ednio do Brasil, superado apenas pela Amaz\u00f4nia. Ele cobre uma \u00e1rea de dois milh\u00f5es de km\u00b2, e ocorre em 14 estados brasileiros. 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