{"id":946,"date":"2019-08-01T11:29:10","date_gmt":"2019-08-01T14:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=946"},"modified":"2019-08-04T11:38:03","modified_gmt":"2019-08-04T14:38:03","slug":"a-macrovisao-da-micromudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=946","title":{"rendered":"A macrovis\u00e3o  da micromudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a ci\u00eancia que estuda como a natureza se transforma ao longo das gera\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s da acumula\u00e7\u00e3o de pequenas mudan\u00e7as que ocorrem nas popula\u00e7\u00f5es de organismos vivos. Para entender como a evolu\u00e7\u00e3o produziu a biodiversidade \u00e9 preciso que estudemos dois processos:  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a) como as esp\u00e9cies mudam atrav\u00e9s do tempo (microevolu\u00e7\u00e3o);                                      b) como uma esp\u00e9cie se torna duas esp\u00e9cies ou mais (macroevolu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Micro x macro <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na verdade, estes dois &#8220;processos&#8221; s\u00e3o o mesmo, mas vistos em escalas diferentes. \u00c9 como se tiv\u00e9ssemos um balde sob uma goteira\u2026 o constante pingar, em algum momento, encher\u00e1 o balde, que transbordar\u00e1. Podemos pensar nessas micromudan\u00e7as da mesma forma, &#8220;pingando&#8221; aos poucos na hist\u00f3ria do grupo. Em algum momento, haver\u00e1 um transbordamento, e os indiv\u00edduos da popula\u00e7\u00e3o, que estavam divergindo aos poucos de suas gera\u00e7\u00f5es passadas, podem passar a acumular diferen\u00e7as cada vez maiores. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"492\" height=\"510\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/volume-2-numero-3-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-947\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/volume-2-numero-3-2.png 492w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/volume-2-numero-3-2-289x300.png 289w\" sizes=\"auto, (max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro processo \u00e9 bastante conhecido e responde como ocorreu o desenvolvimento dos bicos dos tentilh\u00f5es estudados por Darwin nas Ilhas Gal\u00e1pagos, por exemplo. Tamb\u00e9m explica o mecanismo de resist\u00eancia de insetos a pesticidas, o surgimento de superbact\u00e9rias, resistentes a todos os tipos de antibi\u00f3ticos, e por que nem sempre as vacinas contra a gripe funcionam como gostar\u00edamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, alguns cr\u00edticos da teoria da evolu\u00e7\u00e3o argumentam que a microevolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia explicar a origem de novas esp\u00e9cies, ou a macroevolu\u00e7\u00e3o. Estes dizem que membros de uma esp\u00e9cie n\u00e3o podem se tornar t\u00e3o diferentes de outros indiv\u00edduos atrav\u00e9s da varia\u00e7\u00e3o natural a ponto de se tornarem duas esp\u00e9cies n\u00e3o intercruzantes. Mas ser\u00e1 que \u00e9 isso que os cientistas concluem? <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma quest\u00e3o de tempo\u2026 <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das maiores limita\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o ao entendimento da Evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 que suas evid\u00eancias nos mostram uma hist\u00f3ria que nem sempre est\u00e1 acontecendo em frente a nossos olhos e que nem sempre ocorre do mesmo jeito para todos os seres vivos, uma vez que os protagonistas dessa hist\u00f3ria tem tempos diferentes para o desenvolvimento de seus pap\u00e9is. Por exemplo, a gesta\u00e7\u00e3o de um grande mam\u00edfero, como um elefante, pode levar at\u00e9 22 meses. Em contrapartida, uma gera\u00e7\u00e3o bacteriana pode durar apenas meia hora.  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 f\u00e1cil perceber, portanto, que se a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a ao longo das gera\u00e7\u00f5es, e as gera\u00e7\u00f5es entre diferentes organismos tem diferentes dura\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podemos esperar que a evolu\u00e7\u00e3o opere no mesmo ritmo para todos os organismos. \u00c9 por isso que \u00e9 muito mais f\u00e1cil percebermos que uma popula\u00e7\u00e3o de microorganismos mudou e passou a ter resist\u00eancia a um composto qualquer, que poder\u00e1 ser decisiva na sua sobreviv\u00eancia e lev\u00e1-la a tornar-se uma nova esp\u00e9cie, do que um organismo mais complexo e com maior tempo de gera\u00e7\u00e3o adquirir uma grande mudan\u00e7a em sua biologia. Imposs\u00edvel \u00e9 pensar que vivendo (com sorte) 100 anos, um ser humano seria capaz de ver essa mudan\u00e7a durante o per\u00edodo de sua vida. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas isso n\u00e3o significa que n\u00e3o podemos provar que as microevolu\u00e7\u00f5es produzem os padr\u00f5es macroevolutivos. A natureza tem diversos meios de nos mostrar que as mudan\u00e7as ao longo das gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o cap\u00edtulos da hist\u00f3ria natural dos grupos.  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das formas de vermos o registro hist\u00f3rico das mudan\u00e7as dos grupos \u00e9 olharmos literalmente para o passado da Terra. Com alguma sorte e a combina\u00e7\u00e3o certa entre acaso e solo adequado, um organismo pode passar a figurar como personagem principal na hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra forma de percebermos que todos os organismos tem ancestrais diretos e um ancestral \u00fanico comum \u00e9 vermos as semelhan\u00e7as que existem em biomol\u00e9culas, como o DNA. Em todos os seres vivos, o DNA \u00e9 composto pelos mesmos elementos qu\u00edmicos e tem o mesmo papel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas s\u00e3o evid\u00eancias mais que seguras de que todos fazemos parte de uma hist\u00f3ria que vem acontecendo h\u00e1 muitos e muitos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Karine Frehner Kavalco \u00e9 bi\u00f3loga, mestre em Gen\u00e9tica e Evolu\u00e7\u00e3o e doutora em Gen\u00e9tica. Atualmente \u00e9 professora da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, campus de Rio Parana\u00edba e atua na \u00e1rea de Gen\u00e9tica Ecol\u00f3gica e Evolutiva. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a ci\u00eancia que estuda como a natureza se transforma ao longo das gera\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s da acumula\u00e7\u00e3o de pequenas mudan\u00e7as que ocorrem nas popula\u00e7\u00f5es de organismos vivos. 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