{"id":972,"date":"2019-08-26T14:35:00","date_gmt":"2019-08-26T17:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=972"},"modified":"2019-08-27T15:23:00","modified_gmt":"2019-08-27T18:23:00","slug":"cinco-perguntas-sobre-fosseis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=972","title":{"rendered":"Cinco perguntas sobre F\u00f3sseis"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como se conhece a idade de um f\u00f3ssil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem dois tipos de data\u00e7\u00f5es, as absolutas e as relativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As data\u00e7\u00f5es absolutas consistem em analisar propor\u00e7\u00f5es de elementos radioativos cuja vida m\u00e9dia \u00e9 conhecida, presentes nas rochas onde est\u00e3o os f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O carbono 14, muito usado na Arqueologia, tem uma vida m\u00e9dia de apenas 6000 anos, proporcionando medidas confi\u00e1veis at\u00e9 cerca de 100.000 anos, sendo, por isso, pouco usado na Paleontologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os paleont\u00f3logos usam is\u00f3topos de pot\u00e1ssio, arg\u00f4nio, rub\u00eddio e estr\u00f4ncio entre<br> outros, pois estes possuem uma vida m\u00e9dia de v\u00e1rios milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m as data\u00e7\u00f5es mais usadas s\u00e3o as relativas, por serem mais pr\u00e1ticas e vi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas consistem em relacionar as diversas camadas de sedimentos entre si (Estratigrafia), e relacionar os f\u00f3sseis com os de outras localidades previamente datadas pelos m\u00e9todos absolutos (Bioestratigrafia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como se forma um f\u00f3ssil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fossiliza\u00e7\u00e3o de um organismo representa um evento raro na natureza. A grande maioria dos organismos se degrada e n\u00e3o deixa rastro algum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que um organismo se preserve \u00e9 necess\u00e1rio que este tenha uma morte em condi\u00e7\u00f5es que facilitem a sua conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambientes com pouco oxig\u00eanio, e por tanto sem degrada\u00e7\u00e3o e com muita sedimenta\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os melhores para fossilizar um organismo. Alguns destes ambientes s\u00e3o: p\u00e2ntanos, leito marinho profundo, fundo de lagos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mortes catastr\u00f3ficas tamb\u00e9m aumentam bastante as chances de fossiliza\u00e7\u00e3o, por serem r\u00e1pidas e por afetar v\u00e1rios indiv\u00edduos de uma vez, por exemplo, enxurradas de lama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os f\u00f3sseis est\u00e3o constitu\u00eddos por restos originais dos organismos ou s\u00e3o unicamente rochas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os f\u00f3sseis podem ser constitu\u00eddos tanto por restos originais dos organismos como por minerais que ocupam o seu lugar ou ainda por  uma combina\u00e7\u00e3o de ambos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na maioria dos casos a mat\u00e9ria org\u00e2nica se degrada e \u00e9 substitu\u00edda por minerais externos, mas se o organismo possui um esqueleto formado por minerais (como uma concha, ou ossos), este esqueleto pode se preservar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em alguns casos excepcionais, os tecidos moles se preservam, como no caso dos insetos e aracn\u00eddeos preservados em \u00e2mbar ou os mamutes congelados na Sib\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que \u00e9 um &#8220;f\u00f3ssil vivo&#8221;?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um f\u00f3ssil vivo \u00e9 um organismo que sobreviveu por um consider\u00e1vel tempo sem sofrer mudan\u00e7as morfol\u00f3gicas significativas, tendo chegado at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplos de f\u00f3sseis vivos s\u00e3o Latimeria, ou celacanto, um peixe sem mudan\u00e7as no aspecto externo geral e em detalhes da anatomia desde o per\u00edodo Cret\u00e1ceo (uns 100 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s); Sphenodon, ou tuatara, um r\u00e9ptil que sobrevive desde o Jur\u00e1ssico (mais de 150 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s); ambos foram contempor\u00e2neos dos dinossauros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas existem f\u00f3sseis vivos ainda mais antigos, como Limulus, um artr\u00f3pode marinho relacionado aos escorpi\u00f5es que habita o Golfo do M\u00e9xico, existente desde o Permiano (uns 250 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) ou como Lingula, um braqui\u00f3pode, semelhante a um molusco marinho, existente desde o Cambriano (mais de 500 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s!).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas con\u00edferas, entre estas, a Araucaria, t\u00e3o comum no Sul do Brasil, existem desde o Tri\u00e1ssico (mais de 200 milh\u00f5es de anos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por que um f\u00f3ssil vivo n\u00e3o se extingue? Por que um f\u00f3ssil vivo &#8220;n\u00e3o evolui&#8221;?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem diversos motivos pelos quais um organismo sobrevive milh\u00f5es de anos sem sofrer mudan\u00e7as. Um deles \u00e9 que simplesmente esse organismo j\u00e1 est\u00e1 muito bem adaptado a uma diversidade de condi\u00e7\u00f5es, ou seja, possui um &#8220;design&#8221; de sucesso, n\u00e3o sendo necess\u00e1rio que este mude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 o caso de Limulus, que entre outras coisas possui uma ampla carapa\u00e7a que dificulta o ataque de predadores, suporta grandes varia\u00e7\u00f5es de salinidade e temperatura, e pode sobreviver meses sem alimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 outros organismos se mant\u00e9m sem mudan\u00e7as devido a uma continuidade das caracter\u00edsticas do ambiente que selecionam as caracter\u00edsticas presentes no organismo. Este pode ser o caso de Lingula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sobreviv\u00eancia de alguns f\u00f3sseis vivos tamb\u00e9m pode dever-se ao fato destes habitarem ambientes isolados, onde n\u00e3o enfrentam a competi\u00e7\u00e3o com outros organismos potencialmente melhor adaptados a esses ambientes. Esse \u00e9 o caso do tuatara, que encontra-se isolado na Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juan Carlos Cisneros Mart\u00ednez \u00e9 bi\u00f3logo, mestre e doutor em Geoci\u00eancias. Atualmente \u00e9 professor da Universidade Federal do Piau\u00ed e atua na \u00e1rea de Paleontologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se conhece a idade de um f\u00f3ssil? Existem dois tipos de data\u00e7\u00f5es, as absolutas e as relativas. As data\u00e7\u00f5es absolutas consistem em analisar propor\u00e7\u00f5es de elementos radioativos cuja vida m\u00e9dia \u00e9 conhecida, presentes nas rochas onde est\u00e3o os f\u00f3sseis. 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