{"id":957,"date":"2019-08-09T10:35:33","date_gmt":"2019-08-09T13:35:33","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=957"},"modified":"2019-08-09T10:35:33","modified_gmt":"2019-08-09T13:35:33","slug":"como-as-plantas-se-reproduzem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=957","title":{"rendered":"Como as plantas se reproduzem?"},"content":{"rendered":"\n<p>As plantas s\u00e3o classificadas em grupos, de acordo com a frequ\u00eancia de autopoliniza\u00e7\u00e3o ou poliniza\u00e7\u00e3o cruzada. Contudo, algumas destas plantas posicionam-se em situa\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, o que gera d\u00favidas quanto ao grupo em que devem ser inclu\u00eddas. <\/p>\n\n\n\n<p>Plantas aut\u00f3gamas ou de autofecunda\u00e7\u00e3o s\u00e3o aquelas em que o  polinizador (androceu ou p\u00f3len) \u00e9 produzido na mesma planta que o gameta receptor (gineceu ou \u00f3vulo) e n\u00e3o existe auto-incompatibilidade entre estes. <\/p>\n\n\n\n<p>Nestas plantas pode ocorrer a fecunda\u00e7\u00e3o cruzada, no entanto esta taxa n\u00e3o passa de 5%. Esp\u00e9cies como trigo, soja, aveia, cevada, arroz e alface dificilmente ultrapassam 1%. Na planta do fumo as trocas de gametas atingem altas taxas, o que muitas vezes exige a prote\u00e7\u00e3o das infloresc\u00eancias para evitar o fluxo de genes (ou cruzamento) entre variedades cultivadas muito pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p>A autofecunda\u00e7\u00e3o \u00e9 motivada por diversos mecanismos, entre eles o mais positivo \u00e9 a cleistogamia, situa\u00e7\u00e3o na qual os ant\u00e9cios nunca abrem. A casmogamia \u00e9 outra ferramenta que auxilia a autofecunda\u00e7\u00e3o, onde a poliniza\u00e7\u00e3o do estigma ocorre antes da abertura do ant\u00e9cio, isso ocorre com trigo, cevada, aveia e alface.  <\/p>\n\n\n\n<p>Plantas al\u00f3gamas s\u00e3o plantas que utilizam da fecunda\u00e7\u00e3o cruzada para se reproduzirem. Diversos mecanismos facilitam a fecunda\u00e7\u00e3o cruzada entre as plantas, a diocia pode ser considerado o mais efetivo, e ocorrem quando cada planta contribui com gametas ou femininos ou masculinos. Isso acontece no mam\u00e3o, espinafre e na arauc\u00e1ria (pinheiro do Paran\u00e1).<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas plantas mon\u00f3icas (as que possuem ambas as estruturas, masculinas e femininas na mesma planta) apresentam fatores associados com a presen\u00e7a de infloresc\u00eancias macho e f\u00eameas separadas na mesma planta, o que favorece a alogamia. <\/p>\n\n\n\n<p>No milho, por exemplo, o p\u00f3len amadurece antes da infloresc\u00eancia f\u00eamea, fazendo com que a autofecunda\u00e7\u00e3o raramente atinja mais que 5%. Outra ferramenta \u00e9 a matura\u00e7\u00e3o do estigma e do p\u00f3len em \u00e9pocas distintas, chamado de protandria, quando os gr\u00e3os de p\u00f3len s\u00e3o formados antes que o estigma e de protoginia, quando o gineceu atinge a matura\u00e7\u00e3o antes dos estames. Algumas estruturas florais podem impedir a autofecunda\u00e7\u00e3o como quando pistilos e anteras possuem formatos diferentes. <\/p>\n\n\n\n<p>A macho-esterilidade, muitas vezes utilizada no melhoramento vegetal para forma\u00e7\u00e3o de h\u00edbridos, \u00e9 outro fator limitante da autofecunda\u00e7\u00e3o e \u00e9 decorrente de aberra\u00e7\u00f5es cromoss\u00f4micas produzindo gr\u00e3os de p\u00f3len est\u00e9reis.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo temos a autoincompatibilidade, onde apesar de apresentarem p\u00f3len e \u00f3vulos funcionais n\u00e3o ocorre fecunda\u00e7\u00e3o devido a obst\u00e1culos fisiol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Plantas al\u00f3gamas s\u00e3o heterozigotas e isto tende a permanecer nas sucessivas gera\u00e7\u00f5es de fecunda\u00e7\u00e3o cruzada. A redu\u00e7\u00e3o desta heterozigose geralmente leva a perda de vigor, determinada pela depress\u00e3o endog\u00e2mica (cruzamentos entre gen\u00f3tipos aparentados ou iguais). <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"542\" height=\"487\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/volume-2-numero-3-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-958\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/volume-2-numero-3-6.png 542w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/volume-2-numero-3-6-300x270.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/volume-2-numero-3-6-334x300.png 334w\" sizes=\"auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 plantas aut\u00f3gamas com frequente alogamia, ainda. Plantas deste grupo possuem taxas de fecunda\u00e7\u00e3o cruzada bastante variadas, dependentes do ambiente de cultivo e de fatores clim\u00e1ticos associados. <\/p>\n\n\n\n<p>O sorgo e o algod\u00e3o, por exemplo, possuem taxas entre 5 a 10% e em algumas situa\u00e7\u00f5es podem chegar a 50% de alogamia. Esp\u00e9cies deste grupo, como caf\u00e9, quiabo, sorgo, berinjela, algod\u00e3o, mamona e fava est\u00e3o situadas em posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre as esp\u00e9cies tipicamente aut\u00f3gamas e al\u00f3gamas. <\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo grupo \u00e9 das plantas de reprodu\u00e7\u00e3o assexual, que s\u00e3o divididas em plantas de propaga\u00e7\u00e3o vegetativa e apom\u00edticas. Por propaga\u00e7\u00e3o vegetativa temos rizomas (banana), tub\u00e9rculos (batatinha), estol\u00f5es (morango), ramas (batata-doce), peda\u00e7os do caule (mandioca), bulbos (cebola), ou outras partes. Nestas plantas, todos os descendentes s\u00e3o clones da planta original. <\/p>\n\n\n\n<p>A apomixia, por sua vez, \u00e9 um mecanismo no qual as sementes s\u00e3o produzidas sem a fus\u00e3o dos gametas a partir de uma c\u00e9lula n\u00e3o reduzida do \u00f3vulo (c\u00e9lula m\u00e3e). <\/p>\n\n\n\n<p>Variedades comerciais produzidas por reprodu\u00e7\u00e3o assexuada s\u00e3o altamente heterozigotas, por serem selecionadas de indiv\u00edduos com elevado vigor de h\u00edbrido. Quando reproduzidas por via sexual, evidenciam ampla segrega\u00e7\u00e3o em suas gera\u00e7\u00f5es seguintes e sofrem perdas por endogamia. <\/p>\n\n\n\n<p>Estudar e entender os mecanismos de propaga\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies \u00e9 fundamental para o melhoramento vegetal e influenciar\u00e1 diretamente as cultivares desenvolvidas pelos programas e a forma com que as sementes ser\u00e3o produzidas. <\/p>\n\n\n\n<p>Sydney Antonio Frehner Kavalco \u00e9 agr\u00f4nomo, mestre e doutorando em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente \u00e9 bolsista CNPq e atua no melhoramento  gen\u00e9tico de trigo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As plantas s\u00e3o classificadas em grupos, de acordo com a frequ\u00eancia de autopoliniza\u00e7\u00e3o ou poliniza\u00e7\u00e3o cruzada. Contudo, algumas destas plantas posicionam-se em situa\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, o que gera d\u00favidas quanto ao grupo em que devem ser inclu\u00eddas. 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