{"id":999,"date":"2019-12-15T22:56:08","date_gmt":"2019-12-16T01:56:08","guid":{"rendered":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=999"},"modified":"2019-12-15T22:56:08","modified_gmt":"2019-12-16T01:56:08","slug":"transgenicos-sao-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/?p=999","title":{"rendered":"Transg\u00eanicos s\u00e3o naturais?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tempos que agricultores de todo o mundo manipulam genes de plantas e animais, sem mesmo sabermos sobre a exist\u00eancia de genes e cromossomos. A sele\u00e7\u00e3o das melhores sementes e dos melhores animais de um rebanho para cruz\u00e1-los entre si existe no m\u00ednimo h\u00e1 10 mil anos. O melhoramento gen\u00e9tico tradicional, como \u00e9 chamado, transformou as plantas e os animais radicalmente, daquilo que eram quando o homem come\u00e7ou a trabalhar com eles para o que temos hoje. O objetivo dessas modifica\u00e7\u00f5es \u00e9 \u00f3bvio: aumentar a produ\u00e7\u00e3o e a qualidade de sementes, frutos, plantas, bois, cavalos etc. Ao cruzar animais e plantas com caracter\u00edsticas desej\u00e1veis os produtores conseguiram criar variedades importantes para o melhoramento. Entretanto, ao mesmo tempo, tiveram um grande trabalho para tirar, tamb\u00e9m por meio de cruzamentos, caracter\u00edsticas indesej\u00e1veis nessas novas variedades. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"566\" height=\"364\" src=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Sem-t\u00edtulo.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1000\" srcset=\"https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Sem-t\u00edtulo.png 566w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Sem-t\u00edtulo-300x193.png 300w, https:\/\/folhabiologica.crp.ufv.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Sem-t\u00edtulo-466x300.png 466w\" sizes=\"auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><figcaption>Esquema mostrando transg\u00eanese utilizando cultura de tecidos vegetais. Fonte: World Wide Web (com modifica\u00e7\u00f5es). <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem dois m\u00e9todos para produzir uma planta transg\u00eanica: usar uma bact\u00e9ria chamada Agrobacterium tumefaciens ou por meio de biobal\u00edstica. A t\u00e9cnica de se utilizar uma bact\u00e9ria para transferir genes espec\u00edficos a um vegetal surgiu quando cientistas observaram que o A. tumefaciens inseria trechos de seu DNA numa planta, provocando a doen\u00e7a galha de coroa, ou seja, \u00e9 um processo que acontece na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da observa\u00e7\u00e3o dessa intera\u00e7\u00e3o, pesquisadores criaram a t\u00e9cnica que consiste em tr\u00eas passos: 1) Retira-se do micr\u00f3bio o seu plasm\u00eddio (uma pequena mol\u00e9cula de DNA) e dele se extrai o gene causador da doen\u00e7a. 2) No plasm\u00eddio \u00e9 inserido um gene de interesse, por exemplo o gene que torna o vegetal resistente a insetos. 3) Ent\u00e3o \u00e9 devolvido o trecho de DNA modificado para o A. tumefeciens. Para a transfer\u00eancia do DNA modificado para a planta, basta apenas colocar a bact\u00e9ria em contato com a planta, milho, por exemplo, e ele ir\u00e1 transferir para o vegetal o gene de resist\u00eancia a insetos. Esta nova planta, dotada de uma caracter\u00edstica que n\u00e3o tinha antes, \u00e9 chamada de transg\u00eanica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na biobal\u00edstica, part\u00edculas microsc\u00f3picas de ouro ou tungst\u00eanio s\u00e3o cobertas com os genes escolhidos e literalmente atiradas contra as c\u00e9lulas do vegetal que se pretende modificar. \u00c1 medida que se chocam com elas, algumas part\u00edculas penetram nas c\u00e9lulas, inserindo nas plantas os genes com o tra\u00e7o desejado. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma planta geneticamente modificada traz, muitas vezes, vantagens para suportar as adversidades do ambiente. \u00c9 o que ocorre, por exemplo, com o milho e o algod\u00e3o que recebem o gene que os tornam resistentes a certos insetos. Esse gene vem da bact\u00e9ria Bacillus thurgiensis (Bt), que produz uma toxina contra insetos. O Bt vem sendo usado h\u00e1 anos na agricultura org\u00e2nica como bioinseticida natural. Sua desvantagem \u00e9 que, ao ser espalhado na lavoura mata todos os insetos sens\u00edveis a ele, indiscriminadamente. No caso da planta transg\u00eanica, que tem o Bt dentro de seu genoma, somente o inseto que a ingere morre, uma utiliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 mais sensata sustent\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro exemplo \u00e9 a soja que tem inserido em seu genoma um gene que a torna capaz de processar o glifosato, um herbicida largamente utilizado para matar ervas daninhas que crescem junto com o cultivo da soja. Sem o gene da resist\u00eancia ao glifosato, o agricultor n\u00e3o poderia aplicar o produto ap\u00f3s a soja germinar, pois a mataria junto com as ervas daninhas. Nesse caso seria necess\u00e1rio a utiliza\u00e7\u00e3o de pelo menos duas aplica\u00e7\u00f5es de outros dois tipos de herbicidas na cultura para matar as plantas daninhas, mais caros e n\u00e3o biodegrad\u00e1veis. A presen\u00e7a do gene de resist\u00eancia ao glifosato permite que ele seja aplicado na soja sem mat\u00e1-la. Isso porque o gene \u00e9 capaz de degradar o herbicida, transformando-o em um composto n\u00e3o t\u00f3xico para o vegetal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o melhorista, a principal vantagem da utiliza\u00e7\u00e3o de transg\u00eanicos parece ser a possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o de genes que n\u00e3o poderiam ser obtidos pela hibrida\u00e7\u00e3o. Outra vantagem \u00e9 a possibilidade de introdu\u00e7\u00e3o de um gene espec\u00edfico sem a necessidade de cruzamentos e retrocruzamentos, diminuindo o n\u00famero de gera\u00e7\u00f5es e o tempo gasto para o desenvolvimento de uma nova cultivar. O produtor \u00e9 diretamente beneficiado, principalmente pela diminui\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o e do uso de agrot\u00f3xicos. Para o meio ambiente, o uso de plantas transg\u00eanicas pode levar a um menor uso de defensivos, diminuindo a polui\u00e7\u00e3o ambiental. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o de plantas transg\u00eanicas, apesar de trazer uma s\u00e9rie de vantagens ao melhorista, n\u00e3o diminui a import\u00e2ncia do melhoramento convencional. Na verdade, as t\u00e9cnicas de engenharia gen\u00e9tica vieram auxiliar o melhorista a fazer um trabalho mais r\u00e1pido e eficiente. Al\u00e9m disso, a transgenia n\u00e3o foi algo inventado pelo homem. Bact\u00e9rias j\u00e1 a usam h\u00e1 milhares de anos! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sydney Antonio Frehner Kavalco<\/strong> \u00e9 agr\u00f4nomo, mestre e doutorando em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente \u00e9 bolsista CNPq e atua no melhoramento  gen\u00e9tico de trigo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos que agricultores de todo o mundo manipulam genes de plantas e animais, sem mesmo sabermos sobre a exist\u00eancia de genes e cromossomos. A sele\u00e7\u00e3o das melhores sementes e dos melhores animais de um rebanho para cruz\u00e1-los entre si existe no m\u00ednimo h\u00e1 10 mil anos. 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